Descoberta

2147 Palavras
{P.O.V × Light Yagami} A última coisa que ouvi depois de levar um soco de Lawliet foi a porta batendo com força, coloquei os dedos onde ele tinha me acertado vendo o sangue em seguida. — Light? Está tud… Aí meu Deus! A sua boca está sangrando. — Misa alertou, com a expressão surpresa. — Não foi nada, está tudo bem. — Assegurei, tentando acalmar a loira para que ela não fizesse escândalo. — Ah sim, claro que está. — Ironizou, indo até o banheiro e voltando com a caixa de primeiros socorros. Despejando um pouco do anti-séptico em uma gaze, ela passou a limpar o sangue do lábio inferior que estava cortado, o machucado ardia a cada toque com o tecido. — O que aconteceu? — Misa perguntou, voltando a mexer na caixa. — Não sei, L disse que eu não deveria me arriscar daquele jeito e então eu falei que ele não se importava com aquilo de verdade, então ele fez isso. — Expliquei, não entendendo a motivação dele. — Light! — Chamou indignada, com os braços cruzados. — O quê?! — Até eu teria feito o mesmo. — Falou, colocando mais uma vez a gaze no ferimento, recebendo um "aí!" Em reclamação. — Por que? — Questionei. — Ele passou a noite toda preocupado com você, na verdade ele parecia um pouco perturbado depois que você saiu, mesmo não precisando ele permaneceu na sala olhando as câmeras. — Misa explicou. — Eu não sabia. — Como não? Foi ele que falou para você se mexer depois de Ukita ter levado os tiros, ele tomou o microfone de Near de uma forma tão brusca. — Ela disse, fechando a caixa de primeiros socorros. — Eu não prestei atenção na voz. — Confessei, bufando em irritação. — O que você vai fazer agora? — A garota perguntou, jogando a gaze no lixo e guardando a caixa. — Você quer que eu peça desculpas? Eu fui a vítima, ok?! — Me recusei, franzindo as sobrancelhas. — Os dois estão errados, mas você é orgulhoso demais para admitir isso. — Observou, voltando até o sofá com os braços cruzados. — Não faz sentido eu pedir desculpas primeiro. — Argumentei. — Então, você realmente precisa massagear seu ego ficando por cima sempre? Não sabe ceder? — Ela parecia irritada. — Não é assim que funciona. — Falei baixo. — Sabe Light, você vai perder ele para o seu orgulho. — Finalizou, voltando para seu quarto. Bufei me sentindo péssimo, ela realmente precisava ter me dito aquilo? Passei a mão em meu rosto tentando afastar os pensamentos que provavelmente não me deixariam dormir, levantei do sofá indo até o banheiro para tomar um banho. Alguns longos minutos depois eu saí do banheiro, ao me secar coloquei roupas limpas e mais confortáveis, só então me lembrei que a câmera e a escuta continuavam presas ao terno. Peguei os aparelhos tentando descobrir como eu poderia desligá-los, procurando por algum botão que fizesse isso, girando os pequenos equipamentos em minhas mãos. De repente uma mão veio por trás de mim, apertando alguma parte bem escondido na câmera e na escuta, que fizeram um barulho agudo por alguns segundos indicando que estavam desligados. Me virei para trás vendo que se tratava de L, desviou o olhar assim que olhei para seu rosto, com as mãos nos bolsos e a postura curvada de sempre. — Obrigado. — Falei, colocando os aparelhos em cima da cômoda. Deitei na cama ficando por um tempo sem me mexer, com os olhos fechados na tentativa de dormir mas falhei, seria possível que eu não conseguisse dormir? Ainda com os olhos fechados ouvi Lawliet andar até o banheiro para escovar os dentes, em seguida ouvi ele remexendo no pote de remédios tomando o comprimido. Se deitou ao meu lado em total silêncio, por mais que todas as noites fossem silenciosas aquela em específico me incomodava, ao ponto de não me deixar dormir. — Light… — Lawliet… Falamos ao mesmo tempo, ficamos quietos esperando que um dos dois continuasse a fala. — Me desculpa pelo soco, eu não costumo agir assim, perdi a cabeça. — Pediu, e eu não pude ver seu rosto já que eu permanecia virado de costas para ele. — Tudo bem, desculpe pelo o que eu falei antes, não tive a intenção de te deixar m*l. — Senti