Imprevisto

2575 Palavras
{P.O.V × L Lawliet} A mudança de comportamento do Light, depois que Misa descobriu o que estava rolando entre a gente, foi um pouco surpreendente, podia ser um pouco estranho, mas ele estava deixando de resistir, o que me fazia pensar que ele talvez estivesse cedendo aos seus sentimentos. Na tarde anterior depois que chegamos da doceria ficamos abraçados até o sol se pôr, talvez fosse o sono que sentia mas ele parecia tão calmo enquanto estava nos meus braços. Depois do jantar nós acabamos por ir dormir antes do horário de costume, pois teríamos que acordar cedo por conta da execução do plano para pegar Mikami. No momento eu me encontrava deitado na cama junto com Light, que dormia de forma profunda enquanto eu estava com uma certa dó de acordá-lo, visto que o mesmo havia passado a noite anterior sem dormir. Olhando para o seu rosto iluminado pela luz da janela, deslizei os dedos levemente por sua bochecha notando o quanto a pele dele era macia e bem cuidada, não tinha uma espinha sequer. Ele realmente deveria ser popular com as garotas quando ainda era estudante, me perguntava se já teria tido algum relacionamento durante o período que ficou na escola, ou se era um aluno recluso e quieto por ser inteligente demais para os outros grupos. — Light. — Tomei coragem para chamá-lo, mas não obtive resposta. Voltei a chamar ele recebendo alguns murmúrios como resposta, ele parecia tão cansado e sonolento que sequer abria os olhos. — Light. — Chamei uma última vez, e ele finalmente abriu os olhos de forma manhosa e lenta, piscando algumas vezes para se acostumar com a claridade. — O q-que foi? — Perguntou, passando a mão na franja que caía em seus olhos. — Já está na hora de acordar. — Respondi, com a voz um pouco rouca. Sem dizer nada ele se levantou da cama depois de se espreguiçar, indo para o banheiro e assim que ele sumiu do meu campo de visão, eu fiquei imaginando como seria se nós estivéssemos oficialmente juntos, na minha imaginação ele sempre parecia mais fofo do que ele verdadeiramente era. Alguns minutos depois eu me levantei da cama, arrumando os lençóis já que ele praticamente me obrigava a fazer aquilo, então Light entrou no quarto com uma toalha amarrada na cintura. Os cabelos estavam visivelmente úmidos e algumas gotas de água escorriam por sua pele, senti o calor subir com a cena que tirava toda a minha atenção dos lençóis. — Você faz algumas coisas, às vezes, que parecem ser propositais. — Comentei, e por sua expressão surpresa, ele parecia ter entendido o que eu quis dizer. — Seu pervertido. — Ele disse, com o rosto corado. Desisti de arrumar a cama e me sentei fitando ele pegar as roupas no armário, Light alternava o olhar entre as roupas e eu, enquanto meus olhos continuavam a observar seus movimentos. — O que foi dessa vez? — Disse impaciente, e eu lhe dei um sorriso malicioso quando ele fez menção de tirar a toalha. — Vira de costas. — Ordenou, e eu não obedeci. — O que é belo deve ser mostrado e apreciado. — Falei, me referindo ao corpo do mais novo, que mordeu o canto do lábio inferior e deu um pequeno sorriso no final, ele adorava um elogio. Tão caprichoso… Ele tirou a toalha deixando seu corpo todo à mostra, senti minha respiração pesar e a pele esquentar, analisava cuidadosamente cada pedacinho dele fazendo uma espécie de hipnose, me deixando com a mente fora de área. Ele então colocou a cueca preta que vestia perfeitamente em seu corpo, em seguida a calça e a camisa social branca desabotoada. — Você já teve namorada? — Perguntei, com os olhos completamente presos nele. — Que tipo de pergunta é essa? Claro que sim. — Pareceu um pouco indignado e pegou a gravata vermelha de sempre. — Que inveja dela. — Falei baixo, esperando que ele não ouvisse. Mesmo sabendo que ele havia escutado, contornei a cama até chegar atrás dele olhando em seus olhos através do espelho na nossa frente, ele parou por alguns segundos com a gravata pendurada envolta do pescoço e a gola da camisa levantada. — Minha cobiça não te incomoda, não é Light? — Fiquei mais perto dele, podendo sentir o cheiro do sabonete que exalava de seu corpo. — Não, e o fato de eu ser sua tentação te incomoda Lawliet? — Me provocou, fazendo com que eu lhe desse um pequeno sorriso. — Nem um pouco. — Respondi, com o tom de voz baixo, mordendo levemente sua orelha. Eu queria bem mais do que simples provocações ou palavras, mas pelas obrigações com a investigação de hoje ficaríamos apenas com isso, entrei no banheiro e só então notei minha ereção. De fato, era incrível como ele em tão pouco tempo conseguia me deixar e******o, tirei as roupas e entrei no chuveiro ligando o mesmo em seguida, e quando a água escorreu pelas minhas costas eu apoiei o antebraço na parede. Coloquei a mão em meu m****o começando com os movimentos de vai e vem, aliviando aos poucos a excitação e