NARRADO POR THALES (o gosto do orgulho queimado ainda tava na garganta.) Ela voltou da cozinha com o prato na mão. Sem cerimônia. Sem teatrinho. Parou na minha frente. Me entregou como quem joga uma granada esperando o estrondo. — “Aqui. Come enquanto tá quente. Depois disso, só se tu implorar de novo.” Peguei o prato. Sem agradecer. Ela não esperava que eu agradecesse mesmo. Sentou de volta no sofá, puxou a perna pra cima, ajeitou o prato dela no colo e voltou a comer. Tranquila. Como se não tivesse acabado de me esculachar. Como se não tivesse me deixado sem argumento, sem moral, sem p***a nenhuma. Fiquei olhando o arroz. O vapor subindo. O cheiro invadindo os sentidos. Dei a primeira garfada. E, p***a… tava bom. Ridiculamente bom. Mas nem fodendo que eu ia dizer isso em

