Plano

2751 Palavras
{P.O.V × Mihael Keehl} Depois da chamada repentina de Near para a explicação do plano, em pouco tempo todos estavam na sala parecendo ansiosos. Near estava sentado no chão, como costumava fazer na SPK antes de explicar sua estratégia, empilhando os dados formando uma espécie de cidade com eles. Olhando em volta notei que Light parecia um tanto perturbado e distraído, diferente de Lawliet que observava atentamente a construção e os movimentos de Nate. — Peço desculpas, por tirar os senhores de seu descanso. — Pediu, ainda fitando os dados. — Tudo bem, nós estamos aqui para trabalhar de qualquer forma. — Ukita disse, de forma gentil. — Certo, o plano é o seguinte: Em primeiro lugar vamos precisar saber onde Mikami irá fazer o pagamento e para isso nós vamos sequestrar Kal Snydar, ele será a peça principal para conseguirmos o endereço, pedi para Matt localizar ele, depois que ele colaborar com a investigaç… — O que te faz pensar que ele nos ajudaria? — O delegado questionou. — De todos, Kal é o elo mais fraco entre eles, foi preso uma vez por se envolver com uma quadrilha e quando foi pego para o interrogatório ele entregou o jogo, usando um outro nome falso acabou sendo solto por Mikami, que pagou sua fiança. — Matt esclareceu a dúvida de Soichiro. — Como eu ia dizendo, assim que ele colaborar com a investigação e nos passar as informações do lugar e do horário, nós vamos agir. Será uma operação simples, vou precisar apenas de dois agentes para conseguirmos capturar Mikami, logo que trouxemos ele para o QG vamos interrogá-lo sobre o assassino dos pais da Amane. — Completou Near, empilhando mais um dos dados que estavam espalhados pelo chão. — Quem vai fazer o sequestro de Kal? — Matsuda perguntou. — Eu. — Matt disse, levantando um pouco o braço direito e todos o olharam. Me preocupei no mesmo instante, eu não queria que Matt participasse disso, ele se saía melhor aqui dentro era perigoso demais. — Matt deveria ficar. — Falei com um certo desespero na voz. — Eu fui contratado para fazer serviços externos. — Ele disse, com aquele mesmo olhar que me acalmava em momentos conflitantes. — E se Kal Snydar não colaborar? — Aizawa indagou. — Vamos ter o celular dele, provável que seja o suficiente para conseguirmos as informações necessárias. — Lawliet se pronunciou. — No dia do pagamento, Light e Ukita vão prender Mikami e trazê-lo para o QG. — Near explicou, trazendo o olhar um pouco surpreso do Yagami para si. — E quanto ao vendedor? — Light questionou. — Vocês vão chegar antes do horário marcado, pegando ele na porta. — Ele disse, levantando um pouco o olhar para ver todos. — Near, eu trouxe o que você pediu. — Watari apareceu de repente. Matt se levantou e só então notei que ele não usava suas roupas comuns e sim um terno preto, se aproximou de Watari ficando na frente de todos, que olhavam com certa curiosidade a cena. — Obrigado, Watari. — Near agradeceu, se levantando e pegando uma caixinha preta das mãos do mais velho. Watari saiu assim que entregou a caixa, Nate por sua vez abriu o receptáculo mostrando três pequenos objetos que mais pareciam algum enfeite, colocou um deles no ouvido de Matt, e os outros foram presos ao terno do mesmo. — Matt levará pendurado em seu terno uma micro câmera espiã junto de uma escuta, e um ponto no ouvido para nos ouvir, todos esses equipamentos vão nos ajudar a ver e ouvir o que está acontecendo, enquanto ele estiver na missão. — Near explicou. — Mello, conecte os aparelhos no computador. — Pediu e eu me aproximei da mesa, com poucos cliques eu consegui jogar a imagem na tela. — Que incrível! — Exclamou Matsuda, admirado com a tecnologia e recebendo um olhar de 'se controla' do delegado. — Vamos começar. — Near disse, e sua voz ecoou pelo computador por conta da escuta que Matt usava. Algum tempo depois Matt já