então automaticamente Light veio em minha mente. Se passavam vários momentos que tínhamos tido e alguns fantasiados por mim, me fazendo aumentar a velocidade dos movimentos enquanto eu prendia a respiração, na tentativa de não gemer. Em alguns minutos eu atingi meu ápice, liberando minha respiração em um longo suspiro, terminei o banho depois de mais algum tempo com o chuveiro ligado. Após eu ter me trocado nós descemos para a sala de investigações, todos pareciam bem ansiosos para a execução do plano, e o clima do ambiente estava nitidamente mais agradável do que os dos outros dias. — Temos pouco tempo para o preparo, então espero que prestem atenção na revisão do plano. — Near pediu, sentado na cadeira de sempre. — Vocês usarão um terno preto com os mesmo equipamentos que Matt usou no dia do sequestro de Kal Snydar, a operação é simples, vocês chegarão de carro e vão estacioná-lo próximo a entrada do local, assim que Mikami chegar junto com Dwithe vocês irão fazer a abordagem, se caso eles tentarem fugir lembrem-se que nosso principal alvo é Mikami, então se houver tentativa de fuga não hesite em atirar desde que seja da cintura para baixo, precisamos dele vivo. — Near continuou explicando. — O lugar não é um pouco aberto demais para fazer esse tipo de negociação? — Aizawa perguntou, se mostrando desconfiado. — Fomos informados que eles fazem isso de madrugada, próximo das quatro e meia da manhã, então Ukita e Light vão estar lá às três horas. — Matt respondeu. — Mogi e Matsuda, ficarão nas redondezas caso vocês precisem de ajuda, o restante ficará aqui. — Finalizou Near, e todos assentiram com a cabeça. Matt junto com os outros estavam configurando os equipamentos para que não houvesse qualquer erro, então o delegado se aproximou de Light e eu. — Bom dia. — Cumprimentou. — Bom dia. — Respondemos juntos. — Light, sua mãe quer ver você antes da operação, sugeri a ela que ficássemos até o fim da tarde em casa. — Contou, com o semblante calmo. — Tudo bem. — Light confirmou. — Eu acompanho vocês até a porta. — Me disponibilizei, caminhando com eles enquanto os mesmo se despediam dos demais colegas. Chegando a porta eles andaram até o carro do delegado, entrando e dando partida sumindo aos poucos do meu campo de visão. {P.O.V × Light Yagami} Havia um tempo desde a última vez que vi minha mãe e minha irmã, depois das investigações serem iniciadas eu tive tempo para voltar somente uma vez no jantar, um dia antes do incêndio. Pela janela do carro eu olhava os prédios e casas sendo passados para trás, me lembrando como a minha vida virou de cabeça para baixo em tão pouco tempo. Então as lembranças da manhã vieram à tona, me deixando um pouco inquieto e envergonhado pela provocação que fiz a Lawliet, em alguns momentos parecia que eu estava completamente fora de mim. Não agia de forma racional, era sempre um impulso involuntário que me trazia essas situações com ele, ou talvez fosse um desejo profundo de querer pertencer a ele e fazer com que o mesmo pertencesse a mim. Confesso que não gosto de pensar dessa forma, mas se o intuito disso é fazer com que eu descobrisse mais sobre eu mesmo, então acho que não havia qualquer problema. Era um fato inegável que eu gostava das provocações dele, da forma como ele me elogiava e cobiçava meu corpo, eu adorava ter os olhos dele presos em mim mesmo que eu sentisse um pouco de vergonha, e o orgulho me fizesse reclamar das observações vindas dele. Ainda sim seu corpo parecia com uma escultura grega, moldada pelas mãos de um grande escultor como Praxiteles. Tudo nele me parecia fascinante, como um imã eu era atraído pelo seu jeito, sua aparência, seus defeitos, seus mistérios e manias, mas ainda sim eu continuava sendo orgulhoso demais para admitir em voz alta. — Light, você está me ouvindo? — Meu pai chamou minha atenção, só então notei que ele já estava falando há algum tempo. — Ah, desculpe eu… — Tudo bem, eu só perguntei se você está nervoso com a operação de hoje, eu posso trocar você por outro oficial sem problemas. — Me cortou, com os olhos concentrados no trânsito. — Não, eu acho que vai ser bom para o meu currículo participar, e L também ajudou indicando para que Near me colocasse na operação. — Falei e ele deu um breve sorriso. — Sério? Sabe, L é um grande detetive e eu espero que você esteja aprendendo muito com ele, pois você não o terá para sempre sendo seu supervisor. — Observou. Meu pai estava certo, eu tinha aprendido bastante com Lawliet na delegacia enquanto eu o via resolver os casos, o poder de dedução dele e a forma como ele tinha sempre um ângulo diferente dos fatos, era muito eficaz nas investigações. Algum tempo depois nós chegamos em casa, descemos do carro e eu fitei por alguns segundos a fachada da casa, eu tinha boas lembranças daquele lugar e me sentia bem confortável dentro do lugar. Logo que entramos minha