capítulo 51 Thales

1603 Palavras

A voz dela. A firmeza. A calma. A coragem. Era como se Yasmin tivesse nascido naquele instante pra me resgatar de um tipo de morte que cadeira nenhuma explica. Não era o corpo. Era o que ficou quando ele quebrou. Luciene ainda segurava a porta. Mas já não empurrava. Já não tremia. Era como se cada palavra de Yasmin rachasse um pedaço do muro. — “Ele veio porque precisa olhar nos seus olhos e lembrar do que perdeu. Não só o movimento das pernas. Mas o que ele era antes do tiro. Antes do menino. Antes da explosão.” Eu não conseguia respirar direito. E nem era pelo pulmão. Era pelo peito. Porque ver Yasmin ali, segurando a minha guerra com as próprias mãos, doía mais que qualquer escombro. — “A senhora sabe por que ele tá nessa cadeira agora?” — ela perguntou. E não esperou resposta.

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