EVA GRAYSON
Domingo, 9:16AM
Minha cabeça tá mais confusa que tudo.
Acho que Elliot não nos viu. Ele não nos viu. Eu tenho quase certeza.
Acho que ele viu. Porque ele fica olhando estranho. Ele está nos testando.
Não, mas ele só chegou depois do almoço. Ele estava sorrindo. Se tivesse visto algo teria nos matado já.
Será mesmo que rolou algo entre mim e o Jordan? Não pode ser. Ele não trairia a Jenna e eu não ficaria com alguém sabendo que ele tem namorada.
A gente só bebeu e não sei como, mas paramos na cama dele nus e acordamos abraçados. Foi isso. Vago. Eu até pensei que era o William que estava abraçado comigo, mas quando vi o Jordan meu coração foi na boca e voltou. É muita loucura.
Não posso ter ficado com alguém que tem namorada.
Passamos o resto do sábado olhando um pro outro tentando lembrar de algo ou juntar as peças enquanto tentávamos ler a mente do Elliot, que parecia que sabia do que fizemos.
Se ele achar que fizemos s**o estou perdida. Ele vai me mandar embora. Vai me deixar no olho da rua. E se for agora vai ser pior, porque acordei com febre.
— O que você quer? Uma sopa? Vou fazer uma sopa. — Jordan levantou da minha cama sem se importar com minha falta de fome. Ele está tão preocupado com a minha saúde que até me assusta. Não sei o que tenho, mas deve ser uma virose. Ou os resquícios da ressaca de sexta. Só pode ser isso. Eu ainda não vomitei toda aquela cachaça, pelo menos não lembro.
— Eva, está melhor? — Elliot vem até o quarto.
— Sei lá. Do mesmo jeito que estava quando você perguntou a 10 minutos atrás. — me aconchego mais no cobertor com frio.
— Você quer um remédio? Quer ir ao hospital?
— Não gosto de remédio. Se eu piorar vamos ao hospital. — minha voz sai baixa enquanto permaneço com os olhos fechados.
— Tudo bem. Eu vou sair um instante, mas o Jordan vai ficar com você. É que tinha prometido à Sierra que iríamos ver a exposição de um amigo.
— Uma hora dessas?!
— Sim. Ele é meio excêntrico. — explica empolgado.
— Tudo bem. Pode ir.
Jordan tá cuidando de mim desde que acordou. Estou até sem jeito porque ele quem estava na bad, porque a Jenna não respondeu suas mensagens até hoje, mas ele deixou de lado e resolveu cuidar de mim.
— Daqui a pouco tá pronta. — ele seca as mãos num pano de pratos 15 minutos depois de entrar na cozinha. Acho que minha sopa vai ser somente água, porque não tem condições de fazer uma comida descente nessa velocidade. Ou deve ser tapioca e ele tá chamando de sopa. De qualquer forma sou grata.
— Obrigada Jordan. Você é um amor. — me mexo o mínimo possível por conta da dor no estômago. Ele senta perto de mim e enrola meus cabelos num possível coque, o que refresca meu rosto. Depois ele coloca o dorso da mão no meu pescoço e na minha testa.
— Parece que diminuiu.
Abro um pouco meus olhos e vejo que ele está com um meio sorriso. Deixo um sorriso aparecer no meu rosto também. Que bom que eu tenho um enfermeiro particular.
— Desculpa te dar trabalho.
— Não é trabalho algum. É um prazer cuidar de você, apesar de que eu queria te ver bem. Tem certeza que não quer ir pro hospital?
— Não. Vou comer sua sopa. — o faço sorrir. Que bom que ele não tá tão triste mais pela namorada. Aquele filhote de Cruz credo não vale nada. Que namorada é essa que não responde o namorado?!
— William ligou. Estava perguntando por você. Eu disse que você não estava bem e ele vai passar aqui mais tarde.
Willian. Ah William. Eita beijo bom. Que p***a, nem falei mais com ele. Será que o Elliot já sabe?
— Será que o Elliot já sabe? Sobre mim e ele... — pergunto receosa. Talvez ele tenha comentado com o Jordan. Eles são BFF.
— Não sei. Ele não disse nada. — Jordan dobra o pano de prato num quadradinho pensativo.
— No que está pensando?
Ele respira fundo. — Nada. Só pensando em como as coisas acontecem rápido. Você e o William. A falta da Jenna... Tudo muito rápido, não acha? — me encara.
