Acidente

2316 Palavras
{P.O.V × Light Yagami} Meu pai e Matsuda apareceram no corredor andando rápido em nossa direção, meu pai perguntou o que tinha acontecido com Misa. — Dentro do set de filmagens, depois de algum tempo de entrevista eles fizeram um intervalo, nesse meio tempo, a senhorita Amane disse que iria até a cozinha pegar um copo de água, alguns minutos depois nós escutamos um barulho de vidro se quebrando. — Lawliet explicou. — Nós corremos até lá, mas quando chegamos o corpo dela já estava no chão, peguei ela no colo e nós trouxemos ela para o hospital. — Completei. — Mas ela está bem? — Meu pai perguntou, colocando uma das mãos na cabeça. — Não sabemos, o médico ainda não disse nada. — L respondeu. A assessora de Misa chegou não muito tempo depois, com um olhar desesperado perguntando se a mesma estava bem, e o que tinha acontecido, pois ela sequer pôde ver Misa sendo levada para dentro do carro. Decidi sair do hospital para respirar um pouco, eu me sentia nervoso e inquieto sobre o que poderia ter acontecido com ela, a imagem do sangue em seus cabelos não saía da minha cabeça. Não conseguia formular o que poderia ter acontecido, e nem se alguém teria causado aquilo, a única coisa que tinha plena certeza era que a bronca do meu pai viria com força. Meu celular começou a tocar de repente, tirei o mesmo do bolso, vendo que a chamada era de minha mãe estranhei a ligação, já que ela não costumava ligar para mim no período da tarde, apenas a noite. — Mãe? — Ah, Light, que bom que você atendeu, seu pai está bem? Eu liguei para ele mas ele não retornou a ligação. — Ela disse, com a voz amena de sempre. — Sim ele está, estamos no hospital. — Citei. — No hospital?! — Sim mãe, mas não se preocupe, o pai está bem, nós estamos aqui a trabalho. — Respondi brevemente, não dando muitos detalhes. — Certo, eu ligo para ele mais tarde, está se alimentando direito Light? — Preocupou-se. — Sim, mãe. — Confirmei. — Está bem, Sayu disse que está com saudades. — Comentou, e eu pude ouvir um murmúrio de fundo, vindo da minha irmã. — Eu também estou com saudade dela e de você também mãe. — Falei, e eu realmente estava, já tinha dias que não via nenhuma das duas. Depois que nos despedimos, notei a presença de Lawliet ao meu lado, com a postura curvada de sempre se encostando na parede, do lado de fora do hospital. — Sua mãe? — Perguntou. — Sim, ela estava preocupada, os médicos não disseram nada ainda? — Respondi. — Não, seu pai e a assessora dela estão conversando. — A assessora dela é um pouco rude. — Comentei. — Sim, ela parece uma mulher um pouco difícil de lidar, mas não acho que ela faria m*l a Misa. — Ele disse. — Near vai interrogar todos que estavam no set. — Afirmei. — Provável, mas eu percebi uma coisa, pouco antes da Misa entrar na cozinha, aquele entrevistador saiu do set. — Relembrou. — Então, poderia ser ele? — Perguntei, tentando recordar seu rosto. — Talvez, ele é um suspeito. — Como todos, naquele set. — Completei. Pouco tempo depois, entramos no hospital novamente e eu torcia para ter boas notícias sobre Misa, logo que nos aproximamos percebi a ausência da assessora da garota. Perguntei onde a mulher teria ido, e eles disseram que ela recebeu uma ligação e foi atender longe do hospital, logo um homem de jaleco branco, óculos e com alguns papéis na mão apareceu. — Vocês trouxeram a paciente Misa Amane? — Ele perguntou, direcionando seu olhar a Lawliet e a mim, que respondemos "sim" ao mesmo tempo. — Me acompanhem, por favor. — Ele disse, andando pelo corredor enquanto nós quatro seguíamos ele. Ao chegar no quarto, vimos a Amane deitada na cama, ainda desacordada, com a cabeça enfaixada, e uma bolsa de soro ao seu lado, que estava ligada ao seu braço direito. — Ela está com um ferimento na parte de trás da cabeça, sofreu uma contusão. — Citou o médico, fechando a porta atrás de si. — Contusão? — Matsuda perguntou, confuso. — Sim, é uma lesão causada por um impacto de algum objeto. — Esclareceu. — Doutor, ela ficará bem? — Meu pai perguntou. — Sim, a contusão é um tipo de lesão superficial, que atinge apenas os tecidos moles, a camada de gordura, a musculatura, vasos sanguíneos ou linfáticos. — Explicou, e saiu da sala dizendo que iria atender outro paciente. Lawliet saiu da sala após ouvir seu