estava pronto para partir, na frente do portão do edifício ele arrumava a arma que estava em sua cintura, enquanto minha preocupação me deixava inquieto. — Eu vou ficar bem. — Ele disse, como se adivinhasse meus pensamentos. — Eu deveria ir, pode ser perigoso. — Falei. — Não quero que você corra riscos de novo. — Colocou sua mão em minha cicatriz, me lembrando do acidente. — Eu também não quero que você corra riscos. — Rebati. — Eles estarão me observando, você não precisa se preocupar. — Tranquilizou, entrando em um carro preto e partindo. Entrei na sala de investigações novamente, todos estavam em silêncio observando atentamente as imagens da câmera de Matt, que mostravam ele dentro do carro. Decidi ir até a cozinha para pegar uma barra de chocolate, na tentativa de acalmar um pouco a minha inquietação. — Será um processo simples. — Ouvi a voz de Near atrás de mim. — Ainda sim me preocupa. — Peguei a barra no armário. — Não é a primeira vez dele fazendo isso. — Informou, e nós voltamos para a sala. Sentei na cadeira de sempre vendo que ele já tinha chegado ao local, pois o policial que estava dirigindo estacionou o carro em um lugar escondido, ele saiu do carro e entrou em um bar um pouco deteriorado se sentando no balcão. Logo que ele entrou a imagem de Kal Snydar foi notável no fundo do bar, minha respiração pesou ao ver o homem que poderia fazer m*l a Matt. — Ele está à sua esquerda no final do bar. — Nate falou, apertando a tecla que dava para o ponto de Matt. — Entendido. — Ele confirmou. Depois de alguns minutos agoniantes e sem ter qualquer movimento na tela, ouvimos um barulho de uma porta batendo e então Matt se levantou em seguida, deixando algum dinheiro no balcão para pagar o drink que havia pedido. Em passos cautelosos, ele começou a seguir Kal que depois de algum tempo percebeu que estava sendo perseguido, e passou a andar um pouco mais rápido. Na tentativa de despistar, ele começou a correr e entrar nos becos da cidade enquanto Matt também corria na intenção de alcançar o alvo, meu coração acelerava gradativamente em certo desespero. Então sendo mais rápido, Snydar entrou em beco sumindo da vista de Matt que continuava com a perseguição, virando em algumas ruas estreitas ele acabara por ser surpreendido. A expressão apreensiva de todos na sala, vidrados na tela sem sequer piscar e atentos a cada movimentação, fazia com que eu prendesse minha respiração e a deixasse cada vez mais tensa, sentia que a qualquer momento eu poderia desmaiar. Não era possível ver perfeitamente a cena, mas parecia que eles tinham entrado em uma luta corporal ao julgar pelos barulhos contínuos, então o meu medo se materializou na minha frente assim que Matt conseguiu se soltar. — Seu filho da p**a, Fique longe! — Ouvimos Snydar ordenar. Uma arma, uma maldita arma era o que Kal apontava para ele naquele instante, estando perto o suficiente para fazer um grande estrago em seu corpo, a única coisa que estava na minha mente eram minhas súplicas, pedindo a ele que tomasse cuidado. — Matt, você está consideravelmente perto, se for rápido consegue tirar a arma das mãos dele. — Near disse, e eu o olhei com indignação pela observação perigosa. Em um movimento rápido Matt tirou a arma das mãos de Kal, o imobilizando em seguida e colocando um pano com sonífero em seu nariz, fazendo ele adormecer. Soltei a respiração em alívio ao perceber que nada de r**m tinha acontecido, Nate então apertou um botão que dava sinal para que o policial que estava no carro, pudesse ir até o local onde Matt se encontrava. Eles levaram o corpo desacordado de Kal até o porta malas, entrando no carro em seguida e dando partida para o QG, com sorte ele não iria acordar no meio da viagem. Pouco tempo depois, eles chegaram levando o carro até o estacionamento subterrâneo do prédio, colocando Snydar em uma sala