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2451 Palavras
{P.O.V × Light Yagami} A descoberta de Misa na noite anterior conseguiu me tirar o sono, mesmo sabendo que ela não contaria a ninguém sobre o que ela viu, eu não conseguia relaxar. Ainda perturbado eu levantei da cama vagarosamente, tentando fazer o menor barulho possível e caminhei em passos leves até a cozinha, para tomar um copo d'água. — Pensei que você estivesse dormindo. — Misa apareceu, com um pijama rosa com renda preta nas extremidades. — Eu estou sem sono. — Respondi, levando o copo até minha boca. — Se for por causa do que eu vi, eu não vou falar para ninguém. — Assegurou. — Eu sei. — Falei, deixando um silêncio no ar. — Você realmente gosta do L? — Perguntou, e eu fiquei sem resposta, deixando a pergunta dela em aberto por alguns segundos. — E-Eu não sei dizer, isso tudo é novo para mim. — Confessei, pensando que talvez ela pudesse me dar uma luz. — Não é errado tentar, você só precisa se descobrir. — Disse ela, e então voltou para seu quarto com uma fatia da torta que eu havia feito. Na verdade, eu sentia sim algo por ele e isso é um fato inegável, só não sabia se eu gostava desse sentimento que fazia eu ceder e me entregar para ele. O medo e o orgulho falava mais alto depois dos beijos, fazendo com que eu percebesse o quanto eu me sentia errado por aquilo, mas também me fazia desejar ficar nos braços dele para sempre, apenas porque eu não queria ter que lidar com a auto cobrança. Voltei até o quarto e deitei na cama ao lado de Lawliet que dormia feito uma criança, a luz da lua iluminava pela janela a cama onde estávamos deitados, sendo possível ver o rosto sereno dele, aproximei minha mão de seu rosto mas acabei por hesitar deixando ela parada no ar. "Não é errado tentar…" Lembrei das palavras de Misa, e então toquei em seu rosto de forma delicada acariciando sua bochecha, em seguida mexi em seus cabelos. É só um experimento. Pensei. A noite fria se foi, deixando os primeiros raios solares aparecerem clareando o céu aos poucos, e eu não tinha conseguido sequer cochilar, vendo a noite se tornar dia aos poucos pela janela. Esperei pacientemente o despertador do celular tocar, indo para o banheiro depois de tê-lo desligado, liguei o chuveiro na água fria trazendo um choque térmico para me deixar com menos sono. Quando retornei ao quarto, Lawliet já estava acordado, bocejando enquanto levantava da cama sem se preocupar em arrumar os lençóis, olhei com reprovação para o comportamento esperando que ele percebesse. — Eu vou arrumar depois do banho. — Ele disse, passando por mim. Após o café da manhã, todos nós descemos para ver como andavam as investigações, visto que Near tinha chamado todos na sala novamente para contar o que haviam descoberto. Olhando em minha volta todos pareciam bem descansados, e eu me sentia adinâmico pela noite que passei em claro, recheada de pensamentos e questionamentos. — Bom, eu vou deixar que Matt diga o que ele encontrou. — Near se pronunciou, e então Matt se levantou. — Kal Snydar é um homem que tem família, uma esposa e sua filha de apenas seis anos, a relação deles não parece ser muito próxima e até onde encontrei elas moram na França, ele faz vistas durante o ano em datas que ele está livre dos trabalhos com as drogas de Mikami, no entanto ele não faz trabalhos convencionais o que nos faz deduzir, que toda sua renda vem do tráfico, a família não sabe que ele mexe com isso e ele é cuidadoso com as mensagens trocadas com Mikami, acabando por apagar todo o histórico de mensagens não só com ele mas também com os outros. — Relatou. — Não tem nenhum contato suspeito? — Aizawa perguntou, se referindo ao assassino. — Não, apenas mais provas que ele continua envolvido no crime. — Matt respondeu. — O que devemos fazer agora? Ele não vai colaborar. — Matsuda falou, preocupando a todos. — Talvez. — Disse Mello, colocando os fones e trazendo as imagens de Kal para a tela. Ele continuava sentado na cadeira como no primeiro dia, mas parecia estar um pouco mais preocupado, perturbado e abatido com toda a situação, o cabelo longo estava bagunçado e suas olheiras denunciavam que ele não andava dormido direito. — Kal? — Mello disse, chamando a atenção do homem na sala, que olhou para frente. — Você pensou na minha proposta? — Prosseguiu, após não obter resposta vindo de Snydar. — Não quero! — Alterou a voz. — Sua esposa e sua filha ficariam tristes em saber que você está envolvido com o crime. — Debochou, enquanto Kal se mostrava surpreso e um tanto assustado. — Não tenho família. — Tentou