THALES O sol ainda batia na varanda quando ouvi o som da campainha. De novo. A p***a da rotação de anjos da guarda que Lara insistia em mandar. Como se cuidado fosse remédio pra alma fodida. A porta abriu e eu ouvi passos. Leves, firmes. Logo depois, a voz. — “Bom dia, senhor Thales. Eu sou a Kelly, a nova enfermeira.” Fingi que não ouvi. Ela se aproximou, passou por trás da cadeira, e puxou uma cadeira pra se sentar ao meu lado. — “A Lara me explicou tua rotina. Disse que precisava de ajuda com curativos, medicação e higiene. E também... que tu não é flor que se cheire.” Não respondi. Só continuei olhando pro lado de fora. Pras nuvens, pro vão entre os prédios. Pensando se cair dali matava mesmo, ou só aleijava mais. Ela levantou devagar. — “Vou começar a organizar as coisas

