Acintoso

2407 Palavras
{P.O.V × Light Yagami} Depois da interrupção de Near naquele dia, nós nos vestimos e descemos para ouvir sobre o plano e eu não me atentei aos detalhes, por estar com a cabeça nas nuvens. Só voltei a mim quando Near citou meu sobrenome, dizendo que eu participaria da apreensão de Mikami, obviamente me senti feliz, era a primeira vez que eu estaria fazendo esse tipo de trabalho. Porém, alguma coisa parecia não se encaixar, não fazia sentido ele me colocar para tomar a frente da prisão de um criminoso como Mikami, ele era o nosso principal alvo, cheguei a me perguntar se isso não teria nenhum dedo de L. — Near disse que eu vou participar da prisão de Mikami. — Comentei, apenas para ver a resposta de Lawliet. Nós estávamos em um restaurante, no horário de almoço que parecia ter sentido apenas para mim, já que o prato de L consistia em uma grande fatia de bolo e uma xícara de chá. — Eu não sei se você notou, mas eu estava na sala também. — Falou sarcástico. Me irritei e voltei a comer mais rápido dessa vez, resultando em um engasgo que me fez tossir e todos em volta olharem para mim no mesmo instante. — Que deselegante Light. — Lawliet repreendeu, virando o rosto para a janela à nossa esquerda, se sentando naquela posição esquisita. Realmente era eu que estava sendo deselegante? Me perguntei. Tinha que ser para me irritar, era proposital obviamente, mas ainda sim eu conseguia me aborrecer com os comentários sarcásticos que ele tinha o costume de fazer. Percebendo que ele não tirava os olhos da janela comecei a olhar para o mesmo lugar, onde havia um casal que se beijavam apaixonadamente em um banco da praça, que ficava de frente para o restaurante. De repente minha mente puxou a lembrança do beijo na quadra, senti meu rosto esquentar e as cenas das outras vezes insistiam em passar, me deixando um pouco nervoso. Até que as imagens da noite anterior se fizeram presentes, deixando seu corpo estampado em minha memória, eu sequer tinha pensado o quão longe nós tínhamos ido. Quase… Com o rosto quente e provavelmente vermelho, eu tentei disfarçar tomando um gole do suco mas por azar ou nervosismo, eu acabei por derrubar um pouco na camisa, manchando a mesma. Fitei Lawliet que estava com um mínimo sorriso em seu rosto, desviou o olhar no mesmo momento em que nossos olhos se encontraram, como se quisesse disfarçar o deboche em seu semblante. — Qual a graça? — Perguntei, sentindo a irritação subir. — Está se lembrando de que, Light? — Voltou a olhar para mim, como se soubesse o que se passava na minha mente. Por vezes ele fazia isso, realmente parecia que ele conseguia entrar na minha cabeça e saber exatamente o que eu pensava, como um parasita. Um belo parasita, por sinal. Pensei, assim que vi a luz do sol refletindo nele imaginando que aquilo daria uma bela foto. — Nada. — Respondi, passando o guardanapo na mancha roxa. — Para de esfregar isso, não vai adiantar. — Lawliet disse, se esticando e pegando o papel da minha mão, me fazendo corar assim que nossos dedos se encostaram, causando uma espécie de choque no meu corpo. Ao notar seu feito ele sorriu, ele não só parecia gostar de me ver sem jeito mas também se divertia com aquilo, e todas as vezes sorria com os resultados causados em mim. Hoje não é meu dia. Pensei. — Não é estranho que Near tenha me chamado para fazer a prisão de Mikami? — Mudei de assunto, tentando não pensar muito nele. — Por que seria? — Questionou, terminando de comer o bolo. — Não tenho experiência alguma com isso. — Justifiquei. — Você fez o treinamento. Então está tudo bem. — Terminou de tomar o restante do chá, que estava em sua xícara. Não, tem alguma coisa que não se encaixa. Contestei. — Você não tem nada a ver com isso? — Perguntei intrigado, recebendo um suspiro vindo dele. — Apesar de tudo, eu continuo sendo seu superior e então fiz uma indicação ao Near. — Confessou. — Eu não acredito! — Alterei um pouco a voz, eu queria ser escolhido por vontade própria da outra pessoa e não por alguma indicação, eu definitivamente não precisava de caridade. — Não seja tão ingrato, será bom para o seu portfólio. — Repreendeu, parecendo estar irritado. — Não é ingratidão, mas você poderia ter falado comigo antes. — Abaixei o tom de voz. — E você aceitaria? — Perguntou retoricamente, mas mesmo assim decidi responder. — Sim. — Mentiroso. — Ele revirou os olhos, deixando seu semblante sério. Eu odiava ouvir ele me chamando assim, não era como se eu realmente não mentisse às vezes, é normal e em alguns momentos nós precisamos mentir, mas era como se ele nunca tivesse feito isso e me julgasse por essa ação. Depois que eu terminei de comer nós voltamos para o QG, durante todo o caminho ele ficou preso no mundo da lua, e sequer parecia notar que eu estava o observando há alguns minutos. Chegando ao dormitório percebi que Misa não estava, havia apenas um bilhete em cima da mesa deixado por ela, que dizia que ela estava no shopping com Matsuda. Peguei o papel vendo o quanto a caligrafia da Amane era bonita, mas soltei o papel rapidamente lembrando da mancha que estava em minha camisa, e entrei no quarto logo em seguida. Joguei o paletó em cima da cama, afrouxando a gravata e desabotoando a camisa social branca, manchada pelo suco, retirei e olhei para a marca pensando em como eu deveria removê-la. — Você tem um corpo bonito. — Lawliet elogiou, me observando da porta. — Eu sei. — Sorri, me virando de costas para ele. — Narcisista. — Citou, e eu senti a presença dele atrás de mim, deixando meu corpo completamente arrepiado. — Indecente. — Rebati, e em provocação ele aproximou sua boca até meu pescoço, ficando a um centímetro de distância do mesmo. — Você gosta. — Afirmou, tocando meu pescoço com seus lábios. — Mentira. — Tentei me manter firme. — Não foi bem isso, que a última vez me fez perceber. — Falou baixo, próximo ao meu ouvido dando uma leve mordida nele, e em reflexo fechei os olhos. — Você se lembra? — Perguntou, passando as mãos pelo meu corpo, me fazendo lembrar das cenas. — E-eu tenho que lavar essa camisa. — Tentei mudar de assunto. — Watari pode fazer isso. — Então, eu deveria levar para ele, não é? — Falei rápido, tentando sair de perto, mas ele me prendeu na parede com uma de suas mãos, me fazendo ficar de frente para ele. — Desse jeito? — Perguntou, apontando para o volume em minha calça, corei no mesmo segundo denunciando minha vergonha. — Eu posso te ajudar com isso. — Me olhou com luxúria, e então começou a tocar em meu m****o rígido por cima da calça. Eu estava quente e a razão conflitava com a emoção, me deixando dividido entre fazê-lo parar ou deixá-lo continuar me tocando, eu realmente me sentia entre a cruz e a espada. Mas como das outras vezes, a emoção ganhou me fazendo ceder aos toques de Lawliet e assim que ele percebeu minha entrega tornou a me beijar intensamente. Vagarosamente fomos indo até a cama, onde me sentei com as costas encostadas na cabeceira e ele se posicionou ao meu lado, voltando a me beijar enquanto abria com facilidade o zíper da minha calça. Sem muita demora ele tirou meu m****o para fora da cueca, deixando o mesmo à mostra descendo sua boca pelo meu pescoço até chegar ao meu mamilo esquerdo, onde ele fez movimentos circulares com a língua, me deixando mais e******o. A mão dele começou a se mover devagar para frente e para trás, aliviando minha excitação aos poucos enquanto eu tentava segurar ao máximo meus gemidos. Eu sentia que estava completamente errôneo, mas naquele momento eu pensava: se fazer aquilo era errado, eu jamais gostaria de estar certo. Sua mão aumentava gradativamente os movimentos de vai e vem, me fazendo delirar e desejar que ele me tocasse cada vez mais, porém uma coisa eu tinha que admitir, ele era habilidoso com as mãos. Chegando próximo ao meu ápice coloquei minha mão sobre a sua, indicando que eu queria que ele fosse mais rápido, entendendo o recado ele o fez voltando a me beijar em seguida. Entre meus curtos gemidos que eram abafados pelos beijos de Lawliet, eu cheguei ao clímax me desmanchando em suas mãos, com a respiração um pouco pesada. Ele cessou nosso beijo assim que sentiu meu líquido escorrer pelos seus dedos, e talvez por reflexo ou por ainda estar fora de mim eu o puxei para mais perto, aproximando nossos rostos. — Eu posso continuar se você quiser. — Disse baixo, e eu balancei a cabeça como se eu recuperasse a consciência. Sem obter uma resposta, ele me deu um último beijo e foi em direção ao banheiro para lavar as mãos, me deixando sozinho no quarto com as lembranças. Era incrível e ao mesmo tempo assustador como em poucos toques ele conseguia me deixar daquele jeito, me levando para a cama com alguns sussurros e simples beijos. Tão fácil... Por mais que eu soubesse que eu deveria parar e que relacionamentos amorosos no trabalho eram completamente antiéticos, parte de mim apenas me dizia para continuar e ignorar a moral. — Você deveria tomar um banho antes de ver Watari. — Lawliet apareceu de repente. Não