THALES (acordei no campo minado... mas dessa vez, tinha paz nas bordas) O quarto tava escuro ainda, mas já não era o escuro da guerra. Era o da madrugada prestes a morrer. Abri os olhos devagar. O peito ainda pesava. A garganta arranhava como se eu tivesse gritado por dentro a noite inteira. Mas não era isso que me acordou. Era o calor. O dela. O corpo dela ali, encostado no meu. A respiração lenta batendo no meu pescoço. A mão dela solta no meu peito, como se tivesse esquecido que encostava em território de guerra. Pisquei. Não queria me mexer. Nem respirar fundo. Muito menos pensar. Mas, porra... era inevitável. Porque eu lembrava. Do sonho. Do garoto. Da voz distorcida. Do sangue. Lembrava do meu grito que não saiu. E lembrava dela. Do jeito que me segurou. Fort

