Mateus chega em casa pouco mais de 4h10 da manhã. Ele desliga a moto, abre o portão manualmente, com medo de que seu pai pudesse ver a hora em que estava chegando. Mas sua chegada passa despercebida, pelo simples motivo de que Diogo e Ágata continuavam fora de casa, fato que Mateus logo percebe ao notar que o carro do pai não estava na garagem.
— Caramba! A noite deles foi longa, viu! Sei que vou aproveitar para cobrir a moto novamente. Vou só me jogar na cama, porque logo vai ser dia e vou ter que ir trabalhar com meu pai… Só de pensar já me dá um medo… Mas fazer o quê?
Mateus entra em casa e sobe para o seu quarto. Ele se joga na cama e fica olhando para o teto, lembrando-se de Vanessa.
— Ela é muito gata. Fiquei hipnotizado nela… Aquela boca… Aquele corpo… Ah, Vanessinha… Você vai ser minha… Vai, sim… — diz ele, agarrando o travesseiro e adormecendo.
Longe dali, Vanessa vai tomar banho, enquanto Débora escovava os dentes. As duas conversam sobre o que cada uma havia passado naquela noite.
— Amiga, o cara passou a noite toda me incomodando. Eu não sei como aguentei. Aí, quando fui embora, não sei como ele me abordou. Queria me levar à força! Aí o gatinho de quem te falei me ajudou… Me trouxe aqui pra casa… — conta Vanessa.
— Espera. O cara que flertou com você te salvou do outro que também flertou com você? — diz Débora.
— Quem flertou foi o Mateus, o gatinho. O outro, filho da mãe, queria me levar à força! — explica.
Débora sorri.
— Ei! Não tem nada de engraçado nisso! Se o Mateus não aparece naquela hora…
— Amiga, o engraçado é que os dois queriam ficar com você! Mas você só ficou interessada em um deles! — diz Débora, sorrindo.
— Ei! Não é assim! Eu saio de casa toda noite para trabalhar, viu? Odeio quem fica me desrespeitando. O Mateus não me faltou com respeito em momento algum. Depois, eu nunca ia ficar com um desconhecido que conheci pela primeira vez saindo do meu trabalho. Não rola. Ele sabe onde moro, sabe onde trabalho… Vamos ver se ainda nos encontramos…
— Vanessa, você ficou gamadinha nele, né? Olha só!
— Para, Débora! Deixa de ser chata!
Vanessa fica sem jeito e Débora não perde a oportunidade de implicar com a amiga.
— Só cuidado! Eu conheço homens, conheço bem o lado oculto e verdadeiro deles. Homem nenhum merece nosso amor. Eles traem esposas belíssimas! Meus clientes são, em sua maioria, casados, noivos ou namorados… Depois, eu mesma posso afirmar que esse negócio de namorar é furada…
— Amiga, não estou apaixonada por ninguém. m*l conheci o cara… Ele é meio playboy, do tipo que busca aventura. Eu sei lidar com as pessoas… Depois, supera, Débora! Aquilo aconteceu com você faz tanto tempo… — comenta Vanessa.
— E eu superei! Não vê que sou garota de programa hoje? Sou livre para t*****r com quem quiser, ainda ganho por isso e me divirto muito… — diz Débora, saindo da frente do espelho ao terminar de remover a maquiagem.
— Sim, claro… Nem vou entrar no mérito do assunto. Você é minha amiga, gosto muito de você… Somos a única família que a outra tem. Cuidamos uma da outra. — diz Vanessa.
— Termina sua faculdade, porque eu vou deixar de fazer programa assim que juntar uma grana. Vamos ser sócias, abrir uma empresa e ficar muito ricas… — diz Débora, sorrindo e abraçando a amiga.
Vanessa sorri.
Enquanto isso, o tempo passou, o dia clareou e Mateus dormia profundamente em seu quarto, sem ter noção alguma de que, naquele momento, seu pai e sua mãe haviam chegado. Diogo permanece dentro do carro, enquanto apenas Ágata desce.
— Diogo! Não vai descer? Onde vai? — pergunta Ágata.
— Tenho que resolver uma coisa importante. Não se preocupe, em vinte minutos estou de volta. — diz ele.
— Hum… Tudo bem. Depois da noite maravilhosa que tivemos, estou feliz, radiante e um pouco cansada… Não demora, viu…
— Desculpa. Sei que você queria ficar o dia todo na casa de praia, mas vamos combinar de ir no final de semana que vem. Ficamos lá sexta, sábado e voltamos domingo à noite. Eu tenho mesmo que resolver isso… — diz ele.
Ágata o beija e sorri.
— Tudo bem. Olha só, vou cobrar, viu? Vai lá, meu amor, resolver suas coisas. Afinal, sou casada com um homem de negócios!
Ela se afasta. Diogo sorri para ela, manobra o carro e deixa a casa novamente.
Ágata suspira. Estava feliz.
— Até parece que voltamos no tempo… Parece que voltamos a ser namorados. Estou tão feliz… Bem no fundo, achei que ele tivesse descoberto… Não! Coisa da minha cabeça. Acho que isso nunca será descoberto… Afinal, aconteceu há tanto tempo… E depois… Não! Esquece… Vou contar tudo pra Rose… — diz Ágata.
Diogo para o carro em frente a um edifício residencial e desce. Vai até a recepção, anuncia-se, pega o elevador e segue até o apartamento 502. Toca a campainha.
Uma mulher abre a porta.
— Ficou louco? Vir aqui essa hora? O Beto… acabou de sair para o trabalho…
— Rose, eu vim aqui só para dizer uma coisa… Eu não vou continuar com isso. Não vou trair mais minha mulher. Tivemos uma noite maravilhosa, e isso não está certo. Ela é sua amiga. O Beto é meu amigo. Eu não sei por que levei isso adiante, mas acabou. — diz Diogo, determinado.
Rose o encara, sem conseguir acreditar no que acabara de ouvir.