{P.O.V × Nate River}
Acordei com Mello mexendo em meus cabelos, enquanto seus olhos me observavam atentos, eu sequer conseguia me lembrar como eu teria vindo parar no quarto.
— Bom dia. — Ele disse, assim que abri os olhos.
— Bom dia. — Respondi, me espreguiçando na cama.
— Temos muita coisa para fazer hoje, não podemos parar a investigação. — Falei, me levantando da cama.
— Ei, volta aqui. — Ele pediu, segurando meu braço e me puxando para perto.
— Nate, você não está descansando direito. — Preocupou-se.
— Eu estou bem. — Afirmei.
— Ontem você dormiu na cadeira lá embaixo, eu que trouxe você para o quarto. — Relatou ele.
— Nós viemos para o Japão a trabalho, não para passear. — Falei, e meu tom de voz saiu de forma rude sem que eu percebesse.
— Sim, mas isso não significa que você deveria virar um zumbi. — Retrucou.
— Desde que você começou com esse caso, não dorme e m*l come, o que tem de tão especial dessa vez? — Perguntou, cruzando os braços com a feição irritada.
Que eu tinha focado no caso da Misa era um fato, e isso estava realmente me custando muitas horas, deixando o período de descanso sempre para depois.
Mas o real motivo para aquilo, era que após as investigações nós poderíamos voltar para a Inglaterra, e eu finalmente tiraria todo aquele sentimento r**m sobre o passado, que me ainda me assombrava.
Eu ainda não havia falado com Mello sobre a conversa que Lawliet propôs, e eu também não contaria, seu egoísmo tinha conseguido me irritar profundamente logo de manhã.
— Você não vai descer? — Perguntei, após ter terminado de me arrumar.
— Vou descer com Matt. — Ele respondeu, levantando da cama e indo para o banheiro.
Era proposital, ele sabia que eu sentia ciúmes dele e estava usando aquilo contra mim, outro motivo para me irritar com ele, essas medidas infantis dele me deixavam tão furioso.
Desci as escadas tentando controlar a minha insatisfação, quando cheguei ao andar de baixo os oficiais já estavam por lá, mas Matt não se encontrava em seu lugar, cumprimentei todos com um breve "bom dia", e me sentei na cadeira.
— Alguém conseguiu falar com o entrevistador? — Perguntei.
— Sim, ele disse que aceita ser interrogado. — Aizawa respondeu.
— Certo, a perícia achou algo senhor Yagami? — Questionei.
— O lugar estava bem 'frio' de provas, mas eles acabaram por achar esse fio de cabelo no quarto dos pais da Amane. — O delegado disse, me entregando um plástico com o fio de cabelo escuro, não fazia sentido aquilo estar ali visto que, na família de Misa todos eram loiros.
Logo notei a presença de Mello e Matt, que atravessaram a sala e se sentaram nas cadeiras de sempre, eu sentia o olhar de Mihael me fuzilar por ter começado sem ele.
Mas não me importei, colocando o pequeno saco plástico em cima da mesa me virei para o computador, e pedi para que Matt invadisse as câmeras de segurança da casa de Misa.
Ele o fez no mesmo momento e me passou as imagens da noite em que aconteceu o crime, nada suspeito, nem mesmo alguém tentando entrar na casa ou rodeando a mesma.
— Talvez ele tenha entrado por algum ponto cego. — Ouvi uma voz ao fundo, e quando me virei notei L, Misa e Light que acabavam de entrar no QG.
Espontaneamente, todos foram cumprimentá-los e ver como Misa estava, a garota ainda carregava um olhar um pouco cansado, provavelmente causado por uma noite m*l dormida.
— Misa, alguém que frequentava a sua casa, tinha cabelos escuros? — Perguntei.
— Bom, na verdade não. Meus pais eram os únicos que moravam ali e a única pessoa que ia lá com frequência além de mim, era a minha assessora. — A garota contou, e então subiu para um dos quartos junto com Lawliet e Light que carregavam algumas malas.
— Preciso de uma amostra de DNA da assessora de Misa e também do homem que a entrevistou. — Pedi, e o delegado junto com Matsuda começaram a fazer ligações.
Entrei em uma viatura, acompanhado por Ukita e Mogi, o interrogatório aconteceria na própria delegacia, para manter o maior sigilo possível do QG.
{P.O.V × Mihael Keehl}
Com o passar do tempo, depois que confessei meus sentimentos por Near, eu acabei por começar a odiar comprar briga com ele.
E o motivo disso era bem simples, toda discussão que era m*l acabada se tornava um grande furacão para ver quem fazia pior.
Eu sabia que aquilo não iria acabar tão cedo, só teria um fim quando os dois explodissem um com o outro, e eu sentia que estávamos próximos daquilo mas também sentia distância.
