7 - J.C. Blake

3293 Palavras
J.C. BLAKE Sexta 20:09PM Às vezes me acho um pé no saco por não saber esconder meus sentimentos. E ultimamente o que mais tenho sentido é tristeza. Jenna prolongou sua viagem à Europa e eu não sei o que fazer com tanta saudade. Quando não estou trabalhando — que é praticamente o tempo todo, já que eu só fotografo uma vez ou duas por semana — fico mandando mensagens para ela, às vezes ligo, mas ela não me atende nem responde as mensagens. Ela diz que o tempo está corrido e o fuso horário atrapalha. Eu entendo, mas é f**a não atender nenhuma vez. A maior proximidade que tenho dela é ficar vendo suas fotos com modelos mais bonitos que eu e stores do i********:. O número de seguidores dela triplicou depois que está posando para marcas famosas e agora seu nome saiu nos sites de fofoca e em tudo que é fonte de notícia. Minha namorada é famosa e isso só não está sendo benéfico para mim, que estou perdendo o contato com ela. Sinto como se ela estivesse escapando por minhas mãos. Isso é h******l. A minha única consolação é meus amigos. As coisas ficaram bem mais interessantes quando a Eva veio para cá. Ela m*l me conhece, mas faz um trabalho de ombro amigo melhor do que o do Elliot. — Que ele nunca saiba disso. — Por isso a convidei para ir para festa comigo. Sei que ela vai ser uma boa companhia. E andar na Ferrari do pai dela me faz sentir rico, mesmo que nem esteja perto disso. — Olha esse carro! É maravilhoso! — deslizo minhas mãos pela camurça bege que reveste o interior do carro. É um sonho. Com certeza quero ter um desse. — Toma um lencinho. — Eva me oferece. — Para quê? — Para a baba não cair. Papai disse que tenho que devolver o carro intacto. — deu uma piscadela. Essa garota é uma comédia. Não consigo não sorrir perto dela. — Seu pai deu falta do carro? — coloco o cinto ao mesmo tempo que ela. — Sim. Três dias depois. — ela gira a chave do carro e pisa no acelerador. O carro dá um ronco alto e meu coração acelera junto enquanto a Eva sorri. Aposto que agora estou com uma cara de bobo. Mas não tem como não ficar. Essa máquina é demais. — Pronto? — ela segura o volante e coloca a mão no câmbio. — Sim. — respondo como uma criança no parque de diversões. Ela troca a marcha e pisa fundo. Meu corpo vai para frente e depois bate no banco. Eu não esperava que ela saísse assim tão rápido. Seguro o cinto um pouco assustado enquanto ela dirige loucamente pela rua. Se a Eva fizer um teste de tendência suicida, dá positivo, certeza. E eu tô com medo agora. — Eva, querida. Dá para ir mais devagar? A gente não tá atrasado para nada... — cerro os dentes num sorriso medroso. — Relaxa, Jordan. — ela vira todo o volante e dobramos o quarteirão comigo batendo a cabeça no vidro da porta. — Esses carros são feitos para essa velocidade. — hum, hum. Sei. — passo a mão na minha testa para conferir se tem algum machucado. Sexta 20:22PM Chegamos na metade do tempo que gastaria numa viagem normal. Tiro o cinto e saí do carro agradecendo por estar vivo. Acho que meu coração nunca teve tantos picos de elevação. Hoje posso dizer que minha célula marcapasso está ótima, porque se fosse outro coração não tinha aguentado. — Se não sabe ainda o que ser da vida, seja piloto de Fórmula 1. Sério, você tem talento. — respiro ofegante e aguardo com o cotovelo encostado no capô do carro enquanto ela ajeita o vestido. — Um pouco de emoção na sua vida Jordan. Você se acostuma. — ela para ao meu lado. — Então eu tô bem para entrar aí? — Alisa o vestido no corpo. Quando comprei esse vestido imaginei a Jenna usando-o. Mas agora que ele está no corpo da Eva não consigo mais visualizar no corpo dela. Parece que foi feito para Eva. Faz com que seus olhos azuis fiquem mais vivos. É perfeito. — Está maravilhosa. Sério. Corro grande risco de perder minha companhia para algum cara aí dentro. — estendo meu braço e ela passa o dela por ele, sorrindo. — Obrigada. Tomara que eu encontre mesmo alguém aí, porque você tá f**a da jogada, então... — brinca. Acho que ela se decepcionou por eu ter namorada. Se eu não tivesse namorada, claro que eu iria ficar com ela. Mas a situação é totalmente diferente e eu não consigo olhá-la como alguém além de uma nova amiga. Já o William, isso eu posso dizer que me arrependo de ter feito aquela aposta boba com o Elliot. O Willian não para de dar