isolada que continham câmeras e um alto falante. Deixaram ele sentado em uma cadeira com as mãos e pernas algemadas para que ele não pudesse fugir, tiraram os pertences dele dos bolsos que eram apenas um canivete, seu celular e um maço de cigarros. Matt subiu para o andar onde estávamos e entrou na sala, não parecia ter sofrido qualquer tipo de arranhão e isso me trazia uma sensação de grande conforto. — Você se machucou? — Near perguntou, girando a cadeira para vê-lo. — Na verdade não, ele estava um pouco bêbado e sem muita força. — Matt falou, entregando os pertences de Kal para Near. — O celular fica por sua conta, ok? — Nate comunicou, passando o celular para Matt que assentiu e foi direto para o computador que ele usava. Teclando algumas vezes as imagens de algumas telas foram trocadas para as da sala isolada no andar de baixo, mostrando o cúmplice de Mikami que estava acordando aos poucos. Sem que eu percebesse, Near colocou os fones em meus ouvidos indicando que eu deveria tomar a frente daquela situação, olhei um pouco surpreso e assustado com aquilo mas ele assentiu com a cabeça, como se quisesse me tranquilizar. Alguns murmúrios vindo do Snydar me chamaram a atenção, vendo que ele já tinha acordado deixei que tomasse ciência de estar preso e do lugar onde se encontrava. Ao perceber que tinha sido sequestrado ele passou a gritar por ajuda em vão, pois a sala tinha isolamento acústico nas paredes e se encontrava no subsolo de um prédio. — Não adianta gritar, ninguém vai te ouvir. — Falei, notando a expressão irritada dele se tornar confusa e surpresa ao mesmo tempo. — Seu maldito! Eu vou te matar quando sair daqui. — Ameaçou, forçando as algemas que o prendiam na cadeira. — Kal Snydar, ex integrante da máfia, preso por assassinato e porte ilegal de armas… Correto? — Falei, vendo ele ficar aflito com as informações. — Você está me confundindo, eu me chamo Jack Naylon. — Tentou enganar. — Não é isso que sua ficha criminal diz. — Contestei, quebrando com os dentes um pedaço da barra de chocolate. — Quem é você? — Perguntou. — Você pode me chamar de Mello. — Respondi, desviando o olhar da tela para o restante dos policiais, que olhavam as imagens de Kal. — O que você quer, Mello? — Voltei meu olhar à tela. — Vamos direto ao ponto, você não é o nosso principal alvo, me conte sobre Teru Mikami. — Soltei, notando ele ficar estático. — Não sei de quem você está falando. — Mentiu. — Não é isso que sua expressão me diz. — Rebati, vendo ele perceber que estava sendo observado, enquanto procurava de forma perturbada as câmeras projetadas na parede. — Eu não irei dizer nada sobre ele. — Se recusou, limpando o suor no buço em seu ombro direito. — Que tal uma proposta? Se você colaborar, eu não posso te deixar livre, mas eu posso reduzir sua pena e colocá-lo em uma prisão mais tranquila. — Menti, esperando que ele caísse. — Sem chance, eu vou continuar calado. — Persistiu. — Nós temos o seu celular, é suficiente para investigar sua vida, tem certeza que vai deixar essa oportunidade passar? — Persuadi, deixando ele em silêncio por alguns segundos. — Desista! Eu nunca vou falar. — Respondeu com convicção, mas eu sabia que ele não demoraria muito para ceder. — Tudo bem, vou deixar você pensar sobre isso um pouco. — Falei, cortando o áudio e retirando os fones. — Ele vai ceder, mas precisamos achar algo que faça isso mais rápido. — Observei. — Podemos parar por aqui, continuamos amanhã. — Near disse, liberando todos de suas tarefas. Algumas horas depois, subi para o dormitório e encontrei Matt lá dentro terminando de fumar um cigarro na varanda, enquanto fitava o céu escuro com algumas nuvens que cobriam a lua. — Você está bem? — Perguntei, me aproximando dele. — Estou, não se preocupe. — Soltou a fumaça. — É um pedido impossível. — Discordei, apoiando os braços na grade