Mateus fica chateado, sentindo-se pressionado com a cobrança que sofreu de seus pais. Trancado em seu quarto, sem querer ver ninguém, ele estava deitado em sua cama, olhando chateado para o teto…
— Trabalhar! Trabalhar, cara! O que deu na cabeça do velho? Já cheguei a me perguntar se sou adotado, porque não pode um pai que só ferra com o filho. Agora eu me ferrei bonito… Sem carro, sem grana…
Alguém bate na porta do seu quarto. Era Ágata…
— Filho? Posso entrar? — pergunta.
— Não, não pode! Você me abandonou para apoiar o pai, não pode entrar…
Ágata ignora e entra mesmo assim…
— Filho, não fica chateado…
— Mãe, nem a dignidade de ficar sozinho no meu quarto eu tenho? — pergunta Mateus.
— Filho, trabalhar e aprender um pouco de responsabilidade não vai te fazer nenhum m*l, pelo contrário… E olha só, passar um tempo junto com seu pai não vai ser r**m… Eu não te abandonei, eu só quis ficar do lado do seu pai porque ele e eu… Bem, eu sempre teimo com ele… Filho… Vamos fazer um acordo?
— Acordo? Que acordo, mãe?
— Filho, só fica longe de encrenca. Você agrediu uma pessoa! Era para isso que quis fazer jiu-jítsu? Eu não gosto de violência. Era só ter pago o conserto do carro do homem! — diz Ágata.
— Mãe! O cara me xingou na frente das minhas amigas. Eu tinha que tomar uma atitude…
— Filho… Tudo bem… Sei que você é cabeça quente como seu pai… Vocês são iguaizinhos…
— Você sempre tenta forçar, mãe, dizer que o pai e eu somos parecidos, mas eu não vejo muita coisa em comum… — diz Mateus.
Ágata fica desconfortável com o confronto do filho e com a recusa dele em parecer com o pai. Ela muda rapidamente de assunto…
— Olha, filho, você pode não achar, mas eu acho, sim, e pronto. Sei que está chateado, mas olha só… Seu pai não te deixou pegar o seu carro, mas não falou nada sobre o meu carro… Ou falou? Tipo… meu carro… O meu cartão! — diz Ágata, colocando o cartão no bolso do filho.
Mateus sorri e logo muda de ânimo. Sabia que sua mãe sempre o ajudava de alguma forma…
— Caraca, mãe! O velho vai ficar louco!
— Garoto, respeita seu pai! Ele não é nenhum velho! E olha só! Eu vou sair com seu pai. Hoje é nosso aniversário de casamento e não quero que faça nenhuma bobagem! Nada de se meter em confusão, nada de nada! Entendeu?
— Fica tranquila, mãe! Não vou estragar sua noite, mas faço mais por você do que pelo pai…
— Tá, não vou discutir… Outra coisa… Você ia com três mulheres mesmo no carro? Para onde ia levar elas? Pra casa, né?
Mateus sorri maliciosamente…
— Pra casa, mãe? Onde acha que eu ia levar elas? E não eram três, eram quatro! — diz ele, sorrindo.
Ágata bate no filho com o travesseiro…
— Me respeita, seu moleque! Isso é coisa que se diga para a própria mãe? Olha, Mateus, só se cuida e não quero você usando meu carro em orgias. Nem ouse ir para motel com meu carro! E outra coisa: só saia depois que seu pai e eu sairmos e volte antes de voltarmos…
— Tá bem, mãe! Não se preocupa! Até porque ele quer que eu vá amanhã à empresa, né? Descobrir com o que eu tenho afinidade para trabalhar… Eu tenho que acordar cedo…
— Isso, filho! E olha só! Vai ser bom, você vai acabar tomando gosto… Porque…
Mateus então completa…
— Porque eu sou muito parecido com meu pai e vou me acostumar rápido na empresa… Não era isso que ia dizer?
— Não. Eu ia dizer que você é um menino inteligente… — diz Ágata, caminhando até a porta. Mas, antes de fechá-la, completa: — Igualzinho ao seu pai! — e sai sorrindo.
Mateus joga o travesseiro na porta, sorri e levanta-se. Vai até o espelho do banheiro…
— Será que eu pareço mesmo com o velho? E quanto será que a mãe tem de limite nesse cartão? Espera… Eu realmente aprontei muito e passei dos limites… Acho que não deve ser uma boa sair hoje. Vou ficar em casa e evitar problemas para minha mãe e pro velho também… Amanhã, na empresa… Vai que tem muitas gatinhas trabalhando lá! Acho que, como filho dos donos, vou me dar muito bem… — diz Mateus.
"Ele sorriu para o próprio reflexo, sem imaginar que o primeiro dia na empresa seria tudo, menos o que esperava."