capítulo 39

890 Palavras

Ela terminou de lavar a louça em silêncio. Secou as mãos no pano e largou sobre a bancada com o mesmo descaso com que largaria um jaleco sujo depois de um plantão exaustivo. Foi até onde eu tava. Nem me olhou. Só posicionou a cadeira de rodas com precisão e falou: — “Vamos pro quarto.” Cruzei os braços. Travei a mandíbula. — “Não preciso da tua ajuda.” Ela arqueou uma sobrancelha, o corpo ainda inclinado pra empurrar, mas sem tocar em mim. — “Não perguntei se precisava. Eu disse: vamos.” — “Eu disse que não quero.” — “E eu disse que não me importa.” Ela contornou a cadeira, sem pressa, com o tipo de calma que irrita mais do que qualquer grito. A calma de quem já decidiu. De quem já cansou de dar espaço pra ego ferido. Eu tentei me impulsionar sozinho, por puro orgulho. Dei meia

Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR