capítulo 25

1384 Palavras

THALES O silêncio ainda tava pendurado no teto quando o porteiro puxou a poltrona pro lado da cama e se sentou. Sem invadir. Sem bancar o herói. Só ali, firme, como se aquele momento fosse mais sobre presença do que palavras. — “Meu nome é Osmar.” — disse, baixo, ajeitando o boné. — “Se nunca te falei, agora tá falado.” Assenti com um movimento quase imperceptível de queixo. Ainda encarando o teto. — “Te vi outro dia na varanda. Firme na cadeira. Duro no olhar. Igualzinho a mim. Vinte anos atrás.” Aquilo me fez franzir a testa, de leve. Ele continuou. — “Eu era motoboy. Dos bons. Cortava a cidade inteira em duas horas. Vivia com o capacete na mão e o mundo nos pés. Até o dia que um caminhão me arrancou da moto e da vida de uma vez só.” A voz dele não tremia. Mas tinha corte. Tinha

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