Voltamos para Velaris dois dias depois. Azriel passou a me treinar mais, intensa e dolorosamente, até nós dois estarmos extremamente cansados, quase rastejando.
Atravessamos para meu quarto, Az e eu sentamos na cama. Cansaço tomou meu corpo. Precisava deitar, e dormir. Me deitei, ainda com Azriel ao meu lado.
- Pode deitar. - ele me olhou. - Não vou fazer nada a não ser dormir. Prometo não te atacar.
Az saiu de fininho pela manhã, coisa que eu sabia que faria. Só levantei horas depois, indo direto para o banho.
Vesti um moletom que ia quase até meus joelhos, uma legging e botas. Andaria por Velaris hoje. Sentiria a paz daquelas ruas, as artes espalhadas, o vento gelado.
♀️
- Você devia estar treinando. - ignorei Az, que começou a andar no mesmo ritmo que eu. - Posso falar de novo, caso precise.
- Não vou treinar. - Az franziu as sobrancelhas. - Não quero.
- Mimada. - provocou.
- Você não é tão falante assim com os outros. - ele me ignorou. - b****a.
- Onde vamos? - Cass pousou ao nosso lado.
- Sidra. - eles me olharam. Estávamos na direção oposta. - Afogar o Az.
Uma risada pelo laço. A maldita risada. Az percebeu minha reação, dando um sorrisinho.
- Acho que não podemos afogar nosso único encantador de sombras. - Azriel encarou Cassian.
Como se estivesse ofendido por, o único motivo de não irmos ao Sidra e o afogar, fosse por ser nosso único encantador de sombras. Gargalhei.
- Pirralha. - balbuciou.
- Velho rabugento. - retruquei.
- Acalmem os ânimos crianças. - Cassian disparou.
A cada cinco passos, dava uma cotovelada em cada um dos dois, que devolviam com a mesma força, ambos mantendo a expressão séria.
Outra cotovelada, me acertaram mais uma vez, com mais força, enterrei os pés no chão para não cair e rosnei baixinho.
- Odeio vocês. - os dois sorriram.
- Nós três sabemos que isso é mentira. - Az ronronou.
- Tenta mais uma vez. - Cass me deu tapinhas nas costas. - Talvez você consiga.
Acertei cotoveladas nos dois e corri. Cassian e Azriel aceitaram o desafio, claro. Estavam no meu encalço, eu sabia que eles iam me derrubar, acelerei o passo e corri mais.
Abri minhas asas, por mais burra que fosse essa decisão e voei. Os dois riram. Eram dois guerreiros de mais de 500 quinhentos anos, que dominavam cada técnica de voo. Era melhor ter continuado correndo.
Vi a casa da cidade cada vez mais próxima, um sorriso vitorioso crescendo em meu rosto. Quando pousei em frente a porta, os dois atravessaram, apareceram na minha frente, e me derrubaram.