Fiquei ali por alguns segundos. Quieto. Tentando puxar o ar sem parecer fraco. Tentando levantar sem parecer quebrado. Tentando existir sem parecer implorando. Abaixei a cabeça. Encostei as mãos nas laterais da cadeira. Me preparei. E quando forcei os braços pra me erguer… a dor veio como sempre. Viva. Ardida. Real. Mas eu não gritei. Não chamei. Nem dei esse gostinho pra ela. Apoiei no suporte lateral, tirei a calça com esforço, controlei o movimento como quem controla um campo minado. Demorou mais do que eu queria admitir. Doeu mais do que eu tava disposto a encarar. Mas consegui. Mijar nunca tinha sido tão humilhante. Tão mecânico. Tão cheio de silêncio que gritava. Abaixei o olhar. A mão no apoio. A perna sem força. E no reflexo do espelho à frente… …vi a sombra dela

