CAPÍTULO 16 – THALES (a cadeira anda, mas quem carrega sou eu) Eu tava ali. Na p***a da cadeira. Postura meio torta, braço apoiado no metal frio, o corpo cansado… mas inteiro. Quer dizer, inteiro o suficiente pra aguentar mais um round. O quarto já tava com cheiro de fim. Remédio guardado. Lençol trocado. Silêncio de quem sabe que não vai voltar. A porta abriu sem cerimônia. Bota de salto grosso. Passo pesado. Voz afiada antes mesmo de chegar. — “Já tá bonito de novo, hein?” — era ela. Lara. Minha tia. — “Sentado feito rei no trono da desgraça.” Revirei os olhos. — “Não começa.” — “Não? Tu que começou. Começou quando decidiu cair de cabeça no orgulho e esquecer que ainda respira.” Ela chegou mais perto. Rodou a cadeira de leve, de frente pra ela, me encarando como se pudesse

