{P.O.V × Light Yagami}
Já tinha um tempo que não via a delegacia tão agitada, papéis por toda parte e correria por parte dos policiais, eu já estava no departamento antes do meu horário habitual, pois meu pai acabou por me dar carona e ele entra mais cedo que os outros oficiais.
Mesmo com toda a movimentação eu não tinha notado a tal Misa Amane, acabei por pesquisar um pouco da vida dela na internet, e ela era a única da família que tinha seguido o ramo da fama.
Eu tomava café enquanto esperava L chegar, não era como se ele estivesse atrasado, mas a demora dele me irritava mais do que quando ele estava por perto, o dia não tinha começado da melhor forma para mim.
Apenas por saber que eu não estava participando do caso como detetive, já era um grande motivo para me fazer ficar estressado, eu sequer sabia como as coisas iriam funcionar e meu pai por estar ocupado, não me explicava nada.
— Light, você está animado para conhecer a Misa-Misa? — Matsuda perguntou, com uma revista que mostrava a garota na capa em mãos.
— "Misa-Misa"? — Perguntei, estranhando o apelido repentino.
— Sim, os fãs chamam ela assim. — Explicou.
— Entendi. — Falei em tom baixo.
— Estou tão feliz!!! — Continuou, com a expressão animada abraçando a revista.
— MATSUDA! LARGA ESSA REVISTA E VENHA AQUI! — Ouvi meu pai gritar, fazendo o mais novo tremer e correr até ele.
Algumas horas depois Lawliet cruza a porta com os mesmos trajes desajeitados de sempre, ele vem em direção a minha mesa e me dá um simples "bom dia".
— Cadê o Near e o Mello? — Perguntei confuso.
— Eles estão no QG, esperando o resto do pessoal. — Explicou calmamente.
Era realmente incrível como ele não se sentia indignado por não participar do caso como detetive, isso me fazia questionar se talvez eu não estivesse fazendo uma tempestade por pouca coisa.
Ainda sim acreditava que não, decidi entrar especificamente nesta área para investigar, e tudo que tenho feito por meses é apenas ajudar os outros a resolverem seus casos, me sentia até um pouco injustiçado.
— Nós vamos ficar pelo menos a par do caso? — Perguntei.
— Seu pai não nos deixaria sem saber de nada. — Ele respondeu o óbvio.
Alguns minutos depois, ouvimos uma agitação seguida por pessoas gritando do lado de fora da delegacia, olhando pela janela era possível notar uma pequena aglomeração que crescia cada vez mais, isso não poderia estar acontecendo.
De repente, uma garota loira entrou correndo na delegacia parecendo assustada com a multidão, e alguns oficiais tentavam barrar as outras pessoas de entrarem atrás da mesma, não demorou muito para reconhecermos ela.
Eu olhava para toda situação com certo ódio, me lembro claramente de ouvir meu pai dizer que ela deveria ter cuidado, e que a mesma teria que entrar na delegacia sem alvoroço algum, visto que existia um assassino atrás dela.
Após a multidão ir embora, meu pai chamou eu e L para sua sala, finalmente eu teria explicações concretas sobre o que fazer e o que realmente estava acontecendo.
Entramos na sala e depois de fecharmos a porta, ele se sentou na cadeira parecendo um pouco cansado ou perturbado com tudo aquilo, eu me preocupava com a saúde dele e sabia que o estresse estava fluindo em grandes quantidades no seu corpo.
— Bom, eu sei que deveria ter falado com vocês antes, e peço desculpas por isso, mas faz um tempo que não aparecem casos assim. — Ele começou.
— A vítima se chama Misa Amane, ela é uma celebridade que atua no cinema, música e nas passarelas, entretanto, em uma noite os pais dela foram assassinados e o homem ainda tentou ir atrás dela mas por sorte ela conseguiu escapar, após a polícia ser acionada ela passou a ficar na casa de sua assessora, visto que a casa dela não era mais segura, mas ele descobriu o endereço e começou a chantagear ela através de mensagens em que o IP do celular dele, davam dava para outro lugar do mundo, ainda não sabemos a motivação do crime e muito menos sabemos quem ele é, Near e Mello estão na linha de frente da investigação no QG.
