{P.O.V × Mihael Keehl}
— Você parece ter se resolvido com Near. — Matt falou, assim que eu entrei em seu dormitório.
— A gente sempre acaba se resolvendo no final. — Comentei, me encostando na parede fitando Matt, que estava acendendo um cigarro.
— Desde quando vocês eram mais novos é assim, brigavam e voltavam a se falar, algumas vezes mais rápido e outras não. — Observou, parecendo se lembrar desses momentos.
— Pensei que tinha parado com o vício nos cigarros. — Falei, olhando para o cinzeiro em cima da mesa.
— Eu também pensei que você tinha parado com o vício nos chocolates. — Respondeu, sorrindo após soltar a fumaça.
— Near quase surtou, quando me viu comendo chocolate durante a cicatrização da queimadura. — Sorri, ao me lembrar da preocupação dele.
— Imagino como ele deve ter ficado, você está bem sobre isso? — Ele perguntou, se aproximando e passando o dedo pela cicatriz.
— Não é tão r**m, já me acostumei com ela. — Respondi, tirando com cuidado a mão dele do meu rosto.
— Como Near ficou, quando você mostrou para ele? Eu sei que ele evitou olhar para você durante esse processo.
— Por culpa, ele se sentiu m*l pelo o que aconteceu, mas ele também está tranquilo sobre isso. — Encostei a cabeça na parede atrás de mim, parece que desde sempre Matt é cuidadoso comigo.
— Near descobriu quem é o cara do retrato falado? — Matt perguntou, apagando o resto do cigarro no cinzeiro.
— Ainda não.
Algum tempo depois decidi ver o que Near estava fazendo na sala de investigações, e quando cheguei ele continuava mexendo no computador, totalmente concentrado.
Sua paixão por resolver mistérios se mostrava muito clara, mas o que me preocupava era que ele não sabia dosar o tempo de trabalho e o de descanso, se ninguém falasse nada, ele passava noites sem dormir e comia muito m*l.
— Nate, você almoçou hoje? — Perguntei, próximo a cadeira onde ele estava.
— Ainda não. — Respondeu, com os olhos fixados na tela do computador e eu respirei fundo.
— Come. — Mandei, colocando um prato com comida em sua frente.
Ele me olhou de forma doce e se esticou para me dar um beijo em agradecimento, só então tirou sua atenção da tela para comer, e eu me sentei em uma cadeira ao seu lado.
— Não entendo o motivo de Matt estar escalado para fazer trabalhos externos, ele seria muito mais útil aqui dentro. — Falei, sentado de forma relaxada na cadeira.
— Pelo o que eu ouvi do delegado, ele escalou todo mundo às pressas, se não me engano Lawliet e Light que deveriam estar tomando a frente desse caso. — Contou.
— Falando nisso, onde eles estão? — Perguntei, notando que eu não havia visto eles depois do horário de almoço.
— Foram jogar tênis. — Near falou, com um mínimo sorriso em seu rosto.
— Sinto que você tem alguma coisa a ver com isso. — Comentei, sabendo que a ideia teria vindo dele.
— 'Uhum', será que vai funcionar?
— Acredito que sim. — Afirmei, passando minha mão pelo cabelo dele.
Logo ouvimos a porta se abrindo, sendo atravessada por Light, que aparentava estar um pouco irritado e logo atrás dele estava Lawliet, com uma expressão tranquila e até um pouco feliz.
— Parece que funcionou, um pouco pelo menos. — Comentou Near, olhando para Light, que subia as escadas rapidamente em passos fundos.
{P.O.V × Light Yagami}
Desde o dia do jogo, minha cabeça parecia girar em círculos me deixando distraído e confuso com o que tinha acontecido, L se confessou para mim mas não disse se aguardaria qualquer resposta minha.
Pensei que talvez ele tivesse feito aquilo por algum tipo de vingança, mas obviamente eu só estava tentando enganar a mim mesmo, com a intenção de me deixar menos inquieto.
Já haviam se passado cerca de uma semana, e ele continuava com seus joguinhos me provocando e me deixando envergonhado, com seus toques embaraçosos sobre meus pontos sensíveis.
Mesmo que ele dissesse que se caso eu não quisesse era para apenas empurrá-lo, ainda sim eu não conseguia e sempre acabava por ceder aos seus toques, não tínhamos ido muito longe naqueles dias mas no ritmo que as coisas seguiam, não parecia que iria demorar muito para irmos até o fim.
— Você quer parar de me olhar? — Falei, enquanto arrumava o terno na frente do espelho.
— Querer eu não quero, mas se você não gosta eu paro. — Ele disse, se aproximando de mim por trás.
Como eu poderia dizer não, se apenas sua presença era suficiente para arrepiar meu corpo inteiro, a adrenalina que corria em minhas veias quando ele me beijava e me tocava, era densa e me fazia ficar vulnerável.
