Ela saiu do carro com a minha carteira na mão. Sem pedir. Sem pedir desculpa. E com aquele andar… A p***a daquele andar que dizia mais do que qualquer provocação verbal. Fiquei olhando. Travei a mandíbula. Respirei fundo. A desgraçada sabia o que fazia. A mão dela no meu bolso? Não foi só por grana. Foi por domínio. Por controle. Por puro prazer de me deixar no limite e sair com aquele sorriso de “se vira aí, soldado”. — “Delicada, uma ova…” — murmurei, ajeitando o corpo no banco. — “Foi quase uma invasão armada.” Mas eu deixei. Deixaria de novo. Porque quando ela me toca… até o silêncio parece respirar diferente. Abaixei o vidro com a ponta dos dedos. Olhei ela entrar no mercado, toda cheia de razão. Como se não tivesse acabado de deixar minha pulsação no talo com meia dúzia de

