capítulo 52 Yasmim

987 Palavras

A casa ficou pra trás. Mas o peso… o peso ficou na gente. Empurrei a cadeira em silêncio. As rodas rangiam baixo na calçada esburacada. Mas ele não reclamou. Nem eu. Era como se as palavras tivessem ficado todas lá dentro, na sala onde a dor finalmente teve nome, rosto e voz. Thales tava quieto. Não como antes, quando o silêncio era armadura. Agora era diferente. Era o silêncio de quem foi arrancado do abismo com uma mão só — e decidiu não voltar mais pra lá. Quando chegamos no carro, parei ao lado da porta. Abri. Abaixei o banco com um movimento automático. Mas o coração, esse... esse tava acelerado como se tivesse corrido junto. Me agachei na frente dele. — “Vai querer ajuda ou vai bancar o fodão?” — perguntei, num tom que misturava alívio e provocação. Ele me olhou. Aquele olha

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