Doce Vingança

1928 Palavras
{P.O.V × L Lawliet} Talvez tenha sido uma péssima ideia começar a testar a irritabilidade de Light, eu deveria imaginar que ele tem um espírito vingativo, e cedo ou tarde daria o troco. E apesar de ser oito horas da manhã, eu já me sentia completamente frustrado e indignado em como ele tinha começado a manhã, me dando uma torta de geléia. Mesmo adorando comer doces no geral, a geléia era o tipo de coisa que eu tinha um ódio genuíno, e naquela manhã Light decidiu fazer uma torta para mim e para Misa. Me impressionou o fato dele saber cozinhar, esperei ansiosamente pelo doce que cheirava bem ainda dentro do forno, mas quando a primeira fatia foi cortada eu percebi que o recheio era de geléia. Obviamente era proposital pois eu já havia contado para ele que odiava o doce, e nesse exato momento eu me encontrava sentado à mesa, fitando a torta que faltava dois grandes pedaços consumidos por Misa e Light. Me lembrei de Beyond, que adoraria devorar aquela torta por gostar tanto de geléia porém odiava os outros doces, acho que sempre fomos um pouco opostos um do outro. — Você não vai comer? — Light perguntou. — Não. — Por que? Eu fiz com tanto carinho, que desfeita. — Reclamou, mesmo não parecendo ofendido. — Eu odeio geléia, e eu já te disse isso. — Tentei me manter calmo. — Que paladar infantil. — Criticou, tirando a torta de cima da mesa e colocando a mesma na geladeira. A falta de açúcar pela manhã conseguiu me estressar, as frutas que comi depois da gracinha do Yagami não eram suficientes para saciar minhas vontades, e os cubos de açúcar tinham acabado. Voltei até o quarto para tomar um banho, me troquei e comecei a esperar Light para descer comigo até a sala das investigações, mas ele começou a demorar propositalmente. — Por que você demora tanto? — Questionei, olhando ele secar os cabelos com o secador ligado, apontando para os ouvidos, indicando que ele não conseguia me ouvir e então eu revirei os olhos. Alguns minutos depois o barulho do secador cessou e eu voltei ao quarto, vendo ele escolher no espelho qual das gravatas iria usar, sendo que as duas eram praticamente idênticas. — Elas são iguais. — Comentei, e ele olhou para mim com um sorriso debochado. — Elas parecem iguais, mas têm uma diferença mesmo que seja mínima. — Corrigiu, finalmente escolhendo uma. Eu pensava seriamente em bagunçar seus cabelos e amassar o terno perfeitamente passado, mas isso com certeza traria mais demora vindo dele e isso era o que eu menos precisava no momento. Descemos as escadas enquanto eu tentava me manter calmo, mesmo sentindo a abstinência dos doces consumir minha paciência aos poucos. — Você está bem? — Near perguntou, notando meu mau humor. — Sim. — Respondi com má vontade. — Light fez uma torta de geléia e ele ficou assim. — Misa falou de repente, deixando um leve sorriso nos lábios de Near. — Você não deveria ter feito isso. — Mello avisou, girando a cadeira para nos olhar enquanto mostrava um sorriso no rosto. — Por que? — Misa perguntou. — Digamos que ele fica com um péssimo humor se não comer a quantidade diária dele de doces. — Near explicou. Isso era um fato, a falta de açúcar realmente me aborrecia mas eu sentia que ele não deveria ter contado na frente de Light, pois eu tinha certeza que ele usaria isso contra mim mais tarde. — Eu fiz a torta com tanto carinho. —Dissimulou, deixando a expressão sarcástica enquanto olhava para Mello e Near, que sorriam achando graça. — Por que você não gosta de geléia L? — Misa voltou seu olhar a mim. — Por causa da competição entre ele e Beyond, eles misturaram todas as geléias que tinham em casa, e se desafiaram a comer. — Near contou. — Mas o L vomitou, desde então ele odeia qualquer sabor de geléia. — Completou Mello, soltando um riso ao se lembrar da cena, era incrível ver eles falando de mim como se eu nem estivesse presente. — Afinal, quem é Beyond? — Light perguntou, fazendo com que eu, Near e Mello nos olhássemos — Eu acho melhor que o L diga a você, no momento q-que ele achar melhor. — Mello disse, deixando a atmosfera um pouco tensa. — Vocês deveriam estar investigando. — Falei, um pouco rude. — Matt ainda não terminou de olhar as informações do celular de Kal, e ele não parece querer colaborar. — Near disse. No horário de almoço Light insistiu para que fôssemos a um restaurante próximo a sua casa, mesmo que sua expressão não mostrasse, eu tinha quase certeza que ele estava aprontando algo. Ele ganhou por insistência, fomos até o restaurante de dois andares que tinha uma bela fachada com grandes janelas, somente pelo exterior imaginava que o lugar era caro. Entramos no local, que tinha as paredes em madeira, as mesas pretas eram espalhadas pelo salão e as cadeiras tinham um estofado vermelho, a iluminação era amarelada e um pouco baixa, dando um tom até um pouco romântico, provavelmente um lugar onde casais costumavam ir. Nos sentamos em uma mesa próxima a uma janela, a garçonete deixou em cima da mesa dois cardápios dos quais pegamos e abrimos para olhar o menu. — Vai me pedir em casamento? — Brinquei, olhando para ele por cima do cardápio, vendo sua expressão se tornar surpresa e logo em seguida um sorriso desafiador surgiu em seu rosto. Tem algo errado. Pensei. — Eu gosto da comida desse lugar. — Comentou, apoiando o rosto em uma das mãos. Suspirei, imaginando o que teria naquele cardápio, voltei