Yasmin saiu do carro sem dizer nada. Abriu o porta-malas. Puxou a cadeira. O som metálico das rodas batendo no chão seco me deu uma raiva esquisita. Não dela. De mim. Por precisar daquilo. Por ter chegado nesse ponto. Ela contornou até meu lado, abriu a porta e me encarou com aquele olhar direto, que não oferece consolo — oferece presença. — “Quer ajuda?” Assenti. Não era hora de orgulho. Nem de teatro. Ela passou o braço pelas minhas costas, me ajudou a levantar com calma. O corpo doía. O ego mais ainda. Mas não reclamei. Me ajeitei na cadeira com o mínimo de dignidade possível. Ela agachou, travou o apoio dos pés com um clique seco, depois ergueu o rosto e me olhou de novo. — “Você quer que eu vá com você?” Hesitei. Olhei pra casa. Pra parede descascada, o varal improvisado na l