um alívio repentino, e logo após isso minhas pálpebras pesaram se fechando devagar. {P.O.V × Nate River} A operação tinha sido um total desastre, eu sentia o peso de tudo que deu errado em minhas costas o que me fazia perder o apetite e o sono, já era de manhã e eu sequer tinha conseguido tomar um copo de água. — Nate, você precisa comer. — Mello disse, com a bandeja de café da manhã em mãos dentro do quarto. — Estou sem fome. — Repeti novamente, o que eu havia dito para ele há algumas horas atrás. Ele então deixou a bandeja de lado, me abraçando e colocando meu rosto na curvatura do seu pescoço, respirei fundo ao sentir o cheiro de sua pele perfumada. — Você está me preocupando. — Anunciou, passando as mãos pelos meus cabelos. — Desculpe. — Pedi, abraçando ele mais forte. — Eu só aceito suas desculpas se você comer alguma coisa. — Chantageou, e eu acabei por assentir com a cabeça. Acabei por pegar uma fatia de melancia, comendo a mesma forçadamente enquanto meu estômago parecia começar a embrulhar, depois de terminar Mello levou a bandeja até a cozinha e retornou ao quarto em pouco tempo. — A gente tem que descer. — Avisou, com uma expressão preocupada. Chegamos juntos à sala de investigações, os olhares de todos se voltaram para mim e Mello que permanecia ao meu lado, pegando disfarçadamente em minha mão, na tentativa de me acalmar. Sentamos nas cadeiras de sempre, e eu pensava no que eu deveria falar para os demais oficiais, aparentemente cansados pela madrugada cheia que tivemos. — Eu sinto em informar, mas Ukita faleceu. — Aizawa anunciou, e meu estômago se revirou com a notícia. — Mogi e Soichiro eram mais próximos dele, então acabaram por ir até o velório com a família. — Continuou ele, deixando todos em silêncio por um minuto. Eu não tinha o que dizer, com a cabeça tão cheia e pesada eu sequer notei a ausência do delegado e de Mogi, com aquele clima não dava para continuar. — Eu sinto muito pelo o que aconteceu, vou suspender as atividades da investigação por hoje. — Falei, me virando para o computador novamente. Ouvindo atrás de mim alguns passos se tornarem aos poucos distantes, encostei a testa no no teclado do computador sentindo a culpa recair sobre mim pesando totalmente meu corpo. — Não foi culpa sua. — Mello disse, como se pudesse ler meus pensamentos. — Eu poderia ter impedido. — Retruquei. — Nem sempre você vai conseguir estar no controle. — Argumentou, me fazendo olhar para ele. — Tem um homem morto por minha culpa, um inocente! — Alterei um pouco a voz. — Você não é perfeito, erros acontecem mesmo que você não queira, saiba se auto perdoar Nate. — Aconselhou, passando os dedos pelo meu rosto. — Eu não queria atrapalhar vocês, mas achei uma coisa. — Matt apareceu, indo em direção ao computador. {P.O.V × Light Yagami} — É impressão minha, ou Near não está nada bem? — Perguntei, assim que saímos do QG após Near suspender as atividades da investigação. — É complicado, ele provavelmente está se sentindo culpado. — Lawliet respondeu, com a voz calma. Depois de ter conseguido dormir na noite anterior, eu despertei no dia seguinte bem mais tarde do que o horário habitual, quando questionei o motivo de L não ter me acordado, ele disse que eu precisava descansar por ter passado a noite toda praticamente acordado. Agora eu tinha que arrumar meu horário ou então eu teria olheiras enormes, e convenhamos elas não combinam comigo. Depois do que eu disse para Lawliet, ele não tentou mais nada em relação aos toques e beijos, mesmo que eu tivesse pedido desculpas ele continuava agindo de uma forma anormal. Eu não tinha nenhuma coragem de perguntar o motivo dele estar se comportando daquela maneira, mas ele parecia mais pensativo do que antes e distraído também. Tão disperso ao ponto de quase atravessar a rua com o sinal aberto, se eu não o tivesse segurado nós provavelmente estaríamos no hospital, era muito estranho vê-lo tão aéreo. Meu pai junto com Mogi foram ao velório de Ukita que estava acontecendo nesse exato momento, Mogi o conhecia desde o