a olhar o menu notando apenas refeições comuns e nenhuma sobremesa, que não tivesse a presença de geléia, talvez tenha sido a primeira vez que vi tantos tipos na minha vida. — Eles são conhecidos pelos doces de geléia. — Colocou um sorriso em seu rosto, como se estivesse se divertindo. Eu queria matá-lo, eu definitivamente queria matá-lo, no final de tudo acabei por pedir um prato comum com carne e um copo de suco de morango. — Nós estamos com um molho novo agridoce, você gostaria de experimentar? — A garçonete simpática perguntou. — Sim. — Respondi simples e depois de Light fazer o seu pedido ela saiu. Eu olhava pela janela à nossa esquerda observando os carros e as pessoas que passavam, evitando olhar para ele pela irritação que eu sentia naquele momento. — Você tem que cuidar da sua alimentação. — Se pronunciou. — Não finja que se importa. — Falei irritado, ainda fitando a janela. — Aqui está senhor. — A moça colocou os pratos em cima da mesa, junto com as bebidas. Joguei o molho por toda a comida, dando a primeira garfada esperando adoçar minha boca, a comida não era r**m mas o doce do molho não era capaz de saciar minha vontade, e nem mesmo o suco fazia aquilo. Ainda sabendo que tudo aquilo era proposital eu não conseguia deixar de me aborrecer, mesmo que eu pudesse simplesmente me levantar e sair eu permaneci, não sabendo ao certo o motivo de continuar a dar atenção a ele. Logo que chegamos ao QG eu subi direto para o dormitório, esperando que o bolo de morango que eu havia pedido a Watari por mensagem já estivesse na mesa, e para a minha sorte ele estava. — Você ainda está bravo? Eu acho que exagerei. — Light entrou no quarto, e eu desconfiei de sua fala. — Eu não deveria me importar, é proposital. — Falei, mais para mim do que para ele. — Então, por que se importou? — Questionou. — Eu te pergunto o mesmo, já que também te irrito de propósito. — Confessei, olhando seu semblante ficar sério. — i****a. — Resmungou, desviando o olhar. — Infantil. — Dei um passo para frente, ficando mais perto. — Irritante. — Me olhou profundamente. Eu realmente não estava nos melhores dias para ser fofo com ele, peguei em seus pulsos e o coloquei contra a parede, deixando suas mãos na mesma altura de sua cabeça. Apesar do quarto estar um pouco escuro, eu conseguia ver o rubor em suas bochechas, me perguntava como eu poderia ter me apaixonado por ele. — Não começa! — Falou firme. — O que você disse? — Comecei a morder levemente seu pescoço fazendo ele arfar. — L-Lawliet... — Tentou falar, e eu adorei ter meu nome em seus lábios daquele jeito. Selei nossos lábios enquanto ele ainda tentava resistir, assim que ele cedeu retribuindo o beijo eu soltei seus pulsos colocando uma de minhas mãos em sua nuca, trazendo sua face para mais perto. Parei o beijo apenas para ver o rosto dele, com os olhos baixos e a boca entreaberta por sua respiração um pouco ofegante, voltei a beijá-lo mais intensamente enquanto suas mãos puxavam minha cintura para mais perto de seu corpo, eu adorava sentir ele me desejando daquela forma. Então fomos interrompidos por um grito agudo próximo a nós, soltamos um ao outro por reflexo ao ver Misa na porta do quarto com a expressão surpresa. Depois de alguns longos segundos em silêncio, a expressão da Amane se tornou maliciosa e ela se aproximou em passos curtos. — Eu não sabia que vocês namoravam. — Disse a loira, com um sorriso convencido no rosto. — A gente n-não namora. — Light rebateu, e seu rosto ficou mais vermelho. Fiquei aliviado ao perceber que ela não parecia se importar com aquilo, o que nós não precisávamos naquele momento era um escândalo daqueles no meio da investigação. — Ah, então é algo casual, que pervertidos. — Brincou, e eu dei um mínimo sorriso ao ver ela provocando o Yagami. — N-Não! — Eu estou brincando Light, não ligo de vocês estarem juntos, acho fofo na verdade. — Ela disse, deixando ele em silêncio por alguns segundos. Saí do quarto indo em direção a cozinha para me servir do bolo de morango, que me fez salivar assim que abri a caixa cor de rosa. Coloquei uma grande fatia em um prato e me sentei à mesa para comer, em seguida Light e Misa apareceram e se serviram um pedaço do bolo. — Vocês estão juntos a quanto tempo? — A Amane perguntou, parecendo interessada. — Na verdade, desde um pouco depois da investigação começar. — Coloquei um pedaço do bolo na boca. — Então, é um segredo? — Ah, sim. — Respondi simples. — Quem deu o primeiro beijo? — Perguntou, e Light se engasgou com a água que estava tomando. — Eu vou deixar que ele responda. — Falei, e Misa fitava o rosto do Yagami completamente vermelho. — Fui eu, mas eu estava bêbado. — Justificou. — Na segunda vez foi ele também, mas ele não estava bêbado. — Contei, sentindo o olhar de Light me fuzilar. — Que fofo! Ele está caidinho por você. — Comentou Misa, apoiando o rosto feliz em suas mãos, enquanto balançava as pernas embaixo da mesa. — Eu vou dormir. — Light disse, se levantando da cadeira. — Tudo bem, eu vou ficar aqui e contar mais para a Misa. — Provoquei, e ele fechou os olhos por alguns segundos suspirando. — Você vem comigo. — Me puxou pelo braço, abaixando a cabeça tentando esconder o rubor em seu rosto. — Não façam muito barulho meninos. — A Amane brincou, e eu sorri vendo o quão contrariado e envergonhado ele parecia estar.
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