Ela terminou de lavar a louça em silêncio. Secou as mãos no pano e largou sobre a bancada com o mesmo descaso com que largaria um jaleco sujo depois de um plantão exaustivo. Foi até onde eu tava. Nem me olhou. Só posicionou a cadeira de rodas com precisão e falou: — “Vamos pro quarto.” Cruzei os braços. Travei a mandíbula. — “Não preciso da tua ajuda.” Ela arqueou uma sobrancelha, o corpo ainda inclinado pra empurrar, mas sem tocar em mim. — “Não perguntei se precisava. Eu disse: vamos.” — “Eu disse que não quero.” — “E eu disse que não me importa.” Ela contornou a cadeira, sem pressa, com o tipo de calma que irrita mais do que qualquer grito. A calma de quem já decidiu. De quem já cansou de dar espaço pra ego ferido. Eu tentei me impulsionar sozinho, por puro orgulho. Dei meia