— Eu não entendo o motivo dele agir assim às vezes. — Reclamei, com os braços cruzados, enquanto fitava Matt tomar uma xícara de café.
— Pensei que as brigas entre vocês tinham cessado. — Comentou Matt.
— Elas cessaram, as coisas mudaram desde que saímos da Wammy's House, mas em alguns momentos nós discutimos. — Esclareci.
— E como vocês acabaram com essas discussões? — Questionou.
— Conversa, uma longa conversa.
— Então, por que você não faz isso? — Disse, olhando para mim.
— É mais difícil, me irrita o quanto ele não tem se cuidado, e a forma como ele fala comigo mudou, tão rude e insensível, até um pouco egoísta com meus sentimentos para falar a verdade. — Desabafei.
— Nenhum dos dois lados quer ceder, ele está irritado com você e você também está com ele. — Observou.
Franzia as sobrancelhas ainda irritado por toda a situação, eu chegava a pensar que talvez pedir desculpas fosse uma boa ideia, mas meu orgulho sempre parecia falar mais alto.
— Mihael, a quanto tempo vocês estão juntos? — Questionou, e eu me surpreendi pela pergunta, tampei sua boca com minha mão e o empurrei até a pequena cozinha do QG.
— Fale baixo. — Pedi, tirando minha mão de sua boca.
— Por que?
— Near ainda não quer contar. — Declarei, me encostando na parede.
— Isso é estranho. — Comentou.
— Ele ainda não se sente seguro com isso, ficamos juntos depois de terem se passado cinco meses que saímos da Wammy's. — Expliquei.
— Certeza que é apenas isso? — Perguntou, colocando a xícara que estava em suas mãos na pia.
— O que você quer dizer? — Olhei para ele.
— Se estão juntos desde aquela época, já tem um bom tempo, você nunca se perguntou se isso seria vergonha? — Ele teorizou, e essa teoria se encaixou na minha cabeça perfeitamente, me ferindo no fundo de meu âmago.
Saí do lugar e subi as escadas, sentindo as lacunas em meu coração se fazerem presentes, rachaduras que ficavam maiores a cada passo que eu dava.
Entrando no quarto e notando que ele se encontrava vazio, percebi que a pessoa que eu procurava estava em outro lugar, e no momento eu não tinha ele para me esclarecer nada daquilo.
Fechei os olhos por um momento, tentando não criar falsas imagens em minha cabeça, buscando não me entregar aos meus medos e inseguranças, mas parecia tão difícil.
{P.O.V × Nate River}
Algumas horas depois, eu saí da delegacia sem nenhuma informação relevante para o caso, era frustrante ver os dias passando e nada sendo feito, nenhum deslize vindo dele. Tão cuidadoso, pensei.
A única coisa que eu queria era voltar ao QG e conversar com Mello, na tentativa de resolver a briguinha i*****l que tivemos mais cedo, eu sabia o quanto nós podíamos ser desagradáveis quando deixávamos a discussão fluir.
Meu celular então apitou, e quando o peguei eu pude ver que era uma mensagem de Matt, dizendo: "Eu sei sobre vocês." Meu corpo todo travou com a mensagem.
Eu sabia que Mello estava irritado mas não imaginava que ele chegaria a esse ponto, sempre disse a ele que queria contar sobre nós dois, em um momento que eu me sentisse mais confortável.
Eu não imaginava que ele trairia minha confiança dessa forma, sem nem perceber, eu já me sentia furioso com a atitude dele.
Entrei no carro e por mais que eu tentasse me acalmar, eu só conseguia pensar no que ele havia feito e sequer conseguia disfarçar minhas sobrancelhas franzidas pela raiva.
Assim que chegamos em frente ao prédio saí do carro rapidamente, entrando no edifício, e sem me importar com as outras pessoas que estavam no local eu foquei meu olhar enfurecido apenas em Mello.
Andei em passos largos e rápidos e ao chegar até ele, puxei o mesmo pelo braço até o dormitório onde estávamos hospedados, batendo a porta com força, joguei Mello no sofá.
— Como você consegue trair minha confiança assim? — Perguntei, tentando controlar a altura da voz, mesmo parecendo quase impossível por estar em um estado de raiva exagerada.
— Do que você está falando? — Indagou, com os olhos perdidos sem entender.
Joguei meu celular aberto na mensagem de Matt no sofá, colocando minhas mãos na cabeça sentindo as lágrimas querendo descer, ele então pegou o celular e leu a mensagem.
— Por que ele não pode saber?! — Questionou, demonstrando irritabilidade.
— Eu te disse que contaríamos juntos, e você não pensou em como me sentiria com isso. — Falei, sentindo a mágoa me invadir aos poucos.
— Pois é, nem você pensou em mim quando me fez esse pedido, egoísta! — Exclamou.
