{P.O.V × Light Yagami}
Já haviam se passado algumas semanas desde o acidente, Mello e Misa já estavam de volta ao QG se cuidando por medicações, indicadas por seus médicos.
Lawliet acabou por chamar Watari, na intenção de ajudar nos cuidados de Mello e consequentemente, Misa também estaria sob os cuidados do velho senhor.
Aproveitando que Near decidiu seguir com as investigações depois de Mello se recuperar, concordamos em fazer uma pequena confraternização, a fim de comemorar a recuperação deles e tirar aquele clima r**m que estava, desde o dia do incêndio.
Eu estava no sofá, esperando L colocar o terno e me sentindo irritado pela demora do mesmo, em alguns minutos ele abriu a porta do quarto e veio até mim me pedindo para amarrar a gravata borboleta.
Atendi o seu pedido e logo notei um botão, que ele havia deixado aberto, me propus a abotoar e ele se assustou com o toque de meus dedos em sua pele.
Olhei para ele, passando minha mão em sua franja deixando ela um pouco menos desarrumada, enquanto seus olhos observavam meus movimentos atentamente.
Sem muita demora nós descemos as escadas, chegando ao andar de baixo todos se encontravam conversando e a mesa estava cheia de aperitivos.
— Vocês demoraram para descer. — Matsuda comentou, ao se aproximar.
— L que estava demorando para se trocar. — Falei, olhando para ele.
— O terno ficou bom nele. — Opinou Matsuda e eu dei de ombros.
— Eu gostaria de agradecer a todos por essa festa, e principalmente a Mello por ter me salvado. — Misa disse, depois de bater na taça com a colher chamando a atenção de todos.
Os outros então levantaram seus copos sorrindo alegremente, comemorando e brindando após a fala da loira.
Watari servia algumas taças de vinho e nesse processo, eu já tinha virado em torno de três taças enquanto falava com alguns colegas de trabalho, e o fato de não estar acostumado com a bebida, já trazia efeitos me fazendo ficar um pouco tonto.
Enquanto as pessoas conversavam eu decidi me sentar, trocando as taças de vinho por champanhe que me parecia mais tranquilo, observando todos naquela sala que mostravam estar em um clima agradável.
Foi então que meu olhos encontraram Lawliet, só então reparei como o terno preto ficava perfeito em seu corpo, e os cabelos também estavam menos bagunçados do que costumavam ser. Ele poderia se vestir assim sempre. Pensei.
Depois de mais uma taça da bebida meus olhos continuavam hipnotizados em L, seria realmente possível que eu estivesse gerando algum tipo de sentimento romântico por ele? Impossível!
De qualquer forma, o que os outros pensariam se soubessem disso? Questionei, e então me lembrei dos beijos sentindo minhas bochechas ficarem vermelhas.
— Ninguém pode saber disso. — Sussurrei para mim mesmo, estremecendo meu corpo ao imaginar alguém descobrindo sobre.
Pouco tempo depois a Amane veio até mim, pedindo para que eu fosse com ela até o quarto pois não queria subir sozinha, sequer estranhei a situação e me levantei para levá-la.
Chegando ao seu quarto ela se sentou na beirada da cama e me puxou, deixando o corpo dela entre os meus braços, em seguida senti seus lábios tocarem os meus.
Me afastei quase que instantaneamente, com os olhos arregalados vendo a satisfação no sorriso da garota, e então um olhar intenso dela foi lançado para mim.
— O que foi Light, nunca ficou com uma garota? — Provocou, cruzando as pernas.
No mesmo momento me lembrei de Lawliet, com uma forte sensação de que eu deveria sair daquele quarto, estranhei minha recusa. O que teria mudado dessa vez? Comecei a pensar que talvez fosse L, mas isso não poderia estar acontecendo, eu não seria gay… Seria?
{P.O.V × Nate River}
A festa já estava acabando, o cansaço e o sono já se faziam presente em todos, eu havia ficado feliz por eles terem sido tão atenciosos com Mello e Misa, fazendo essa comemoração.
— Você está bem? — Perguntei para Mihael, que permanecia sentado em um canto.
— Estou com sono. — Ele disse, olhando para mim, mostrando as ataduras que ainda estavam em seu rosto.
Dei um leve sorriso e quando fui colocar minha mão em sua cabeça, por algum motivo eu hesitei, deixando minha mão há centímetros de distância dos seus cabelos.
— Não sei por qual motivo, você evita tocar em mim na frente dos outros. — Ele disse, percebendo minha hesitação, deixando uma expressão amarga em seu rosto.
— Vocês viram onde o Light está? — L se aproximou.
— Eu vi ele subindo junto com Misa. — Mello informou, e Lawliet saiu.
{P.O.V × Light Yagami}
— N-Não foi nada. — Falei, afrouxando a gravata e beijando Misa.
Tentando provar para mim mesmo que minha teoria estava errada, continuava beijando a garota mesmo parecendo que o beijo não se encaixava e eu não conseguia me concentrar.
Ela abriu minha camisa, e passou as mãos pelo meu corpo e continuei com os beijos, me sentindo completamente nervoso com a situação em que eu me encontrava.
De repente ouvimos a porta do quarto ser aberta, e quando olhei pude notar a presença de Lawliet, que fechou a porta rapidamente com a expressão quase nula.
Saí de cima da Amane, pegando minha camisa e vestindo a mesma sem me preocupar com os botões abertos, saindo do quarto sendo questionado por Misa, que perguntava o motivo de ter parado.
Sem dizer uma palavra fechei a porta do quarto, procurei pelo dormitório mas não encontrei L em lugar algum, respirei fundo sentindo desconforto ao me lembrar da cena.
Apesar de ainda estar um pouco bêbado, o incômodo dele ter visto aquilo se fazia presente dentro de mim, e por um momento me senti a pessoa mais errada do mundo.
A necessidade de explicar para ele que não era nada daquilo que ele pensava era grande, e eu cogitava diversas vezes a ideia de procurá-lo na intenção de esclarecer as coisas.
Não era como se eu tivesse obrigação daquilo, confuso com tudo aquilo tomei um copo de água e fui dormir, sem nem mesmo perceber que o batom vermelho de Misa se encontrava borrado em meu pescoço.
Assim que fechei os olhos, a expressão de Lawliet apareceu, só então notei que diferente das outras vezes que ele era pego de surpresa e seu semblante continuava neutro, dessa vez seu rosto denunciava uma curta surpresa. Talvez a primeira vez, em que eu vi ele ter alguma expressão perceptível.