Helena O quarto do hospital tem cheiro de antisséptico e silêncio contido. O tipo de silêncio que não acalma apenas espera. Máquinas apitam em intervalos regulares, lembrando-me de que estou viva, de que tudo ainda pulsa, mesmo quando minha cabeça insiste em reviver o som do impacto. Damian está ali desde que acordei. Não sentado de forma relaxada. Não distante como um chefe preocupado deveria estar. Ele ocupa a cadeira ao lado da cama como se fosse parte dela, o corpo inclinado para frente, os cotovelos apoiados nos joelhos, as mãos entrelaçadas com força demais. Como se, ao relaxar, tudo pudesse desmoronar. Nossos olhares se cruzam. Há algo diferente nele. Não é apenas preocupação. É tensão crua, Culpa e Medo. E algo mais profundo, algo que ele não consegue mais escon