em cima dela e ela deixa! A Eva é uma tarada. Não sei quem olha com mais maldade, se é o William para ela ou ela pro William. Só que o William não vale nada então não acho que ele devesse ficar com uma garota legal como a Eva. Claro que não vou proibir, porque não sou pai dela. Mas vou abrir seu olho quando possível. — Vamos, sua tarada. — andamos para entrar na festa. Já era de se esperar que a Eva chamaria muita atenção. A maioria das perguntas é se ela é modelo. E também perguntaram se é minha namorada, fui muito parabenizado por ter uma garota tão linda e legal comigo. Eu fico até sem jeito de dizer que somos só amigos, mas a Eva fez questão de explicar todos os m*l entendidos. — Eva? — Uma voz mais do que conhecida soou atrás de mim enquanto contava a Eva sobre o agente da Jenna e a triste história da esposa dele. Eva abriu um sorriso na hora e eu me virei para encarar meu amigo mais s*******o. — Oi William. — ela deixou que ele a beijasse no rosto com um leve abraço. — Você está linda. Nossa! — ele respira fundo olhando-a dos pés à cabeça, com ênfase nos quadris. — Oi para você também, William. — me adianto já que ele aparentemente não me enxergou e dou um gole no champanhe que está na minha mão direita, e à esquerda deixei no bolso da calça. — Oi, Jordan! — ele estende a mão. — Desculpa, minhas mãos estão ocupadas. — dou um leve sorriso. — Engraçadinho. Quem deu ordem de trazer minha futura namorada para cá? — olha de relance para Eva, que sorri enrubescendo. Oi? — Ela me deu ordem. — respondo esnobando. William é louco. Ele sempre diz essas coisas para ficar com as meninas, e o pior é que na maioria das vezes consegue. — Vocês dois são uma comédia. — Eva toma um gole do champanhe sorrindo. — Quem é sua acompanhante? — pergunto curioso. William sempre arranja uma companhia de última hora para essas festas. — Ela tá por aí. Dei um perdido nela. — se aproxima do meu ouvido para cochichar. — Cara, a mulher fuma. Perdi o interesse na hora! — Nossa. Também não tem que não perca! — me arrepio só de pensar no m*l cheiro. — E o m*l cheiro?! — me cutuca, insinuando ânsia de vômito. — Não. Nem fala. Estava pensando nisso. 22:27 PM Eva e Willian dançam parecendo um casal de bailarinos. Nunca pensei que a Eva dançasse tão bem, e o William também. Acho que ele só não tinha achado alguém a sua altura. Eles se divertem tanto. Principalmente a Eva quando o William a gira pelo salão. Enquanto isso estou encostado num balcão assistindo a tudo com meu champanhe. Que tédio dos infernos. Meu celular tem uma sequência de vibrações no meu bolso e sou obrigado a olhar. Não tenho esperanças de que sejam mensagens da Jenna, mas pode ser algo importante. ELLIOT GRAYSON 22:29PM — Hey, vou dormir com a Sierra. Por favor não aprontem na minha ausência. Odiaria ter que m***r meu melhor amigo. — Não surta, mas olha o i********: da Jenna Urgente. Saí imediatamente do w******p sentindo meu coração subir pela garganta enquanto o i********: carregava. Nos stories encontro a Jenna com outro cara numa festa. Ele segura sua cintura como se fosse o acompanhante dela. Uma onda de tristeza desceu pelo meu corpo, mas pior do que isso só a legenda: melhor companhia. O quê?! Por que a Jenna disse isso? Melhor companhia? A melhor companhia sou eu, o namorado dela. O que se passa na cabeça dela?! Meu corpo começa a ficar inquieto e sinto como se todos ao meu redor também tivessem visto esse post. Todos devem estar pensando em quão t**o eu sou. Mas eu sei que a Jenna tem uma explicação para isso. Ela tem que ter. Olho pro último ponto onde vi a Eva e o William dançando, mas não os encontros mais. Agora essa! Eles sumiram. Saio pelo salão a procura dela, sinto que essa festa já deu para mim e o que mais quero é ir para outro lugar. Esse storie da Jenna não sai da minha cabeça. Enquanto ando digito uma mensagem para ela perguntando o que significa isso. Porque na minha cabeça não faz sentido. — Com licença, vocês viram uma garota de vestido vermelho e um rapaz com cara de s****o que estavam dançando agora a pouco? — pergunto para um grupo de mulheres. — Sim. Eles entraram na área de fumantes. — uma delas aponta pro cômodo. E o William estava reclamando agora a pouco do cheiro do cigarro! Desvio das pessoas que estão saindo do lugar e encontro um casal na maior pegação encostados numa parede. Queria