Ciúmes

1540 Palavras
{P.O.V × Mihael "Mello" Keehl} Assim que entramos no QG, pudemos notar que o restante dos policiais não tinham chegado ainda, e a grande sala com computadores estava vazia, Near enrolava uma mecha do cabelo nos dedos indicador e médio, com a expressão pensativa. — Vocês chegaram cedo. — Uma voz chamou nossa atenção, passei a olhar para a direção da fala, e vi Matt sorrindo. — Matt! — Falei e o abracei, já tinha algum tempo que não o via. Após conversarmos brevemente, sobre o que cada um estava fazendo durante o tempo que não nos víamos, ele decidiu nos apresentar o prédio do QG, que era grande. Subimos e descemos escadas, andando para todos os lados do edifício, encontrando cada vez mais salas e quartos, porém, Matt acabou por apresentar nosso quarto no final de todo aquele tour. — Nós três vamos ficar nesse dormitório? — Perguntei, andando pelo local que mais parecia um quarto de hotel. — Não, eu vou ficar em um quarto separado. — Ele disse com as mãos no encosto da cadeira, brevemente ele saiu do quarto, dizendo que nos deixaria a sós para descansar. — É bem diferente do QG da SPK. — Quebrei o silêncio, me lembrando do lugar onde costumávamos trabalhar. — Sim. — Near respondeu, sentando no chão para começar a montar um quebra cabeça. O comportamento dele havia mudado da água para o vinho em minutos, mas sua expressão não mostrava se algo estava o incomodando, e na melhor das hipóteses seria apenas a investigação que estava mexendo com ele. — Eu vou ficar com Matt, tudo bem? — Perguntei, tentando arrancar alguma expressão que me dissesse algo. — Ok. — Ele respondeu, concentrado no quebra cabeça de peças brancas. Saí e fechei a porta do quarto, indo em direção ao dormitório de Matt que sem muita demora, eu encontrei e bati na porta, ele então abriu e me deixou entrar. — Ele é menor que o de vocês. — Disse ele, se referindo ao quarto. — É um quarto para uma pessoa só. — Falei, observando o lugar antes de sentar em uma das poltronas. — Como vão as coisas na Wammy's House? — Ele perguntou, jogando uma barra do meu chocolate preferido em minha direção, gentil como sempre. — Tudo como antes, não percebi nenhuma mudança desde que nós saímos. — Respondi. — L não está no caso? — Ele está, porém, ele irá fazer a segurança da vítima. — Mordi um pedaço do chocolate. — E Beyond? — Questionou, dando um gole na lata de refrigerante. — Saiu de casa há meses. — Falei. — Vocês falaram para Watari? — Se preocupou. — Near e eu decidimos não falar, ele manda mensagens de vez em quando, dizendo que está tudo bem. — Expliquei. — Será que ele ainda se sente m*l pelo que aconteceu naquele dia? — Talvez, não costumo falar sobre o assunto em casa por causa do Near. — Comentei. — O River ainda não sabe como lidar com isso. — Pensou alto. — Mesmo que eu diga que é errado ele querer fazer desse assunto um tabu, ele sempre diz que não se trata disso, e sim em como Beyond e Lawliet vão se sentir. — Já se passaram três anos, Lawliet e Beyond já superaram. — Afirmou, olhando para a lata em suas mãos. — De qualquer forma, Near ficou muito próximo dele pouco tempo antes do acontecido, provável que tenha criado algum afeto e eu acho que o assunto ainda fere ele, por isso evita o máximo que pode. — deduzi. — O River é muito fechado, guardar esse tipo de coisa não fará bem para ele, você é o único que pode ajudá-lo já que está tão próximo. — Aconselhou. No fundo eu sabia daquilo, e meu maior medo era que ele ficasse perturbado com isso, sempre prestei apoio a ele, mas Near era uma rocha bem rígida quando se tratava desse assunto. Algum tempo depois fomos chamados para falarmos com o delegado Soichiro Yagami, ele nos apresentou aos outros membros que fariam parte da investigação e nos explicou tudo o que havia acontecido. — Senhor Soichiro, ligue para L e diga que Misa não irá poder sair do quarto e nem ficar perto das janelas, antes das vinte e quatro horas. — Pediu Near, de costas olhando para o vazio de um dos televisores desligados. — Vinte e quatro horas? Vamos inspecionar a área então? — Matt perguntou mais para si do que para Near. — É uma escolha plausível. — Aizawa concordou. O delegado atendeu o pedido imediatamente, e logo que saiu do telefone, mencionou que Lawliet, Light e Misa já se encontravam dentro do hotel. — Não temos tempo a perder, preciso que vocês inspecionem a área agora. — Near pediu. — Agora?! — Matsuda falou surpreso. — Sim, se ele está perseguindo a Misa, não vai demorar para querer cercar o lugar. — Explicou. — A Amane está com o celular, não é? — Perguntei. — Sim, mas por… — Ela já foi chantageada uma vez, mesmo que ela tenha trocado de número, ele ainda pode encontrar e fazer isso de novo. — Cortei Matt. — Pedi para que L e Light observassem isso. — Soichiro disse. — Eu posso ajudar com isso. — Matt voluntariou-se, indo para um dos computadores e eu o segui para ver o que ele faria. — Eu posso monitorar o celular dela daqui mesmo. — Falou, teclando no computador, Matt era realmente muito habilidoso quando se tratava de computadores e tecnologias no geral. — Certo, Matsuda, Mogi, Ukita e Aizawa vocês podem ir averiguar a área. — Mandou Near. — E eu? — Soichiro perguntou, parecendo um pouco indignado. — Senhor Yagami, eu acho melhor você descansar por hoje, sei que o seu dia foi cheio. — Respondeu Near. O delegado aceitou e subiu as escadas, indo para um dos quartos que estavam no andar superior, o restante dos oficiais saíram para fazer a ronda, e nós três continuamos investigando e conduzindo o caso o mais rápido possível. Horas depois os meninos voltaram, alegando que não tinham encontrado nenhuma pista que o assassino estava por lá, e o celular da Misa também não tinha nada que nós pudéssemos usar. Sendo um pouco tarde, Near decidiu fechar as investigações por hoje e disse para que todos fossem descansar, já que o dia seguinte seria um pouco mais agitado. Todos subiram para os seus dormitórios, se despedindo com um "boa noite", as portas se fecharam e o silêncio se fez presente naquele prédio. — Matt é tão habilidoso. — Comentei, passando por Near que estava parado próximo a mesa de centro. Me sentei no sofá e então Near veio em minha direção, se colocando por cima de mim e me dando um beijo inesperado, que foi se intensificando e me fazendo ceder aos poucos. O beijo intenso e acelerado que ele nunca havia me dado, de certa forma me incomodava, ele então começou a passar as mãos pelo meu corpo, na tentativa de retirar minhas roupas. Segurei suas mãos me soltando do beijo, olhava para ele com os olhos arregalados e a respiração ofegante, tentando entender o motivo dele fazer algo tão repentino, sendo que todas as vezes quem começava era eu. Nunca tinha visto aquela expressão em Nate, mas notei que era a mesma que ele fez assim que me viu abraçado com Matt, mais cedo. Ainda segurando em seus pulsos, ele tentou me beijar novamente e em reflexo eu virei o rosto, ao notar minha recusa ele fez uma expressão irritada, e saiu de cima de mim. — Near, o que está acontecendo? — Perguntei, me lembrando que ele estava agindo de forma esquisita o dia todo, mesmo tendo quase certeza que se tratava de ciúmes. — Nada, é só que você e Matt são tão próximos, e eu não sei se isso significa… — Ele tentava dizer virado de costas com as mãos enterradas em seus cabelos, parecendo estar entrando em algum tipo de conflito interno. Confirmando minha suspeita, que tudo aquilo era por conta de ciúmes, acabei por achar fofo e até um pouco bobo vindo de Near, que não demonstrava muitos sentimentos pelos outros. Sem perceber acabei rindo de toda aquela situação, não sendo um riso de deboche, mas sim por achar tão amável a forma como ele lidava com os sentimentos que sentia por mim. Ouvindo meu riso baixo, ele se virou para mim, com os olhos baixos e a cabeça um pouco inclinada também para baixo, as bochechas rubras denunciavam sua vergonha e mostravam que ele já não estava fora de si. Me levantei e cheguei mais perto dele, coloquei seus braços em volta de minha cintura, o abracei e em seguida dei um beijo em sua testa, acariciando seu rosto ainda um pouco avermelhado. — Você não tem que se preocupar, ele não é uma ameaça a você. — Tranquilizei, o abraçando de novo e ele retribuiu o carinho me abraçando mais forte. Não sei por quanto tempo ficamos ali, mas não importava desde que fosse com ele, perder ele era o que eu nunca desejaria, apenas por saber o quão importante ele é.
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