Pré-visualização gratuita Capítulo 1: Pistas e Sombras
O reflexo no espelho do banheiro tentava mostrar uma fachada de tranquilidade, mas, por dentro, Isabella sentia que estava prestes a desmoronar. Aos 23 anos, sua vida havia se tornado uma contagem regressiva para o inferno. Ela havia sido vendida. Não existia outra palavra para o que seu pai estava fazendo.
O Sr. Newton, um homem que outrora ostentara o cargo respeitável de chefe da promotoria do Estado, havia se corrompido por completo. Afundado em dívidas de jogo milionárias e com o patrimônio totalmente falido, ele encontrou na própria filha a moeda de troca perfeita. Na semana seguinte, aconteceria o noivado oficial de Isabella com o príncipe Arthur Velaskes. Uma aliança maldita com a máfia italiana que perdoaria as dívidas de Newton e lhe devolveria o poder.
Isabella, com sua alma romântica, sensível e carinhosa, sentia-se um pássaro preso em uma gaiola que se fechava um pouco mais a cada segundo. Sua única esperança era um homem do qual ela m*l lembrava o rosto, mas cuja promessa ainda ecoava em seu coração: seu padrinho. Ela sabia apenas que ele se tornara um CEO extremamente poderoso, comandante de uma indústria multimilionária.
Sentada na ponta da cama, com o notebook no colo e o celular na mão, Bella navegava desesperadamente pelas redes sociais. Como não podia sair de casa — mantida em quase um cárcere privado pelo pai, que temia uma fuga —, a internet era sua única janela para o mundo. Ela procurava qualquer pista, qualquer menção antiga, fotos, arquivos de jornal... qualquer coisa que ligasse seu padrinho à memória de sua falecida mãe. Mas as telas insistiam em retornar páginas em branco.
Quando sua mãe partira, Bella tinha apenas 13 anos. A lembrança mais dolorosa daquela época, a que ainda lhe causava pesadelos terríveis à noite, era a de ser arrancada violentamente dos braços daquele homem misterioso durante o velório.
O celular vibrou em sua mão, quebrando o silêncio do quarto. Era Isa, sua melhor amiga e única confidente. Bella atendeu no primeiro toque, a voz num sussurro tenso.
— Alô? Isa? — Bella falou, com o coração na boca.
— Bella, fala baixo e me escuta! — a voz de Isa veio do outro lado da linha, carregada de uma excitação contida. — Fica calma, vai dar tudo certo! Eu passei as últimas horas cavando a internet e encontrei algumas pistas. Vou te encaminhar tudo agora mesmo por mensagem. Mas sério, amiga... segura o queixo, porque o homem... aliás, o seu padrinho, ou suposto padrinho, é lindo demais! Meu Deus do céu.
Antes que Bella pudesse responder, o bipe de notificação do w******p soou. Isa havia enviado o arquivo.
— Isa, eu vou desligar para olhar. Obrigada, eu...
O som de passos pesados e longos ecoando pelo corredor fez o sangue de Bella congelar. O terror foi imediato. O Sr. Newton, o verdadeiro carrasco de sua vida, não podia sequer sonhar que ela possuía um telefone escondido.
— Tenho que ir! — Bella desligou na cara da amiga, enfiou o celular embaixo do colchão num movimento rápido e ajeitou a colcha.
A maçaneta girou com força e a porta se abriu. A sombra do Sr. Newton projetou-se pelo tapete do quarto, alta, ameaçadora e cinzenta. O coração de Bella disparou, batendo tão forte contra o peito que ela teve medo que ele escutasse. Uma onda de puro nervosismo e pavor tomou conta do cômodo.
Newton cruzou os braços, olhando para a filha com desdém.
— Arrume-se — ele ordenou, a voz ríspida, sem nenhum pingo de afeto paternal. — O seu noivo vem jantar aqui hoje. E faça o favor de não fazer nenhuma gracinha, nenhuma cena, senão você já sabe muito bem o que te espera.
Nos lábios do pai, surgiu um sorriso c***l, nada sadio, que fez Isabella sentir um frio violento subir por sua espinha. Ela apenas assentiu com a cabeça, incapaz de formular uma palavra. Satisfeito com o medo que instilara, Newton deu as costas e bateu a porta.
O silêncio retornou, mas a atmosfera continuava sufocante. A tarde já estava caindo e o horário do jantar se aproximava.
Bella correu até a porta do quarto e girou a chave. Depois, entrou no banheiro e trancou a porta também, garantindo que teria alguns minutos de privacidade absoluta. Só então, com as mãos trêmulas, ela puxou o celular debaixo do colchão e abriu as imagens que Isa havia enviado.
A tela se iluminou, e Isabella ficou completamente atônita. As palavras sumiram de sua garganta.
Na foto de uma revista de negócios, um homem de terno sob medida, postura impecável e um olhar terrivelmente magnético parecia encarar o infinito. Ele tinha 38 anos, mas as linhas marcantes de seu rosto e a energia que emanava da imagem faziam parecer impossível que ele tivesse essa idade. Ele era deslumbrante. Um homem perigoso, imponente e intocável.
— Alexandre... — Bella sussurrou o nome dele contra a tela do celular, os olhos verdes brilhando sob a luz do aparelho. — É impossível você ser o meu padrinho...
Olhando para aquele titã da indústria multimilionária, o homem com quem ela agora sonhava em trabalhar para escapar de seu inferno pessoal, Bella sentiu a primeira faísca de esperança real em anos. Ela não sabia como, mas precisava chegar até ele antes que o príncipe da máfia colocasse uma aliança em seu dedo.