celular tocar, meu pai saiu em seguida dizendo que iria buscar um café e Matsuda o acompanhou, cinco minutos depois, percebi que Misa acordou e tentou se levantar. — Não se esforce, você está machucada. — Falei, ela me olhou e relaxou os ombros. — Onde eu estou? — Perguntou, colocando a mão na cabeça, que acabou por tirar rapidamente ao sentir um incômodo. — Você não se lembra do que aconteceu? — Questionei, com certa preocupação. — Eu lembro de estar no set, eu entrei na cozinha depois do intervalo então eu vi uma sombra atrás de mim, a mesma silhueta que vi em minha casa na noite do crime, antes que eu pudesse me virar eu senti uma pancada muito forte na cabeça, e agora estou aqui. — Relatou. — Você está no hospital, após a pancada nós ouvimos o copo que estava em sua mão se quebrando, quando chegamos você estava no chão e não havia ninguém na cozinha. — Expliquei, e ela fez uma expressão triste. — Sabe Light, depois que comecei a ganhar fama pude ajudar minha família, eu estava muito feliz por finalmente estar fazendo algo por eles, mas essa felicidade não durou muito, a única coisa que posso fazer é me manter viva por eles agora, mas as vezes sinto que eu não vou escapar desse homem nunca. — Desabafou. — Nós vamos pegá-lo para vingar seus pais, e você vai poder continuar suas atividades normais, trazendo felicidade para todos. — Consolei, acariciando suas mãos. Matsuda entrou na sala junto com meu pai, que após verem que a garota tinha acordado chegaram mais perto, Lawliet entrou em seguida também indo ver como ela estava. No final de tudo, Matsuda se ofereceu para passar a noite ao lado da Amane no hospital até que ela recebesse alta, e eu, meu pai e L fomos para o QG conversar com o resto das pessoas. Ao chegarmos, fomos recebidos com inúmeras perguntas dos outros, que estavam aguardando ansiosos por novas informações, após contarmos todo o ocorrido o silêncio se fez presente no ambiente. — Foi um aviso. — Near falou de repente, e todos olharam para ele curiosos com a declaração. — Ele poderia ter assassinado a Amane ali mesmo, mas mesmo assim ele não quis, ele fez questão de nos dar um aviso que ele está mais perto do que possamos imaginar. — Teorizou. — É um jogo, temos que capturá-lo, antes que ele faça de Misa mais uma vítima, ela está na mira dele. — Concluí. — Exato. Misa viu o rosto dele dessa vez? — Mello questionou. — Ela me disse que não, a única coisa que ela viu foi a silhueta dele, a mesma que estava em sua casa. — Respondi. — Temos que interrogar as pessoas que estavam no set. — Matt se pronunciou. — Seria bom, mas levaria dias para isso, meninos vocês notaram algum comportamento estranho nas pessoas do set? — Near perguntou. — Apenas o entrevistador, ele saiu da sala minutos antes da Misa ser atacada. — Lawliet respondeu. — Certo. Eu não acho que seja mais seguro que ela fique no hotel senhor Yagami, temos que deixar ela aqui. — Near falou, enrolando uma mecha de seu cabelo nos dedos. — Tudo bem, assim que ela receber alta ela virá diretamente para o QG. — Meu pai aceitou. — Vou interrogar o entrevistador amanhã, gostaria que o senhor Yagami enviasse a perícia para uma busca minuciosa na casa de Misa, talvez tenha algo lá que deixamos passar. — Pediu Near, com um olhar confiante. — Vou providenciar. Meninos, me acompanhem. — Meu pai chamou, olhando para mim e para L. Nós o acompanhamos até o lado de fora do edifício, entramos no carro e eu já imaginava o esporro que iríamos levar, por não proteger Misa corretamente. — Eu sei que não estão acostumados com o trabalho de segurança, mas preciso da colaboração de vocês para isso, o que ocorreu hoje não poderá se repetir daqui para frente, a senhorita Amane está correndo graves riscos de vida. — Ele começou. — Eu espero que a postura de vocês mude daqui para frente. — Terminou, e saiu do carro. Encostei a cabeça no banco, bufando pela repreensão, maldita hora que aquele filho da p**a decidiu aparecer, foi uma tremenda sorte ela ter sobrevivido. O motorista deu partida, e eu tive aquela sensação estranha de não ouvir a voz de Misa tagarelando a viagem toda, como se algo faltasse ou eu tivesse esquecido de alguma coisa. Chegamos ao hotel rapidamente, subimos para o quarto e eu me perguntava como as coisas seriam a partir daquilo, lembrando