acreditar que não são as pessoas que estou procurando, mas o vestido vermelho entrega a Eva facilmente. Não acredito que ela quis ficar com o William. Eu ganhei a aposta. Que m***a! O Elliot vai m***r ele e eu por ter deixado ela fazer isso. — Eva. — chamo seu nome enquanto mantenho as mãos em meu quadril. Ela não ouve. — Eva Grayson! — tento novamente. — Daqui a pouco. — ela diz entre um beijo. William nem sabe que estou aqui. Ele está quase devorando a menina. Nossa! — Vamos logo. Estou com pressa! — Balanço minha perna involuntariamente me lembrando do porquê da minha pressa. Tento não olhar, mas é impossível. William aproveita para tocar cada parte do corpo da Eva e quando ele está próximo a passar dos limites me adianto e a agarro pela cintura, separando os dois, que ainda tentam continuar beijando. Afs, que f**a esse emprego meu de vela! — Espera, Jordan! — William diz sorrindo. Ah filho da mãe. — Espera nada. Vamos embora. Tchau, William. — saio do cômodo com ela em frente ao meu corpo segurando sua cintura. — Nossa, você é pesada, Eva! Ela só riu. Acho que bebeu demais. O que explica ter ficado com o William. Não acredito que Eva ficou com o William. Não acredito que a Jenna postou aquele storie. Que raiva! — Hey! A bolsa dela! — William vem correndo com a bolsa da Eva na mão e um sorriso gigante na cara quando chegamos em frente ao carrão do pai dela. Solto sua cintura e espero ela abrir o carro. — Toma a chave Jordan. Abre o carro. — ela a tira de dentro da bolsa e entrega na minha mão. Não acredito que vou abrir um carro desses. Meu sorriso vai de orelha a orelha. Abro o carro e quando volto a Eva, vejo ela se agarrando de novo com o William, encostado no carro. Reviro os olhos diante de tanta sede de beijar que esses dois tem. Parece que estavam amarrados por um longo tempo sem s**o nem beijo na boca! — Vamos, Eva... — choramingo. Tô de saco cheio de tudo isso. — Espera mais um minuto e eu deixo você dirigir. — me encara sorrindo. Dirigir uma Ferrari? — Com prazer. Pode continuar a pegação. Vou estar namorando essa máquina enquanto espero. — aliso o capô e depois sento atrás do volante. Que volante lindo, que painel lindo. Tô apaixonado. 10 minutos depois Eva entra no carro. Ou o que sobrou dela. Sua boca está com resquícios de batom que consigo enxergar por conta da luz do carro que está ligada. Tiro um lenço da caixinha e entrego a ela. — Para quê? — pergunta arrumando os cabelos. — Limpar a baba do William misturada com a sua e o batom. A revira os olhos aceitando. — Invejoso. — Oi? — a encaro enquanto ela limpa o batom no espelho. Era só o que faltava. — Tá com inveja porque não tem ninguém para beijar. Sua namorada tá na Europa... Jenna e aquele storie... Que inferno... — Não tô não. Só acho que é loucura você ficar com o William. Sabia que ele não vale nada?! — falo seriamente. Apesar do meu conselho ser tardio. — Ciúmes. Você é ciumento. Que bonitinho. — ela sorri para mim. Eu mereço. — Ciúmes de quem?! — mostro desentendimento. — Pisa firme. Depois a gente conversa. — coloca o cinto. Beleza. Agora estou empolgado. Ligo o carro e logo ouço o ronco do motor. Só isso para me fazer esquecer do Storie da Jenna. — A gente vai para onde? Não vamos para casa. Me leva a um lugar legal! — Eva sugere entediada. Eu não queria ir para outro lugar. Mas sei que em casa essa história da Jenna vai ficar martelando na minha cabeça e vou ficar perto do celular esperando a mensagem dela. Talvez seja bom passar em outro lugar primeiro. E a Eva é nova na cidade, sei que o Elliot não vai querer mostrar nada para ela e o William vai querer mostrar o quarto dele. Então vou dar um passeio de Ferrari pela cidade. — Ok. Tem um barzinho no início da cidade que costumávamos ir, antes de todo mundo namorar. Você vai gostar. — piso fundo depois do sorriso de animação da Eva. 22:58PM — Duas doses de tequila por favor. — peço sim que sentamos nos bancos do balcão. Eva está menos acabada depois que arrumou o cabelo e renovou o batom vermelho. — Então Jordan. Por que você quis sair da festa tão de repente? — me encara curiosa enquanto o barman enche os pequenos copinhos de vidro de tequila. — A Jenna postou uma foto com outro cara numa festa. — viro a dose e assinto para que ele encha o copo de novo. A bebida desceu queimando, mas não faço careta. — E daí? Ela é