mentir. — Tem sim, uma jovem esposa e uma garotinha de seis anos que moram na França. — Soltou as informações, e o corpo de Snydar estremeceu. — Cala a boca! — Ordenou, se mostrando irritado. — Acho que teremos que avisar para elas, que você não vai poder vê-las pelos próximos anos. — Mello disse, em tom ameaçador. — Tudo bem, eu ajudo, não diga nada a elas. — Cedeu. — Mogi e Ukita, vocês podem trazer ele aqui? — Near perguntou, e então os dois foram ao encontro de Kal. — Não é perigoso? — Matsuda indagou, preocupado. — Ele está algemado, não vai fazer nada. — Mello respondeu. Pela tela era possível ver Mogi e Ukita desprenderem o ex mafioso da cadeira, todos pareciam um pouco apreensivos e atentos a cada movimento do homem. Quando chegaram na sala junto com Kal ele se sentou no sofá, o silêncio se fez presente deixando livre para que alguém começasse uma conversa. Todos olhavam para ele minuciosamente como se não quisessem perder nenhum detalhe, o olhar dele alternava entre cada um de nós, talvez na espera ansiosa por algum movimento ou fala. — E então, podemos começar? — Mello quebrou o silêncio, tomando a frente. — Não vai me dar nem um copo d'água antes? — Perguntou, parecendo estar indignado. — Watari, traga um copo de água. — Near pediu, e em pouco tempo o senhor serviu Snydar. — E então…? — Mello prosseguiu, sentando em uma cadeira na frente do homem. — Sobre o que vocês querem saber? — Sobre Teru Mikami. — Mello respondeu, recebendo um suspiro vindo dele. — Nós nos conhecemos depois dele me prender após descobrir que eu fazia parte da máfia, eu realmente acreditava que seria meu fim pois se eu falasse algo eu seria morto pelos mafiosos e se caso eu não falasse, o FBI faria o trabalho. — Contou, mexendo o pé esquerdo de forma inquieta. — Como assim o FBI faria o trabalho? — Matsuda indagou, parecendo um tanto surpreso e indignado com a afirmação do homem. — Ele está falando das torturas que alguns presos recebem por saberem informações valiosas, principalmente sobre a máfia. — Matt respondeu. — Porém, para a minha sorte ele não estava atrás de mim para me prender, e sim de informações sobre as drogas que também eram envolvidas com as famílias da máfia, eu estranhei as perguntas sobre isso e então questionei o que ele realmente queria com aquelas informações. Ele me disse que estava querendo financiar o tráfico e ele me fez uma proposta, disse que trocaria meu nome escondendo minha real identidade para trabalharmos juntos. Eu aceitei desde que eu pudesse mandar minha esposa grávida na época para outro país, pois eu já sabia que elas estariam envolvidas nisso caso ficassem, chegamos em um acordo e começamos com o trabalho. — Explicou, parecendo lembrar de tudo que havia acabado de contar. — Como funciona o esquema do tráfico que Mikami financia? — Mello perguntou, quebrando um pedaço da barra de chocolate. — Mikami viaja todo mês para Tóquio, ele se encontra com o vendedor e depois de analisar a mercadoria faz o pagamento em dinheiro, Dwithe Gordon que revende as drogas e coloca o dinheiro na conta de Mikami, então ele transfere parte desse dinheiro para nos pagar. Eu me perguntava como ele conseguia entregar as informações tão facilmente, sem sequer temer o que poderia acontecer com ele se Mikami descobrisse. — E quanto a Thierry Morello, Mary Kenwood e Dwithe Gordon? — Near questionou. — Depois que eu disse para Mikami que Dwithe também era envolvido com o tráfico ele acabou por chamá-lo, e então Gordon falou sobre Aiber e Wedy que eram um estelionatário e uma ladra, eles acabaram por serem pegos da mesma forma que eu e foram convencidos a trabalhar para Mikami, eles ajudam ele com o desvio de dinheiro desde antes do FBI descobrir o envolvimento de Teru com as drogas. — Explicou, passando a mão por seu cabelo tirando o mesmo de seu rosto. — Eu entendo ele ter chamado Thierry e Dwithe, mas a Mary não faz sentido para mim. — Meu pai comentou. — Mary era uma ladra de jóias, furtava joalherias e era sempre cuidadosa, atuou dessa forma por muitos anos sem ser pega. — Disse Kal. — Ela não tinha nenhuma necessidade de roubar já que sua família é muito rica, porém ela sofre de cleptomania. — Completou Matt. — É uma quantia muito alta de dinheiro que Mikami coloca nisso, ele compra apenas drogas? — Lawliet se pronunciou pela primeira vez. — Não, tem as armas também que vão de uma simples pistola, até fuzis de alta precisão. — Falou Snydar. — Não tem ninguém suspeito negociando alguma coisa com Mikami? — Aizawa indagou. — Na verdade, tem um cara que estava atrás dele por algum motivo, chegamos a