Em um único movimento ele virou meu corpo para ele, prendendo meu braço acima da minha cabeça com sua mão, chegando com o rosto cada vez mais perto.
— Misa está acord… — Tentei protestar, mas quando me dei conta, seus lábios já tocavam os meus em um beijo profundo e intenso.
Enquanto tentava me soltar com ele me prendendo contra o espelho, sentindo que estava prestes a ceder novamente, eu acabei por desisti de lutar e retribui o beijo.
Eram nesses momentos que eu questionava se realmente não seria certo me entregar por completo, pois eram nesses mesmos instantes que eu não pensava em absolutamente nada, somente me concentrava nas sensações que ele me causava.
Assim que o ar se fez preciso nós nos soltamos, com a respiração descompassada e involuntariamente eu coloquei minha mão livre em seu rosto me aproximando lentamente, só então notei o que eu estava prestes a fazer e então parei, recebendo um olhar de reprovação dele.
— Você não deveria ignorar suas vontades desse jeito — Ele disse, completando com um selinho e saindo do quarto em seguida.
Voltei a me olhar no espelho, com o rosto vermelho e o corpo quente, talvez ele estivesse certo, mas eu era alguém com uma reputação a zelar, um prodígio, considerado bonito pela maioria, padronizado e cobiçado pelas mulheres… O que pensariam sobre mim, se descobrissem que eu cedia com os toques de outro homem?
Depois do rubor em meu rosto sumir, eu saí do quarto e desci junto com Lawliet até a sala de investigações, parecia que Near tinha descoberto algo sobre o homem que causou o incêndio.
Ao chegar, nos deparamos com todos na sala, alguns em pé e outros sentados provavelmente aguardando por Lawliet e eu, o silêncio era um pouco desconcertante e a agonia de todos deixava o clima mais tenso.
— Eu gostaria de parabenizar Mogi e Ukita por terem conseguido de forma rápida, o rosto do nosso suposto assassino. — Near disse, quebrando o silêncio.
— O nome dele é Teru Mikami, um promotor de justiça. — Ele continuou, apertando uma tecla e iluminando a tela acima dele, com a imagem do rosto do homem ao lado do retrato falado.
— Deve ser algum engano, ele é um promotor, não faria uma coisa dessas. — Meu pai contestou.
— Não, é ele mesmo que eu vi no dia do incêndio, apesar de não ter me lembrado no dia do retrato, seu rosto parece claro na minha mente agora. — Misa disse, olhando para a tela.
— Senhor Yagami, ser um promotor não faz dele um anjo. — Mello disse, com os braços cruzados ao lado esquerdo de Near, ambos de costa para grande tela.
Eu não reconhecia o rosto daquele homem, muito menos seu nome, sem ter objeções Near se virou para o computador novamente, trocando a foto dele por sua ficha criminal.
— Eu pesquisei um pouco sobre a carreira dele na polícia, e descobri que ele trabalhou em um caso de desaparecimento na Wammy's House, você não se lembra dele L? — Perguntou Matt, de costas para o telão ao lado direito de Near, que permanecia sentado.
— Os únicos que trabalharam nesse caso, pelo o que eu me lembre, foram Naomi Misora e Raye Penber. — Lawliet respondeu, com a postura curvada de sempre.
— Foi o caso do sequestro de Beyond, não é? Eu também só me lembro desses dois nomes. — Near falou de repente.
Quem era Beyond? Me perguntei, talvez alguém que trabalhasse lá…?
— Parece que ele também participou daquele caso com o… Aquele acontecimento de três anos atrás. — Mello reformulou a frase assim que olhou para Near, o que está acontecendo aqui?
— Watari deve saber mais sobre isso. — Matt voltou a falar, e saiu da sala em busca do senhor.
Todos na sala olhavam para Mello e Near que pareciam calmos, os outros estavam desconfiados e confusos pela conversa rolou entre eles, há apenas alguns segundos atrás.
— Os senhores me chamaram? — Watari perguntou, entrando na sala com Matt logo atrás de si.
— Sim, Watari você se lembra desse homem? — Near perguntou, trocando a ficha pela imagem do promotor na tela.
— Ah sim, ele foi o delegado que conduziu o sequestro de Beyond e também dirigiu o caso de…
— E sobre Raye Penber e Naomi Misora? — Mello cortou, de forma suspeita e desesperada a fala do mais velho.
— Eles foram os detetives que acharam Beyond, não culpo vocês de não se lembrarem, faz um bom tempo que isso aconteceu, mas foi um caso rápido de ser resolvido. — Watari completou.
— Agora me recordei, Mikami estava na mesma sala de treinamento que eu para nos tornarmos policiais. — Meu pai falou, trazendo a atenção de todos para si.