mãe nos recebeu parecendo estar muito feliz pela visita, Sayu correu e me abraçou forte assim que me viu. — O almoço está pronto. — Minha mãe anunciou. Todos nós nos sentamos à mesa para comer, a comida me trazia a breve sensação de nostalgia e talvez fosse a saudade mas o ambiente nunca esteve tão aconchegante e agradável. — É verdade que o Light vai participar de uma operação policial hoje? — Sayu perguntou, se mostrando animada e interessada. — Nem me fale disso, eu fico agoniada só de lembrar. — Minha mãe comentou. — Sim ele vai e está tudo bem, será algo simples. — Meu pai passou segurança. — Não vai acontecer nada, e isso será bom para o meu currículo. — Falei, dando um leve sorriso. Depois do almoço nós comemos uma sobremesa que minha mãe acabou fazendo, ao olhar o doce eu me lembrei de Lawliet que provavelmente comeria a travessa inteira com Sayu em poucos minutos. Andei pela casa para ver se algo estava diferente, mas tudo parecia estar em seu devido lugar então decidi subir até meu quarto, andando em passos leves na escada. Entrei no quarto notando que tudo permanecia da mesma forma que eu havia deixado, era perceptível que minha mãe limpava o quarto mas sempre deixando tudo em seu lugar, já que eu costumava reclamar quando mexiam nas minhas coisas. O sol se pondo denunciava o fim daquela tarde, e depois de ter olhado meu quarto eu decidi descer e ficar observando o céu, sentado em um banco que estava no jardim da frente. — Você parece um pouco diferente. — Minha mãe se aproximou, se sentando ao meu lado. — Diferente, como? — Questionei, olhando para as nuvens. — Não sei explicar, mas você parece estar mais feliz. — Observou. — Eu me sinto normal. — Obviamente era mentira, já que minha repentina mudança tinha nome: L Lawliet. — Eu fico contente que você esteja feliz, encontrar alguém para a vida faz bem. — Me senti um pouco agitado com o comentário preciso da mais velha, ela alisou minhas costas com a mão e eu a abracei de lado. Eu gostaria de poder contar tudo o que estava acontecendo para ela, mas como eu explicaria para uma mulher criada em uma família tradicional que, seu filho estava beijando e sentindo algumas sensações por outro homem. Sayu talvez entendesse por ser mais nova, mas meus pais e o restante da família com certeza não compreenderia, imaginava o escândalo que teria na família por conta disso. {P.O.V × L Lawliet} Estava perto do horário em que Light retornaria ao QG junto com o delegado, a inquietação vinda da minha parte se mostrava nítida por roer as unhas descontroladamente, em uma tentativa falha de me acalmar. Só consegui ficar calmo quando Light chegou, os equipamentos já estavam funcionando perfeitamente, e tudo parecia pronto para a operação. Já havíamos mandado uma mensagem para Mikami do celular de Snydar se passando pelo o mesmo, avisando que ele não poderia ir e recebendo um "ok" vindo de Mikami. Quando estava perto do horário deles saírem, os dois colocaram os ternos com a escuta e a câmera presas no mesmo, enquanto o ponto se encontrava no ouvido de ambos. Por mais que eu confiasse no potencial de Light, eu temia por sua vida ou qualquer outra coisa que pudesse acontecer a ele, desde o momento em que ele saiu do QG para ir até sua casa, eu não consegui me manter calmo. Ukita e Light saíram assim que as três horas bateram no relógio, sendo seguidos por Matsuda e Mogi em torno de meia hora depois, Matt, Near, Mello e eu acompanhavámos as câmeras dos dois enquanto o delegado e Aizawa observavam as câmeras de Matsuda e Mogi. Alguns longos minutos depois Ukita estacionou o carro escondido, desligaram o motor e permaneceram naquele silêncio que trazia suspense e tensão para o ambiente. Por algum motivo a viatura onde estavam Matsuda e Mogi passou em frente ao local da negociação, e pelas câmeras implantadas no carro foi possível ver Mikami e Dwithe saírem de um opala preto, observando atentamente a viatura. — O que eles estão fazendo? Isso não fazia parte do plano. — Mello reclamou. — Matsuda e Mogi, eu já expliquei que vocês não deveriam passar nesse local. — Near advertiu. — Desculpe, nós entramos nas ruas sem olhar. — Matsuda pediu. Com alguns minutos sem nenhum movimento vindo de Light e Ukita, comecei a achar estranho que eles permanecessem no mesmo lugar. — Light, eles já estão no local. — Near avisou. — Eles não passaram por nós. — Light anunciou. Eu certamente tinha um mau pressentimento naquele momento, o plano já tinha começado dando errado pelo fato de Mikami ter vindo mais cedo para Tóquio, sentia que a lei de Murphy faria seu trabalho. Ukita e Light saíram do carro indo para a entrada do lugar, com as armas em mãos não tendo a sorte de encontrar os alvos, abaixaram as pistolas procurando os criminosos. — Eles entraram por outro caminho! — Matt avisou rapidamente.
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