pensar que era alguém da polícia mas no final descobrimos que não. — Contou, e todos se agitaram ao perceber que ele podia estar falando do assassino dos pais da Amane. — Vocês não sabem quem é? — Matt interrogou. — Nós já perguntamos mas ele mantém segredo, ele pode ser qualquer comprador ou vendedor, enfim, não sabemos. — Negou, levantando as mãos com um gesto de 'não sei'. — Onde é feito o pagamento? — Mello questionou. — Perto da costa, onde ficam os navios cargueiros na única parte onde há um prédio abandonado, geralmente quem vai com Mikami até lá sou eu e Dwithe no mesmo dia em que ele chega, mas pelo jeito eu vou ficar dessa vez. — Respondeu, mexendo as algemas que fizeram barulho ao se chocarem. — Ótimo! Nós vamos agir daqui dois dias… — Dia vinte e três? — Kal interrompeu a fala de Near. — Algum problema? — Near perguntou. — Mikami está vindo para Tóquio no dia vinte e dois dessa vez, há um vendedor novo e eles marcaram para esse dia. — Soltou, trazendo a atenção de todos para si. — Tudo bem, o plano vai seguir da mesma forma. — Assentiu, olhando para mim e Ukita como se aguardasse uma confirmação, e eu apenas balancei a cabeça. Depois daquela reunião fomos dispensados para voltarmos às nossas atividade normais, então chamei Lawliet para tomar café em uma doceria próxima ao QG. Entramos no estabelecimento que tinha cheiro de açúcar e chocolate, as pequenas mesas brancas espalhadas pelo salão contrastavam com as paredes em um tom azul claro. Nos sentamos próximo a uma janela como de costume, já que Lawliet fazia questão de sempre ficar observando as pessoas, enquanto parecia pensar em outras coisas. — Sem geléia hoje? — Ele disse irônico, assim que sentamos à mesa. — Tem geléia aqui, mas não é o único doce que eles fazem. — Sorri, apoiando meu queixo em uma das minhas mãos. Acabei por pedir uma torta de maçã com café sem açúcar, Lawliet pediu uma taça de frutas sortidas com chá e um vidro de cobertura de chocolate. — Pensei que você fosse pedir bolo, tem alguns bem bonitos na vitrine. — Comentei. — Eu vi, mas Watari tem me pedido para comer mais frutas. — Explicou, parecendo um pouco contrariado. Em pouco tempo os nossos pedidos já estavam na mesa, cortei um pedaço da torta com o garfo adocicando minha boca com o açúcar da maçã, e logo em seguida tomei um pouco do café deixando o gosto amargo se espalhar em minha boca. Meu olhar foi até L que enchia a taça de frutas com a calda de chocolate, ficando satisfeito apenas quando já não havia quase nada dentro do recipiente. — Watari certamente reclamaria com você fazendo isso. — Afirmei, comendo mais um pedaço da torta. — Eu estou comendo frutas de qualquer forma, com um complemento. — Ele disse, colocando um morango encharcado por chocolate na boca. — Claro que sim. — Ironizei, sorrindo um pouco. Voltei meu olhar para a mesa notando que o braço dele estava em cima da mesma, sem perceber coloquei minha mão sobre a sua sentindo o arrepio causado pelo toque correr pelo meu corpo, tentei tirar logo que percebi o que eu havia feito, mas ele virou sua mão segurando a minha. — Você está preocupado? — Ele perguntou, mas minha mente estava concentrada apenas nas sensações e em como suas mãos eram suaves e frias. — O quê? — Com a prisão de Mikami, você que vai fazer, está preocupado? — Voltou a perguntar. — Sim eu acho, será um pouco em cima da hora. — Peguei a xícara com cuidado e levei ela até minha boca. — Você vai se sair bem. — Assegurou, colocando inúmeros cubos de açúcar dentro do chá. — Por que você gosta tanto de doces? — Questionei. — Não sei, é assim desde criança. — Tomou um pouco do chá. Durante todo momento que ficamos sentados no café nossas mãos permaneceram juntas, eu me sentia um pouco envergonhado e parte de mim pensava em retirar minha mão, mesmo assim não o fiz. {P.O.V × Nate River} A reunião tinha sido ótima, conseguimos as informações que precisávamos e até um aviso que Mikami estava vindo um dia antes para Tóquio, esse fato me preocupava já que teríamos menos tempo para o preparo. Depois da reunião o delegado sugeriu que deixássemos Kal preso na delegacia, como uma forma de segurança para todos que estavam no QG e todos aceitaram. Mello e eu subimos para o dormitório e neste momento eu esperava ele sair do banho com uma tesoura e um pente em mãos, sentado no chão. Pouco tempo depois ele apareceu com a toalha branca envolta do pescoço, com a expressão um pouco desanimada e contrariada, ele odiava cortar o cabelo e gostava menos ainda que outra pessoa tocasse neles.
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