
Ela não teve infância.
Teve perda. Teve abandono. Teve silêncio.
Quando os pais morreram, o mundo dela acabou cedo demais — e o pouco que restou foi um orfanato frio, sufocante, onde ninguém realmente a via. Mas ela nunca foi feita para obedecer. Nunca foi feita para ficar.
Então ela fugiu.
E a rua a moldou.
A dor virou rotina. O medo virou instinto. E a sobrevivência… virou talento.
Foi cantando, em um clube noturno mergulhado em sombras e segredos, que ela encontrou uma forma de existir. Sua voz hipnotizava. Seu olhar desafiava. E mesmo cercada de perigos, havia algo nela que ninguém conseguia quebrar.
Até ele aparecer.
Com um sorriso calculado e promessas irresistíveis.
Fama. Dinheiro. Liberdade.
Um contrato.
Uma mentira.
O que parecia ser a saída se tornou uma prisão feita de controle, manipulação e dor. Ele não queria apenas sua voz — queria ela inteira. Corpo. Mente. Alma.
E ainda assim… ela não se rendeu.
Nunca implorou.
Nunca cedeu.
Até o dia em que tentou fugir.
Mas ele sempre a encontrava.
E naquela noite… ele veio buscá-la pessoalmente.
Sem testemunhas. Sem saída.
Arrastada de volta, com o coração disparado e o desespero queimando por dentro, ela lutou como pôde — até que o ar mudou.
Pesado.
Perigoso.
Fatal.
Eles surgiram das sombras.
Três homens.
Altos. Imóveis. Silenciosos.
Todos usando a mesma máscara branca — fria, vazia, perturbadora. Um pano n***o cobria suas cabeças, escondendo qualquer traço de humanidade. Só os olhos apareciam… escuros, intensos, predadores.
Cada um segurava um taco de ferro.
Firmes. Prontos. Sem hesitação.
Vestidos com camisas sociais de mangas dobradas e calças pretas, eles exalavam controle… e violência contida.
Não disseram uma palavra.
Não precisaram.
O caos veio rápido.
Brutal.
Inevitável.
E, pela primeira vez… o monstro que a perseguia conheceu o medo.
Mas ela não ficou para ver.
Ela correu.
Correu deles.
Porque algo dentro dela gritava que aqueles homens… não eram heróis.
Eram algo muito pior.
Muito mais perigosos.
Muito mais intensos.
Até que suas pernas cederam, o fôlego falhou, e o medo a engoliu por completo.
— Por favor… não me machuquem…
Foi a última coisa que conseguiu dizer… antes da escuridão.
E quando acordou…
Não estava mais fugindo.
Estava presa em um novo tipo de perigo.
Porque aqueles três homens não a salvaram.
Eles a reivindicaram.
E, dessa vez…
Não havia promessa de liberdade.
Só desejo, controle… e um destino muito mais sombrio do que qualquer pesadelo que ela já viveu.