— Senhor Soichiro, quais são as medidas que devemos tomar quanto a ela? — Lawliet perguntou.
— Vocês irão sair daqui pelos fundos com um carro popular, com vidro blindado e fumê, dirigido por um de nossos oficiais, nós não sabemos onde ele está e há chances dele estar perto, portanto, não queremos correr o risco, vocês serão levados para uma cobertura de um hotel não muito longe do QG, quando chegarem lá vocês não poderão sair do quarto até segunda ordem. - Explicou, e logo em seguida ele tirou duas pistolas da gaveta e dois relógios.
— Estou entregando essas armas a vocês, junto desses relógios que basta apertar esse botão e ele avisará que vocês estão em perigo, contém um rastreador em cada um deles, então não tirem eles do pulso, gostaria de pedir a vocês que monitorem a Amane pois ela está com a cabeça bem cheia, e talvez o assassino faça chantagem pelo celular dela. Fiquem sempre em alerta.
— Certo. — Respondemos ao mesmo tempo.
— Eu sei que não é o trabalho de vocês, mas com toda essa bagunça repentina eu sequer ando pensando direito. Eu conto com vocês! — Meu pai concluiu.
Guardamos a arma, colocamos os relógios e saímos da sala, fomos em direção a recepção onde se encontrava Misa sentada no sofá com um copo de água na mão.
— Bom dia senhorita Amane, sou Light Yagami e eu vou ser responsável por sua segurança. — Me apresentei.
— Bom dia, eu também serei responsável por sua segurança durante a investigação, me chamo L Lawliet.
Depois das apresentações, nós saímos da delegacia pelos fundos assim como meu pai havia dito para fazer, toda aquela segurança me deixava um pouco nervoso, como se tudo pudesse falhar a qualquer momento.
A viagem toda Misa tagarelou, desde o primeiro momento em que ela entrou na delegacia eu sabia que ela traria problemas, já imaginava que ninguém teria avisado a ela que sair do quarto estava fora de questão, até as ordens do meu pai.
Assim que chegamos na cobertura, que era bem grande por sinal, a loira foi a primeira a ficar deslumbrada com o lugar, sem muita demora ela comunicou que iria tomar um banho e entrou no banheiro, notei que L estava no telefone e então segui o mesmo até a sala.
— Vamos ter que explicar para a senhorita Amane, que ela está proibida de ficar próxima da janela e que ela não pode sair do quarto de forma alguma, pelas primeiras vinte e quatro horas. — Lawliet disse, segurando o celular daquele jeito esquisito de sempre.
— É o tempo deles revistarem toda a área em volta do prédio. — Pensei alto.
— Do que vocês estão falando? — A loira apareceu, se sentando em um sofá, vestida apenas com um roupão branco.
— Senhorita Amane, você não poderá sair do quarto ou ficar perto das janelas até que o delegado diga que está tudo bem. — L explicou, trazendo uma expressão de raiva da garota.
— Por que não? Eu pensei que estaria segura aqui. — Retrucou com os braços cruzados, me perguntava se ela conseguia entender que estava em total perigo.
— Não será por muito tempo. — Falei tentando tranquilizá-la.
Por fim ela pareceu entender, mas continuava com a expressão amarga, me fazendo acreditar que a convivência seria difícil e estressante, a única coisa que estava esperando era que a investigação fosse curta.
Comecei a andar pelo lugar, e acabei notando que só havia dois quartos e então eu teria que dormir com Lawliet, minha raiva só aumentou ao saber disso.
Aproveitando que eu estava no quarto, tirei minhas roupas e fui tomar banho, notei que era a primeira vez naquele dia que eu me sentia tranquilo, a água quente percorrendo meu corpo me faziam relaxar chegando ao ponto de esquecer por alguns segundos a realidade.