modelo, conhece outras pessoas. Você é mesmo um grande ciumento. para de imaginar coisas doido! — "Melhor companhia", foi a legenda que ela botou. — a encaro e vejo o quão surpresa está. — Ok — ela vira a dose de tequila. — coloca aquela fileirinha de copos. Porque um só não vai dar para gente. — diz ao bartender. Obrigado Eva. — Me desculpa Jordan, pode ser que seja um engano, um truque de marketing, mas por enquanto acho sua namorada uma filha da p**a do c*****o. — Tudo bem. Eu também acho. — viramos a segunda dose. — Vamos beber para você esquecer isso e amanhã você fala com ela. Peça explicações. — É. Não vejo escolha. Ela nem me atende mais. Acho que vai ser difícil ver as explicações dela... — desabafo. As últimas atitudes da Jenna me deixaram arrasado. — Sabe seu problema? Amar demais. — ela solta e logo em seguida vira mais uma dose. 23:48PM — Você tem certeza? — Acho que foi isso que ouvi a Eva dizer. — A Jenna que se f**a. Agora eu tô com você. Você é linda, sabia, Eva?! — Desço o banco do carro para deitar com ela. Não consigo conter a vontade que estou de beijá-la. — Você também é muito... — ela me arrasta e encosta no meu ouvido —... Gostoso. — gargalhamos e depois meu lábio inferior é puxado entre os dentes da Eva, logo em seguida minha língua já está em sua boca. — Hey! — alguém atrapalha e a gente para de beijar. — Que foi? — tento enxergar que é. — Aqui na rua não. Por favor, procurem outro lugar para suas intimidades. Que cara chato! Eu tô com minha nova namorada aqui e ele chega atrapalhando! — d***a! — Eva diz sem conseguir levantar. As 20 doses de tequila que tomamos foram fortes. Eu m*l consigo enxergar as coisas direito. Só o rosto lindo da minha Eva. — Vamos entrar em casa. Vamos ver quem vai atrapalhar a gente lá. — saio de cima dela e a ajudo a sair do carro depois de mim. — Eu acho que não consigo andar, Jordan. — ela se agarra a mim e eu travo o carro. — Eu te levo no braço, meu bem. — a pego em meus braços enquanto ela segura meu pescoço e entramos no prédio. Os porteiros e a recepcionista estão aqui. — É minha nova namorada. — conto orgulhoso entrando no elevador. Quando chegamos em casa nem trancamos a porta. Sigo para meu quarto e a Eva joga os sapatos no chão. Tiro meu blazer e deito em cima dela, que sorri para mim. — Eu estava morrendo de ciúmes de ver o William tocar nesse seu corpo lindo. — a agarro enquanto ela beija meu pescoço. — Tira essa roupa. Quero ver o que você guarda aí de baixo. — sorri m*l intencionada. Sábado 10:12AM Acordo com a Eva me olhando estranho. E agora eu estou olhando estranho. A gente tá abraçado na minha cama e nus! Que p***a que aconteceu?!!!! — Ai m***a! — desgrudo dela e ela que enrola no lençol levantando da cama. — Jordan, que p***a a gente fez?! — olhamos as roupas jogadas pelo quarto. Passo minha mão na testa para ver se minha pele não está queimando agora. Que p***a eu fiz?! — Eva, eu acho que a gente t r a n z o u. — Cochicho a última palavra com minhas mãos na boca. Eu traí a Jenna. p**a que pariu! — Não, não pode ser. — ela fica nervosa. Mas não tanto quanto eu. — Talvez a gente só tenha dormido juntos, nus. — sugere procurando algo. Pego minha cueca que está caída perto de mim e visto por debaixo do cobertor. A gente não pode ter transado. Nada a ver. Ela ficou com o William. — Você não lembra de nada? — Não. E você? — Nada depois da 4° rodada. — digo procurando algum resquício de que fizemos s**o. — Se a gente transou vai ter alguma c*******a por aqui. Eu nunca faço sem. Mesmo estando bêbado. — sacudo os lençóis enquanto ela procura pelo chão. Depois de um tempo não acho nada. — Nada, Jordan. — ela ainda está enrolada no lençol assustada. — Então fica tranquila. Não rolou nada. A gente só dormiu sem roupa. — concluo tranquilo. — Sério mesmo? — ela pergunta ainda com medo. — Sim. — assinto. — Será que o Elliot viu a gente dormindo assim? — Não. Acho que não. Ele dormiu fora. — outro problema me vem à cabeça. Se Elliot visse a gente juntos me mataria. Silêncio confuso. — Então eu vou pro meu quarto. — ela decide e sai juntando as roupas e o sapato do chão. — Daqui a pouco devolvo seu lençol. A gente não transou. Mas provavelmente ficamos beijando, sei lá. Não tem explicação para a gente acordar assim. Que burrada você fez, Jordan!
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