que a atenção em Misa teria que ser dobrada por nós dois. Folguei a gravata, me sentando no sofá sentindo a fadiga me dominar aos poucos, Lawliet falava no telefone dentro do quarto com alguém, enquanto isso eu passava os canais com o controle nas mãos. — Matsuda ligou, dizendo que Misa está bem e que receberá alta amanhã. — L comunicou, se sentando ao meu lado, sem ser daquele jeito estranho de sempre. — Nós devemos arrumar as coisas dela? — Perguntei, com a cabeça apoiada em minha mão direita. — Não acho que devemos mexer nas coisas dela. — Ele respondeu. Não era como se eu me importasse com o que Misa levava nas malas, mas decidi não contrariá-lo, ainda pulando de canal em canal, parei em um filme que me chamou a atenção, mas não o suficiente para me entreter. Olhei de canto para Lawliet, que aparentemente prestava atenção no filme, por mais que eu tivesse a sensação que não, chamei por seu nome e ele virou o rosto em minha direção. — Você disse que é insone e toma remédios para dormir, mas mesmo assim tem olheiras profundas. — Observei em voz alta, olhando para frente. — As olheiras são herança da minha mãe, tenho elas naturalmente, porém, ficaram mais escuras depois que comecei a trabalhar em investigações policiais. — Citou. — Você pergunta muito sobre mim, mas eu não sei nada sobre você. — Continuou. — Não tem nada de interessante para saber, desde pequeno eu me interesso por diversos estudos, e no final isso acabou resultando em ser o estudante mais inteligente do país, ganhei muitos prêmios por conta disso, e ajudei a polícia com alguns casos, além do meu pai, eu também tenho minha mãe que é uma grande mulher para mim e uma irmã mais nova, que é bem fofa por sinal. — Relatei sorrindo, ao me lembrar da minha família. — Você seria aceito em qualquer faculdade que quisesse, mas desistiu, por quê? — Ele perguntou, parecendo interessado. — Eu adoro resolver esses casos, fazer algo para tornar o mundo melhor, tirando esses vermes das ruas. — Declarei com convicção. Alguns minutos se passaram, enquanto olhávamos para a tela da televisão sem prestar atenção no filme, era visível que tanto a minha quanto a mente de L estavam em outro lugar. Nesse turbilhão de pensamentos, L me veio à cabeça novamente e entre esses 'flashes' de memórias, a que decidiu ficar presente era a cena do beijo que tivemos. — Lawliet, sobre o que aconteceu no dia das algemas, eu… — Tudo bem, não se preocupe com isso. — Ele me cortou, parecendo desconfortável com o assunto. Não me sentia contente com a resposta, eu só conseguia pensar que as coisas não deveriam seguir daquela forma, mas também não compreendia o motivo de estar tão preocupado com aquela situação, se ele não quisesse mas trabalhar comigo aquilo seria benéfico para mim. Então, por quê? Me questionei. Levantei do sofá, passando por ele, mas talvez por uma vontade involuntária, eu acabei por passar minha mão vagarosamente por seus cabelos volumosos, lisos e tão macios. — Fico feliz que seu machucado já tenha sarado. — Falei, notando que em seu pulso não havia mais machucados e nem mesmo as gazes. Ele colocou sua mão sobre a minha, e em um movimento leve ele me puxou para perto, me curvei até meu rosto ficar da altura do seu, ainda segurando minha mão ele levou a mesma até sua bochecha onde acariciei. Diferente da outra vez, na qual eu alternava meu olhar entre sua boca e seus olhos, dessa fez meus olhos estavam totalmente focados nos seus, que brilhavam e pareciam me conceder o que eu estava prestes a fazer. Com a mente hipnotizada, sem pensar eu agi por uma vontade incontrolável, e o beijei novamente, podendo sentir não só o gosto dele, mas também um frio na barriga durante o ato. Após o beijo, encostei minha testa na dele com os olhos fechados, sentindo que aquilo era tão errado e ao mesmo tempo tão certo, tão antiético e tão necessário. Mesmo querendo que seus lábios tocassem os meus de novo e de novo, e desejando permanecer ali por toda a noite, eu me despedi o deixando na sala e entrando no quarto. Respirei fundo, vendo toda aquela confusão mental me atingir em cheio, e em meio a isso, me peguei cogitando a ideia de voltar para a sala e passar a noite junto a ele. Sem coragem ou forças para fazer, desisti.
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