Quando a morte é pequena e pesa o triplo) O corredor explodiu. — “CÓDIGO VERMELHO! SALA DE TRAUMA DOIS! CRIANÇA EM PARADA!” A frase rasgou o ar como se fosse sirene humana. Todo mundo correu. Não teve conversa. Nem hesitação. Joguei a prancheta longe e fui no instinto. Quando cheguei na porta da sala, vi o corpo. Pequeno. Frágil. Coberto de espuma e manchado de sangue pelo nariz. O menino devia ter no máximo oito anos. Braços finos. Peito mole. Boca roxa. Os olhos fechados, mas não em paz — em ausência. Na maca, um residente fazia massagem cardíaca com os braços tremendo. — “QUANTO TEMPO DE RCP?” — perguntei, já colocando as luvas. — “Dez minutos no local, mais doze no trajeto até aqui. Tá indo pra trinta.” — “Mãe?” — “Do lado de fora. Desesperada. Tá em contenção.” Eu engoli