era como se eu não soubesse disso, franzi a sobrancelhas e me direcionei até o banheiro trancando a porta, e dando um breve suspiro, me perguntando o motivo pelo qual ele parecia gostar tanto de me irritar. Liguei o chuveiro sentindo a água morna escorrer pelo meu corpo, então notei alguns fios de um cabelo escuro presos no box e automaticamente me lembrei de L, eu já tinha dito para ele milhares de vezes para tirar os cabelos que ficavam ali e mesmo assim ele parecia não me ouvir. De repente me recordei da vez em que passei as mãos por seus cabelos, eram tão macios quanto sua pele lisa, que eu poderia comparar com algum tecido de seda. Alguns minutos depois eu saí do banheiro, fitando Lawliet que estava deitado na cama imerso em seus próprios pensamentos, e acabei por me perguntar se ele pensava em mim com a mesma frequência que eu pensava nele. Desviando o olhar eu notei algumas roupas jogadas em um canto no chão, seria possível alguém tão inteligente ser tão bagunceiro? Vindo dele era de se esperar, pela forma como se comportava em público. — Você é muito bagunceiro. — Critiquei, pegando algumas roupas do chão, e entre elas achei as roupas que Misa havia comprado no dia do shopping. A cena das meninas comentando e olhando para ele no shopping voltou a minha mente, fazendo o ciúme subir novamente e então a cena foi cortada para as imagens do que aconteceu depois que chegamos no quarto. Em meio aquele ciúmes eu sequer notei que tinha sido um pouco possessivo com ele, não era como se ele tivesse que se moldar a mim apenas para me agradar, eu não mandava nele de qualquer forma. — S-sobre as roupas que a Misa comprou, elas ficaram boas em você, não precisa deixar de usá-las. — Falei, sentindo o olhar dele mirar em mim. — Eu não me importo, de qualquer forma eu não usaria elas por serem apertadas demais. — Explicou. — Mesmo assim é um presente, você deveria ter mais cuidado. — Coloquei as roupas em um cesto. — Eu acho que Misa sabe que eu não usaria de qualquer forma. — Não é isso que eu quis dizer, você deveria guardar pelo menos e não deixar jogado por aí. — Esclareci, tentando me manter calmo. O jeito que ele era rude as vezes me aborrecia, peguei o cesto com as roupas e fui em direção a porta do quarto. — Light. — Chamou, e eu parei em frente a porta. — O quê? — Não está esquecendo de nada? — Perguntou e eu me virei para olhá-lo, ele segurava a camisa manchada. — Presta mais atenção. — Atirou a camisa no cesto, o comentário era proposital como se estivesse me testando, então por que eu me sentia tão irritado? Chegando próximo a lavanderia onde Watari se encontrava, bati na porta e entrei sem esperar uma permissão trazendo o olhar do mais velho até mim. — Eu trouxe algumas roupas, e uma camisa manchada de suco. — Falei, entrando no lugar. — Ah sim, obrigado, a camisa é sua? — Perguntou pegando a mesma. — Na verdade, sim. — Confirmei, deixando o cesto em cima de uma pequena mesa. — Pensei que era de L, ele costumava derrubar chá na blusa quando era pequeno, por isso acabei aprendendo uma forma rápida de resolver. — Mencionou, se virando de costas colocando a camisa no tanque e jogando algum líquido. — Sabe, Lawliet nunca foi de ter muitos amigos, durante a infância ele sempre buscou coisas que desafiam sua mente acabava por afastar as outras crianças, mas agora olhe para ele, conseguiu um amigo e isso me deixa muito feliz. — Contou, como se lembrasse desses momentos nitidamente, as doces memórias de um bom senhor. Sorri amigavelmente com o curto relato e me despedi de Watari, deixando ele sozinho na lavanderia junto com as roupas. No entanto, amizade não era bem o que havia entre nós se colocássemos as coisas que estavam acontecendo ultimamente, mas se fosse antes dessa investigação eu certamente diria que não éramos amigos, com o trabalho sendo a única relação entre nós. Mas agora eu me perguntava: Que tipo de relação nós tínhamos? Pensando sobre as irritações propositais dele eu não odiava, claramente eu não gostava quando ele me aborrecia, mas ainda sim eu não conseguia odiar completamente. Parei de andar pelo corredor ao notar a janela que mostrava o pôr-do-sol, misturando os tons de laranja, rosa e azul. Eu gostaria de saber mais sobre ele e sua vida, mas sempre evitava perguntar já que tudo não só sobre Lawliet, mas também sobre Near, Mello e Matt parecia melancólico, como se guardassem a sete chaves seus segredos dispostos a morrer junto com eles.
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