Episódio 12

1226 Palavras
Magnus Eu estava sentado a uma das mesas de veludo vermelho, o brilho das luzes refletindo nos elegantes acabamentos dourados do meu luxuoso cassino, onde naquela noite apenas duas pessoas jogariam para ver quem levaria para casa o prêmio principal. Segurando um Partagás, um dos melhores charutos cubanos, entre os dedos, inalei a fumaça, deixando o seu sabor rico e profundo me envolver enquanto a minha mente contemplava o espetáculo que estava prestes a se desenrolar. Naquela noite, ninguém poderia entrar sem a minha permissão. Era o meu reino, o meu império, um lugar onde eu controlava cada momento, cada sussurro, cada movimento de todos que eu amava. À minha direita, Lucian permanecia em silêncio, quase invisível, como uma sombra leal, com o olhar fixo na porta por onde Vinicius logo seria conduzido. O momento chegou. A porta se abriu e Robert, junto com outros legalistas, empurrou para fora o homem que havia traído a minha confiança e ainda estava vivo. Não porque eu não pudesse matá-lo, eu queria mais dele, muito mais. Vê-lo morto não me devolveria tudo o que perdi com ele, e para mim, o meu dinheiro vale mais do que a sua vida repugnante. Vinicius entrou com uma expressão de terror no rosto. O suor na testa o traía. Era uma visão bizarra: um ladrão diante do seu carrasco. — É um prazer vê-lo, Vinicius! Sorri com a minha arrogância característica. Mas a minha voz era calma, até um pouco zombeteira. Não havia necessidade de gritar. A intensidade do meu tom e a certeza da minha presença falavam por si. Ele engoliu em seco. Eu podia ver o medo correndo por suas veias. — Magnus, vou te pagar tudo o que te devo. Eu estava esperando, eu estava juntando todo o dinheiro, e... Ele gaguejou, buscando redenção nos meus olhos. Ele era tão patético. Ele havia roubado milhões e se julgava intocável, mas agora estava ali, como um porco no matadouro. — Shhhhhh. Eu disse, levantando a mão para silenciá-lo. Lucian deu um passo à frente, a sua postura tensa, pronto para agir se a situação exigisse. Mas antes que Vinicius pudesse fazer qualquer coisa, ele estaria acabado. — Desculpe, Magnus. Eu só precisava de um dinheirinho... para minha família. Disse ele, tentando soar inofensivo. Sorri enquanto juntava as mãos sob o queixo. — Falando em família, como está a sua nova esposa? Ouvi rumores de que você esqueceu rapidamente a sua falecida esposa e a substituiu como se ela não valesse nada. Declarei, deixando a fumaça do charuto se dissipar entre nós, uma realidade que ele não podia ignorar. Era hora de fazê-lo entender que, neste jogo, as decisões têm consequências, e eu era quem as ditava. Eu podia ver a sua expressão se contrair ainda mais. — O que posso esperar de você? Você é um porco nojento e traiçoeiro que não conhece lealdade e morde a mão de quem te alimentou. — Por favor, deixe a minha família fora disso. Ele implorou. — Não foi isso que você disse quando a sua esposa legítima morreu. A sua amante era mais importante do que a sua esposa, a dona da casa? Nossa, se eu soubesse, teria ido atrás dela. Embora você devesse me agradecer, eu abri o caminho para você. Agora você pode viver o seu amor livremente. Pisquei lentamente, observando-o. Era óbvio que ele estava com muito medo, e eu adorava, porque, de fato, ele devia estar. — Isso se eu permitir. Acrescentei. — Não, eu imploro, não as machuque. Eu vou trabalhar para você, Magnus. Farei de tudo para reaver o seu dinheiro. Mesmo que eu trabalhe para você até o meu último suspiro, eu te devolverei tudo. Só deixe a minha família fora disso. Eu sorri, um sorriso frio e calculista. — Vamos pensar em alguma coisa, Vinicius, sente-se. Ele não se sentou. Hesitou. — Sente-se, droga! Eu disse, e ele finalmente sentou. As suas mãos tremiam. — Beba. O garçom lhe serviu um copo de uísque. Ele olhou para o copo sem beber. — Não se preocupe, eu não coloquei veneno em você. Seria fácil assim. Então, beba com calma. Você vai precisar para se aquecer e ganhar o jogo. Declarei. — Jogo? Ele perguntou, e as fichas e cartas foram trazidas. — Isso mesmo, Vinicius, um jogo, só entre nós dois. — Abri os braços em direção às fichas. — Mas quanto vamos apostar? Eu não tenho dinheiro, Magnus. — Você tem muitas coisas valiosas. Eu disse, encarando-o, observando cada movimento seu. — Sim, claro, tenho propriedades, tenho casas, posso apostar, mas não será o suficiente... Suspirei. — É assim que vai ser, Vinicius. Vamos jogar, se você ganhar, está livre... — Magnus! Exigiu o meu irmão. Apenas levantei a mão direita num gesto de que estava tudo bem. Eu sabia muito bem o que estava fazendo. Eu não era um garoto inexperiente. — Se você ganhar, está livre, vou deixar você e a sua nova família em paz. Assegurei-lhe. Vinicius engoliu em seco, a testa úmida de suor. — E se eu perder? Ele perguntou, e, lendo os seus gestos, pude ver que ele estava tremendo. — Você me dará uma das suas filhas, e uma delas pagará a sua dívida. Você tem duas, eu quero uma delas. — Não! Ele exclamou, levantando-se, mas a mão de Lucian apertando o seu ombro o forçou a voltar para o assento. — Isso não. Ele murmurou, suando ainda mais. — Vinicius, você é o melhor jogador. Já o vi jogar nos meus cassinos várias vezes. Você nunca perde. Do que você tem medo? Sou um péssimo jogador. Você pode até ganhar a primeira rodada. Eu o encorajei. — Isso é imprevisível. Disse ele. Ele sabia disso muito bem. — Mas é. Você tem os seus truques. Sabe que é o melhor. Estou lhe dando a sua redenção, Vinicius. Você provavelmente vencerá, estará livre, não precisará me pagar e viverá a sua vida feliz com a sua esposa e filhas. E eu serei apenas um perdedor. Aproveite a satisfação de ter derrotado Magnus Corleone e poupado a sua vida. Ele respirava pesadamente. — Qual o nome das suas filhas? Perguntei, só para pressioná-lo ainda mais. Eu sabia tudo sobre ele, até mesmo quantas vezes ele tra*nsava com as pros*titutas que tinha nos clubes. — Verena e Amara. — Você ama as suas filhas? Imagino que uma mais do que a outra. Ele neg*ou rapidamente. — Eu amo as duas igualmente. Nunca poderia escolher entre elas. Dei-lhe um meio sorriso. — E se eu não aceitar, o que vai acontecer? Ele perguntou. — Eu te darei a escolha de qual das duas morrerá pelas suas próprias mãos. Eu disse, e o seu rosto empalideceu. — De qualquer forma, você está me colocando entre a cruz e a espada. Afirmou. — Não, estou te dando a sua liberdade, Vinicius. Aceite, é sua última opção. O garçom lhe serviu outra bebida, que ele engoliu de uma só vez. — Vamos jogar, e eu te derroto, Magnus, e você terá que cumprir a sua parte do acordo. Acordo é acordo. Disse ele. Estendi a mão para ele. — Acordo é acordo. Eu disse, olhando nos seus olhos enquanto apertava a sua mão. — Bem-vindo ao jogo de verdade, Vinicius. Aqui, a vida não se joga com cartas, se joga com sangue.
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