Onde a burocracia mata o que sobrou do humano) Eu ainda tava encostada na parede do corredor, com o peito apertado e o olhar grudado no chão onde a mãe tinha desabado, quando ouvi passos vindo pelo lado direito. Sapato social. Batida seca. Pressa ensaiada. Era a médica da sala de trauma. A mesma que tinha declarado o óbito. — “Yasmin.” — a voz era baixa, mas direta. — “Aqui.” Me aproximei. Ela me entregou uma folha dobrada no meio, prancheta com grampos, clip gelado. — “Relatório do caso. A morte foi registrada às 14h27. Causa: parada cardiorrespiratória secundária à afogamento. RCP avançada iniciada no local, sem retorno.” Olhei pro papel. A ficha tinha o nome do menino em letras pequenas. LUCAS SILVA DO NASCIMENTO. Oito anos incompletos. Aluno do 2º ano. Filho único. Afoga