colegial e eles eram bons amigos. Meu pai só o conheceu depois de se encontrarem para o treinamento policial, mas ainda sim mantinham uma boa amizade, mesmo Ukita não sendo completamente próximo do meu pai como Aizawa era. — Misa disse para levar café para ela. — Lawliet quebrou o silêncio, assim que entramos em uma cafeteria. — Você não acha um pouco tarde para tomar café? Nós deveríamos almoçar. — Falei, não obtendo resposta do mesmo — Você vai acabar engordando. — Continuei, e ele revirou os olhos. — Eu descobri que você não engorda se gastar calorias usando o cérebro. — Argumentou, e eu me perguntei se era alguma piada de m*l gosto, ou se era uma ofensa sutil. Pedimos o café da Amane e seguimos para o QG novamente, imaginava que eu teria que pedir comida quando chegasse. No entanto, quando retornamos eu não conseguia deixar de observar as movimentações e suas pequenas expressões, me perguntando se ele ainda estava bravo com o que eu disse. Minha intuição dizia que não era esse o real motivo, enquanto comia via ele olhar para o nada mas sabia que sua cabeça estava distante. Se pelo menos houvesse alguma forma de ver ou ouvir seus pensamentos, eu estaria satisfeito apenas por saber o que tanto ele pensava durante aquele período. Me vendo tão disperso, por um momento refletia se talvez ele estivesse pensando em mim, se sua mente era tão dominada pela minha imagem quanto a dele era na minha. Ele então entrou no nosso quarto, e eu o segui fechando a porta atrás de mim ao entrar no cômodo, percebendo minha presença ele me olhou nos olhos. — O quê você tem? — Perguntei, encostado na porta. — Nada. — Respondeu simples, com aquele costumeiro semblante apático. — Ainda está bravo pelo o que eu te disse ontem? — Interroguei, mesmo sabendo que a resposta seria "não". — Não, eu estou bem. — Coçou a nuca. — Você está agindo de forma esquisita o dia todo, eu sei que tem algo de errado. — Falei com convicção, me aproximando dele que estava sentado na beira da cama, e parando em sua frente. — Eu só estou com um mau pressentimento. — Contou, desviando seu olhar do meu. Não, não é só isso… Desconfiei. — E o que mais? — Por que você se importa? — Questionou. Eu não sabia responder aquela pergunta, a única coisa que eu sabia era que o silêncio dele me incomodava profundamente. Mas eu não poderia, não conseguiria admitir. Me virei de costas, passando as mãos pelo cabelo pensando em uma resposta adequada, porém acabei por falhar. — E também, estou me perguntando o motivo de em alguns momentos você parecer tão entregue, e logo depois você se fecha e muda completamente o comportamento. — Confessou, respondendo minha pergunta. Voltei a fitar seu rosto, me aproximando um pouco e sem que eu pudesse impedir ele me puxou para mais perto, fazendo seu corpo ficar entre meus braços. — Eu senti medo quando o tiroteio começou, pensei que eu pudesse te perder a qualquer momento. — Relatou, abaixando o olhar. — O-Obrigado por se preocupar comigo. — Agradeci. Tão frio, eu não queria agir assim, mas se eu pudesse me definir em uma única palavra naquele momento, seria receoso. Eu temia esse sentimento que estava aumentando dentro dele, temia o que também parecia crescer em mim, essas sensações e mudanças faziam com que eu me afastasse, em uma tentativa de não machucá-lo. Não pretendo e nem quero te causar sofrimento, não sei o motivo disso, não sei por qual razão eu me importo, apenas sinto que não me perdoaria se você se machucasse por minha causa. Pensei fitando seu rosto, pois era a única forma, com os olhos, que eu conseguia dizer a ele. Me afastei lentamente dele, checando o celular tentando disfarçar aquela situação, e então o celular dele avisou que uma notificação havia chegado. — Near está nos chamando. — Lawliet avisou, guardando o aparelho no bolso da calça larga que usava. — Certeza? Ele não mandou nada para mim. — Falei, olhando o celular novamente. — Ele sabe que estamos no mesmo dormitório. — Respondeu simples, indo até a porta.
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