Episódio 11

1232 Palavras
Magnus Eu estava sentado no meu escritório, brincando com a adaga afiada na mão direita, o olhar fixo num ponto, mas a minha mente continuava se lembrando dela. Desde que a vi no cemitério, não consigo parar de observá-la. Havia algo nela que me intrigava. A sua imagem se repetia nos meus pensamentos, como uma melodia assombrosa que eu não conseguia silenciar. Suspirei e deixei a adaga cair sobre a mesa. Levantei-me da cadeira para ir até o balcão e me servir uma taça de conhaque. O desconforto cresceu no meu peito. Eu precisava fazer alguma coisa, pôr fim àquela tortura mental. Eu a observava há vários dias. Era hora de agir. Nesse exato momento, a porta se abriu, revelando o meu irmão. — O que houve, Lucian? Perguntei sem me virar, tomando um gole de conhaque. — Tenho uma notícia que você vai adorar. Disse o meu irmão, e foi então que me virei para encará-lo. Verena As minhas mãos tremiam enquanto eu tentava conter as lágrimas que fluíam sem parar. Olhei para o meu pai, cuja expressão era impassível, como se a minha dor não lhe importasse. Fazia apenas duas semanas desde que a minha mãe nos deixou e, de repente, uma mulher e a sua filha estavam na nossa casa, como se nada tivesse acontecido, como se a minha mãe nunca tivesse importado, como se ele nunca a tivesse amado. Como você pôde? Mexi os meus dedos trêmulos. O meu coração batia forte, como um tambor no peito. É assim que você quer cortá-la da sua vida, como se ela nunca tivesse importado? Trazendo outra mulher para dentro de casa? Eu não conseguia entender. Como ele pode seguir em frente tão rápido? Caminhei até ele, com os punhos cerrados, e inconscientemente comecei a socá-lo no peito, gentilmente a princípio, depois com mais força, esperando que ele ao menos recuasse, que demonstrasse alguma reação. Mas ele apenas permaneceu em silêncio, deixando-se esmurrar, como se as palavras não tivessem poder sobre ele. Papai não disse nada. O seu silêncio me cortou como uma faca. Raiva e dor se entrelaçaram no meu coração enquanto eu me perguntava se algum dia fomos importantes para ele. — Chega, chega, Verena. Ele exigiu, segurando os meus pulsos, impedindo-me de bater nele mais. O aperto nos meus pulsos me fez sentir impotente, como se eu estivesse presa numa prisão emocional que eu não conseguia quebrar. Papai, com o olhar fixo, parecia determinado a me fazer entender algo que eu ainda não estava, e nunca estaria, pronta para aceitar. É assim que as coisas são? É isso que você realmente é? Gesticulei com raiva, indignação, dor, tudo parecendo me sufocar. Ele respirou fundo, como se precisasse encontrar a maneira certa de explicar, mas as suas próximas palavras me atravessaram como uma espada. Eu poderia muito bem não ter dito nada. — Sua mãe está morta. Ele disse, com naturalidade. — Eu a amava, Verena, ela era o amor da minha vida, ela era a dona desta casa. Eu dei a ela o lugar que lhe era devido. Agora ela se foi, e Delia... ela era e também é parte da minha vida. Senti uma onda de ciúme e dor se instalar no meu peito. A ideia de que ele pudesse compartilhar o seu amor com outra mulher, que Delia, a sua filha, tivesse um lugar nesta casa, na casa que a minha mãe construiu e manteve. Essa ideia era insuportável para mim. — Você terá que aceitar a minha esposa, e sua irmã. Ele acrescentou, encontrando o meu olhar. Nos seus olhos, eu podia ver uma mistura de determinação e tristeza, e foi então que percebi que tudo estava perdido. Agora eu entendo tudo, agora eu entendo por que você desapareceu por tanto tempo, porque a mamãe sempre esteve triste, ela sempre soube, ela sabia que você tinha uma amante e uma família além de nós. E agora você quer substituir a minha mãe como se isso não valesse nada, como se ela não valesse nada. Eu disse, movendo os meus dedos desajeitadamente e apressadamente enquanto os meus lábios permaneciam selados. — Não foi assim, Verena. Disse papai com voz autoritária. O que você disser agora não importa mais para mim. Eu nunca vou te perdoar. E se você acha que eu vou aceitar você trazer a sua outra família para cá como se não fosse nada, você está completamente enganado. Não, pai, você perdeu todo o respeito que eu tinha por você. Elas podem morar aqui, por mim, mas não espere nada mais. Gesticulei, virando-me para subir as escadas correndo para o meu quarto. Assim que entrei, me joguei na cama, chorando copiosamente, sentindo como se a minha garganta estivesse sendo cortada com uma faca afiada. Alguns longos minutos depois, ouvi alguém entrar no meu quarto. Eu nem me dei ao trabalho de olhar quem era. Então, senti mãos acariciando as minhas costas. — Minha filha. Ouvi baixinho entre os meus soluços. Era minha babá. Abracei-a com força, deixando-me envolver por seu calor e conforto. — Chore, minha rainha, desabafe todas as suas mágoas. A minha babá me consolou. Fiquei muito grata por pelo menos ela não ter me deixado sozinha. Por quê, Nana? Por que o papai tinha uma vida dupla e traiu a mamãe? Perguntei, e chorei ainda mais. — O seu pai tem mais segredos do que um baú de tesouros, minha menina, mas o que podemos fazer? Ele é quem manda. Pelo menos estamos a serviço dele e devemos obedecer às suas ordens. Por mais que não gostemos da ideia de outra mulher tomar o lugar da sua mãe nesta casa o mais rápido possível, não podemos fazer nada além de ficar caladas e obedecer. Mas eu não... Eu gesticulei. Não preciso tolerar a amante do meu pai e a filha dele. Nana suspirou. — Ela é sua irmã e provavelmente não tem culpa pelo que o seu pai faz. Assim como você, você poderia tentar conhecê-la. Ela me aconselhou, e eu senti tanta dor que não consegui aceitar o conselho dela assim. — Mas é normal que você se sinta traída. Também nos dói que o seu pai não respeite a memória dela. Ele é m*au, o meu pai é m*au. Gesticulei, e abracei a minha babá novamente. Depois daquele dia, nada mais foi o mesmo. Eu não sabia nada sobre o meu pai, não queria saber. Eu não tinha saído do meu quarto, nem tinha ido ao jardim. Até que uma tarde eu decidi ir até lá. Saí do meu refúgio, caminhei até o jardim, onde me sentei na grama verde, colhi uma das rosas da mamãe e fiquei ali observando-as florescerem tão lindamente até que a presença de alguém perturbou a minha paz. Ela se sentou ao meu lado. — Você provavelmente me odeia. Disse a minha meia-irmã. Não ousei olhar para ela. Mas ela estendeu a mão e pegou a minha, me deixando completamente perplexa e pálida com a sua atitude. Olhei para cima e a encarei. Ela tinha os mesmos olhos do papai, o mesmo olhar. — Não quero que sejamos inimigas. Somos irmãs e, assim como você, eu não sabia que o meu pai tinha outra família. Não faz nem uma semana que descobri. Disse ela, e o meu coração batia forte. — Sinto muito pela sua mãe. Não consigo imaginar a vida sem a minha.
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