Depois de um longo banho, retornei ao quarto procurando por algumas roupas na mala que havia sido entregada a pouco tempo, enquanto colocava minha camisa notei uma foto impressa de três crianças parecidas com L, jogada na pequena estante próxima a cama.
Em um lapso de curiosidade eu peguei a imagem, no verso dela estavam escritos, Winchester, Inglaterra mas outra informação me chamou a atenção, afiliação: Wammy's House.
— A curiosidade humana nos levou a muitos lugares, mas também acabou por trazer muitos erros. — Disse Lawliet, na porta do quarto olhando para mim com aquela imagem nas mãos.
Eu gostaria de fazer perguntas, mas olhando sua expressão que mesmo sendo mínima, denunciava o quanto ele estava desconfortável com a situação.
— Desculpe. — Pedi, entregando a foto para ele e saindo do quarto em seguida.
— Eu estou com fome. — Anunciou Misa, olhei pela janela de longe e já era perceptível que a noite havia caído, pelo interfone pedi comida e comuniquei à Misa, que logo o jantar chegaria.
Enquanto esperávamos, a Amane fazia questão de contar sobre sua vida e sua carreira, além de todo aquele falatório vindo dela ela ainda me olhava de uma forma estranha, sentia que o olhar dela me fuzilaria mesmo estando a quilômetros de distância.
Diferente de mim que estava de saco cheio, L ouvia as falas da garota atentamente e isso até me fazia lembrar do Matsuda, que se estivesse aqui com certeza faria o mesmo com muito gosto.
Logo a comida chegou e fomos para a mesa comer, Misa não comeu quase nada e afirmava estar de dieta, se despediu de nós dizendo que estava cansada, e foi para o quarto dormir.
— Não sabia que você era britânico. — Lancei, tentando saber um pouco mais sobre sua vida.
— Muita gente da delegacia não sabe. — Ele respondeu empilhando os bolinhos de arroz.
— Você morou lá por quanto tempo? — Perguntei com certo receio da resposta.
— Até os dez anos, depois vim para o Japão.
— Por que veio para cá? — Eu já não controlava minhas perguntas, eu sabia que elas sairiam fluidamente sem que eu percebesse.
— Watari me trouxe para cá, por causa da Wammy's House. — Ele continuou.
— O que seria essa Wammy's House? E aquelas crianças da foto?
— Isso me parece mais com um interrogatório. — Ele brincou, dando um leve e breve sorriso, enquanto minhas bochechas coravam.
— Watari adotou eu e meus irmãos assim que nossos pais morreram, ele notou que eu era mais inteligente que a maioria e acabou por me incentivar cada vez mais a isso, quando eu tinha cinco anos ele criou a Wammy's House, a princípio era uma instituição para crianças super dotadas assim como eu, e então com dez anos nós nos mudamos para Tóquio. À medida que fui crescendo, comecei a ajudar a polícia com alguns casos complexos e foi então que a instituição deixou de ser um lugar para crianças super dotadas, e se tornou uma afiliação para formar meus sucessores. — Ele explicou.
— Você ainda mora na Wammy's House? — Perguntei olhando atentamente para ele.
— Não, eu saí de lá faz três anos. — Ele disse com a cabeça apoiada em seu joelho.
— Então você tinha vinte e um. — Pensei alto.
— Por que você saiu? — Questionei, e ele fechou os olhos por um instante.
— Eu acho que já te contei mais que o suficiente. — Ele voltou a falar depois de alguns segundos.
Senti minhas bochechas arderem de novo, mas me levantei dando boa noite a ele e fui para o quarto, enquanto escovava os dentes eu já havia deduzido que o motivo dele ter saído da instituição era um acontecimento complicado, e sobre os irmãos dele que ele acabou não citando muito, talvez uma relação r**m entre eles, pensei.