da sacada. — Eu vivi em lugares e lidei com pessoas como Kal Snydar, eu sei me defender. — Rebateu, tragando mais um pouco do cigarro. — Continua sendo perigoso. — Insisti. — Mesmo que eu morra, você vai ter Lawliet e Near aqui. — Ele disse, fazendo meu olhar cruzar o seu, no mesmo momento em que eu torcia para ser uma piada de m*l gosto. — Eu sei, mas eu não quero que você vá. — Choraminguei, sentindo minha respiração pesar. — Eu não vou durar muito de qualquer forma, por conta dos cigarros. — Se conformou, jogando o restante do cigarro fora. — Então, para! quero que você fique por perto. — Tentei explicar, com a voz um pouco embargada. — Acho que nós já tivemos essa conversa. — Sorriu gentil, era verdade que já tínhamos tido essa conversa quando éramos mais novos, logo após o sequestro de Beyond ser solucionado. — Eu vou ficar bem. — Tranquilizou, me abraçando e logo em seguida ouvimos a porta se abrir, mostrando que Near havia chegado. Quando o mais baixo se aproximou eu saí rapidamente com a cabeça abaixada, tentando evitar que ele visse minhas lágrimas que insistiam em descer. {P.O.V × Nate River} Logo que me aproximei de Matt e Mello que estavam na sacada, Mihael saiu de forma brusca com a cabeça abaixada na tentativa falha, de esconder seu rosto com as lágrimas que corriam. — Não entendo o motivo dele agir assim sobre a morte, é algo natural. — Matt falou, olhando para mim. — Ele tem medo. Ele era muito apegado à mãe dele antes de entrar para na Wammy's, mas seu pai matou ela em uma discussão gerando uma grande perda para ele, então até hoje ele tem medo das pessoas que ele é apegado e ama morram. — Expliquei, fitando o horizonte. — Eu sabia da história dos pais dele, mas não sabia que esse era o motivo para ele agir assim. — Se impressionou. — Eu vou conversar com ele sobre isso. — Me voluntariei e então Matt saiu do dormitório, alegando que iria descansar. Fui em direção ao quarto, vendo Mello sentado de costas para mim com a postura um pouco curvada, respirei fundo e com cuidado subi em cima da cama. — Mello… — Chamei, e antes que eu pudesse encostar em seu ombro ele se levantou. — Por que você disse para Matt pegar a arma da mão de Kal?! — Questionou, com os olhos um pouco inchados pelo choro. — Porque eu sei que ele tem treinamento para isso. — Respondi simples. — Foi perigoso Near! — Alterou a voz, embargada pelo segurar do seu choro, orgulhoso demais para mostrar suas fraquezas em momentos de conflito, até mesmo para mim. Ele então caminhou em passos largos até a porta, que eu cheguei antes me colocando na frente da mesma, impedindo que ele saísse e começasse uma nova briga. — Era a única opção não era? Perigosa, mas eficaz para o momento. — Argumentei. — Eu não quero que ele morra Near, não quero que nem você, nem o Lawliet e nem o Matt vão embora dessa forma. — Caiu de joelhos no chão com as lágrimas correndo por seu rosto, como se não tivesse forças para se manter de pé. — Mihael, as coisas não são para sempre, é o ciclo normal da vida. — Falei de forma gentil, me ajoelhado em sua frente e aninhando sua cabeça na curvatura do meu pescoço. — M-mas você disse que nós ficaríamos juntos para sempre. — Dei um mínimo sorriso por ele se lembrar disso. — O que eu quis dizer com isso não foi no sentido literal da palavra, mas sim até o nosso infinito durar, sendo assim será até o dia em que nós dois finalmente fizermos parte da terra. — Esclareci, sentindo meu pescoço molhar pelas lágrimas. — Vai ficar tudo bem. — Tranquilizei, afastando sua franja e dando um beijo em sua testa. Ele realmente continuava aquele menino frágil por dentro, envolvido apenas por uma casca que se cutucada da forma certa, se abria transbordando inúmeros sentimentos. — Eu te amo Mihael. — Falei baixo, e ele me abraçou mais forte.
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