— Mikami era inteligente, então acabou sendo transferido para a área de homicídios da polícia, se tornando um detetive. Ele não ficou por muito tempo na polícia japonesa, recebeu uma proposta de trabalho para se tornar um delegado de uma das agências do FBI, me lembro pois foi na mesma época que fui transferido para a força tarefa. — Contou, enquanto limpava as lentes do óculos na camisa.
— Ele parece ter um bom portfólio, não é de se admirar que conseguiu o cargo de promotor. — Comentou Matt.
— Como vocês sabem que ele é envolvido com drogas? — Matsuda falou pela primeira vez.
— Houve um escândalo em que um delegado do FBI tivesse envolvimento com drogas há alguns anos atrás, descoberto por um jornalista que mandou as provas para os jornais locais, porém o caso foi abafado pelo FBI com a ajuda da CIA e a SPK. — Near explicou, girando a cadeira para o computador, mudando a imagem para a notícia de um jornal.
— A polícia pode fazer isso?! — Aizawa perguntou, um pouco desconcertado.
— Vocês trabalham com a SPK não é? Não souberam de nada disso? — Matt perguntou, direcionando seu olhar para Mello e Near.
— Apenas as polícias especiais podem fazer esse tipo de coisa, como a CIA, FBI e SPK, às vezes é preciso tomar esse tipo de atitude para evitar uma grande revolta na população. — Near respondeu a pergunta de Aizawa.
— Eu me lembro de ouvir algo sobre abafar algum escândalo uma vez, mas eu e Near somos detetives, é um departamento diferente. — Disse Mello, esclarecendo a dúvida de Matt.
— Foi feito um acordo, ele teria que renunciar seu cargo e sairia com a ficha limpa. — Completou Near, mostrando uma manchete que falava sobre a saída de Mikami do FBI.
— Mas a imprensa não deixou de publicar a notícia dele com as drogas, não é? — Meu pai perguntou.
— Algumas redes de jornais menores decidiram seguir com isso, porém as televisões e os demais jornais desistiram, trocando pela notícia de sua renúncia abafando o caso, e isso foi uma jogada das três corporações. — Explicou Near, fitando a tela com a página do jornal.
— Mikami era um delegado muito respeitado, de uma reputação incrível e considerado intocável por alguns colegas de trabalho. — Mello disse, se virando para a tela.
— Sendo assim, as notícias publicadas sobre ele com as drogas foram taxadas como mentirosas. — Aizawa completou.
— Mesmo assim, ele não seria e******o de traficar as drogas, ele apenas comanda isso. — Matt falou, com os braços cruzados.
— Ok, ele é um traficante, mas o que isso tem a ver com o assassinato dos pais de Misa? — Questionei.
— Talvez, os pais de Misa estivessem deven…
— Meus pais não estavam envolvidos com drogas. — Afirmou a loira, cortando a fala de Matsuda.
— Ainda sim, Misa disse que o homem que esteve em sua casa não se parecia com Mikami. — Continuei.
— Ele está junto com o assassino, Mikami provavelmente foi mandado para assassinar Misa no dia do incêndio, pela imprensa ele já sabe que tanto Mello quanto a Amane continuam vivos e sobre ele não ter sido preso antes, é possível que ele tenha algo que a polícia teme. — Lawliet teorizou, trazendo os olhares de todos para si.
— Pode ser, mas me parece que a polícia só não queria ter que lidar com escândalos. — Near rebateu.
— Se fosse assim, o FBI poderia ter mentido sobre a renúncia colocando ele preso na sequência em sigilo total da imprensa, daria no mesmo para a polícia, mas se ele realmente tinha algo que comprometeria o FBI ele poderia negociar, dificilmente um homem com esse tipo de ego, sendo considerado até mesmo intocável se renderia, e foi o que ele possivelmente fez, atuando como promotor tempos depois do acordo. — L concluiu, com a mão nos bolsos.
— Mas então, por qual motivo o FBI avisou as outras corporações? — Aizawa questionou.
— CIA, SPK e FBI trabalham juntas, têm o apoio umas das outras. — Near respondeu simples.
— Bom, Ukita e Mogi eu preciso de uma lista dos casos em que Mikami trabalhou, Aizawa, Soichiro e Matsuda quero que vocês façam uma lista de todos que trabalham com ele, Matt, faça uma busca minuciosa sobre a vida de Mikami e não deixe nada passar, Misa, L e Light vocês vão tentar contato com aquele número utilizado anteriormente para chantagear a Amane, quando conseguirem me avisem. — Ordenou Near e todos começaram a se mexer.
— E o que vocês vão fazer? — Matsuda perguntou, olhando para Near e Mello.
‐ Mello e eu vamos ligar para alguns agentes da SPK, para perguntar e recolher material sobre Mikami, quando as informações forem reunidas eu vou criar uma estratégia para pegarmos ele. — Near concluiu, virando a cadeira para o computador novamente.