A roda ainda girava quando o carro parou. Rua calma. Portão preto. Prédio de fachada fria — igual ao dono. A cobertura tava ali. Onde sempre esteve. Mas eu? Eu não era mais o cara que entrou nela pela última vez. Lara saiu primeiro. Sem dizer nada. Abriu a porta de trás, puxou a cadeira e ajeitou com cuidado. Com respeito. Eu continuei parado por alguns segundos, olhando a entrada como se fosse campo minado. — “Tu precisa de ajuda?” — ela perguntou, com a mão no apoio da cadeira. Respirei fundo. — “Só se tu prometer não filmar.” Ela soltou uma risada curta, mas não respondeu. Era o tipo de resposta que não precisava ser dita. Com esforço, me ajeitei na cadeira. Os braços ainda funcionavam, mas cada movimento era uma lembrança de que o resto não obedecia mais. Ela empurrou co