Se levantou do sofá e portanto passou por mim, então antes que ele pudesse chegar à porta eu segurei seu braço, o colocando contra a parede, senti a raiva se fazer presente em mim novamente.
— N-Near me solta. — Pediu, olhando para mim com certo receio, deixei seus pulsos livres da minha mão, e o encaixei entre meus braços.
— Então, eu sou egoísta Mello, por pedir o mínimo a você? — interroguei.
— Já que sou egoísta, você consegue ser tão egoísta e antipático, quanto seu pai era! — Retruquei.
E vi que uma lágrima escorreu pelos olhos de Mello, afastei meus braços dele e ele saiu pela porta, batendo a mesma com força, coloquei as mãos em meus cabelos deixando as lágrimas descerem pelo meu rosto.
Pensei em ir atrás dele, mas eu sabia que não era o momento correto para aquilo, tentar dialogar e pedir desculpas para ele que estava magoado e bravo naquele momento, não era a melhor opção.
Acredito que a consciência é a pior coisa que poderia nos punir, já estava de manhã e eu não tinha conseguido dormir nem um pouco, e muito menos conseguia trabalhar no caso.
As palavras amargas que eu havia dito ontem e as atitudes ruins que tive, ficavam na minha cabeça se repetindo constantemente, uma tortura pessoal feita pela minha própria culpa.
O que despedaçou meu coração era a imagem de Mello chorando antes de sair do quarto, em todas as nossas discussões ele nunca chorava, e eu tenho que admitir que usei palavras e comparações que não deveria.
Depois de ter me recomposto, não desci para continuar as investigações, fiquei o restante do dia no dormitório e Mello só voltou bem tarde, conhecendo ele eu sabia que ele não iria dormir comigo de jeito nenhum.
Acabei por dormir no outro quarto que havia no dormitório, e confesso que deitar na cama sem ele depois de tanto tempo fazendo aquilo, me deixava melancólico.
Levantei da cama sem apetite algum, e logo que abri a porta do quarto vi Mello na cozinha, pela sua expressão eu sabia que ele não havia dormido a noite toda também.
Mesmo sabendo da minha presença, ele não olhou para mim uma única vez, eu sabia que ele ainda iria longe com tudo aquilo, estando certo ou não ele tinha o defeito de guardar rancor.
Quando finalmente tomei coragem para falar alguma coisa, ele saiu e meu estômago embrulhou me tirando mais uma vez, a vontade de comer.
Depois de um longo banho, eu me arrumei e desci as escadas para encontrar com o pessoal, o clima tenso era perceptível para qualquer um que estava presente.
Me sentei na cadeira tentando me recordar o que eu deveria falar para os policiais, o silêncio pairava sobre aquele lugar mas em compensação, minha cabeça estava bem barulhenta.
— O interrogatório não teve resultado. — Declarei, fazendo todos olharem para mim.
— Ele não é quem estamos procurando, delegado, já temos os resultados do exame de DNA que eu pedi? — Perguntei, direcionando meu olhar para Soichiro.
— Sim. — Respondeu simples, me entregando o envelope marrom.
Logo que li os documentos, percebi que os resultados foram negativos, era frustrante estar na estaca zero novamente, todos os rastros dele eram cobertos perfeitamente como se ele não existisse.
— Negativo. — Falei, guardando os papéis no envelope.
Recebi os olhares insatisfeitos de todo o grupo, eles estavam tão desanimados e estressados quanto eu, mesmo que eles tivessem razão em se sentir dessa forma, eu não tinha ideia de como continuar com o caso.
— A imprensa está pedindo explicações, nós precisamos tomar uma providência. — Aizawa disse.
— Temos que esperar ele dar um próximo passo. — Comentei, recebendo olhares confusos.
— Como assim? Nós não podemos arriscar desse jeito. — Soichiro disse, incrédulo. Então uma luz surgiu em minha cabeça.
— Eu tenho uma teoria sobre isso, acredito que o assassino continua atrás de Misa por achar que ela se lembra do rosto dele, no dia em que Misa foi fazer a entrevista que ele de alguma forma descobriu, talvez ele tenha ido para realmente terminar o que tinha começado com os pais dela, mas notou que ela estava sendo escoltada por Lawliet e Light, nós ainda não sabemos com que tipo de objeto ele bateu em Misa, mas provavelmente não terminou de assassiná-la por perceber que alguém se aproximava e então fugiu. — Teorizei.
— Então, ele acha que Misa está sendo pivô para que ele seja preso. — Afirmou Ukita.
— Ele já tem ciência de que a senhorita Amane está sob custódia da polícia, mas ele acredita que ela se lembra de seu rosto e por isso ele não vai parar até pegá-la. — Continuei.
— Ele vai atacar novamente, de uma forma ou de outra, por isso temos que estar preparados. — Finalizei.