— Sim. — concordo. Em uma semana já fiz isso. Papai tem razão quanto a eu não saber o que quero da vida. — Mas a Jenna vai te responder. Relaxa. — dou um leve sorriso confiante e ele sorri negando.
— Só você para me dar esperança, porque ela não tá dando nenhum sinal.
— Ela deve estar sem saber o até dizer. — empurro seu corpo para fora da cama com meus pés. — Vai ver minha sopa. Vai.
Ele sorri levantando da cama e indo até a cozinha. Esse jeito legal que ele tem de ser me deixa com mais raiva da Jenna. Tô quase para pegar o telefone e mandar ela pro quinto dos infernos, mas tô sem força para isso.
Logo ele volta com uma tigela na mão, mexendo a sopa. Sento na cama encostada na cabeceira e coloco o travesseiro nas minhas pernas. Ele também trouxe uma bandeja, então serviu para botar a tigela em cima.
— Toma minha paciente. — ele me entrega a tigela com cuidado. Ainda tá soltando um pouco de fumaça. Mexo a colher no líquido amarelo e encontro vestígios de carne e verduras. Ele cortou rápido. Parece até boa. — Não vai tomar?! para de olhar e toma! Já tô com vergonha da sua demora.
Rio da cara de ansiedade dele. Parece que foi a primeira vez que fez sopa.
Dou uma colherada. Não está r**m. Sério, está bom. Desce gostoso.
— Tá boa. Sério. — assinto enquanto ele me assiste comer orgulhoso.
— Que bom. Estava preocupado com as pernas da rã...
— O quê?!!!
— As pernas de rã que coloquei para dar um sabor na sopa. — conta como se fosse algo normal.
— Que nojo, Jordan!!!
Paro a colher no meu meio do caminho e o encaro. Meu estômago revira só de pensar de posso ter comido uma rã. Mesmo que não seja verdade. Pense num ser que tenho nojo!
Entrego a tigela de sopa ao Jordan e levanto da cama correndo enquanto sinto a comida voltar pelo meu esôfago. Corro pro banheiro e vomito tudo. Tudo mesmo. Quando vejo o vômito sinto mais vontade ainda de vomitar e continuo nesse ciclo por mais duas vezes.
Jordan aparece na porta e baixo a tampa dando descarga para ele não ver o almoço de ontem. Limpo minha boca.
— Tá tudo bem por aqui? — me encara encostado na porta.
— Sim. É que você falou rã... — sinto meu estômago revirar de novo e a ânsia de vômito.
— Ok. Vamos pro hospital. Isso não é normal. — me ajuda a levantar e pega um casaco para eu vestir e a chaves do carro me arrastando para fora de casa.
Não queria ir pro hospital. Odeio aquele lugar. Me deixa agoniada, com medo de pegar doença, triste por quem está doente. É h******l. Mas preciso mesmo ir lá. Eu não tô bem.
9:41AM
— Vamos deixar você no soro e em observação. Parece que não é nada muito grave. Sua temperatura não está muito alta. — o médico diz olhando o termômetro.
Uma enfermeira vem logo depois e coloca a agulha do soro na minha mão. Fecho meus olhos pedindo para que o tempo passe mais rápido. Essa situação me deixa ansiosa.
O médico sai junto com a enfermeira, deixando somente eu e o Jordan, que está sentado na poltrona me olhando mais aliviado. Ele ficou muito nervoso no caminho para cá.
— Vai ficar tudo bem. — ele diz e sorrio.
— Eu sei. Só odeio esse lugar. — minha cara não n**a.
— Eu também não sou muito fã daqui, mas não tem jeito.
— Avisou ao Elliot?
— Ainda não. — ele pega o celular.
— Então deixa. Tá tudo bem comigo, ele não precisa se preocupar. Só quero que isso passe logo.
10:55AM
O médico voltou depois que acordei de um belo cochilo. Me sinto bem, bem melhor, parece que as dores evaporaram. Acho que o Jordan saiu enquanto eu dormia, porque ele está com um copo de café na mão, o que deve ter comprado em algum lugar. Acho que dormi demais.
O médico passa a caneta pela minha testa e olha a temperatura com um sinal positivo.
— Muito bom. Como se sente?
— Bem melhor. — dou um sorriso aliviado.
— Você ingeriu álcool nos últimos dias? — analisa meus exames.
— Sim. — não acredito que ele viu isso no meu sangue.
— Bebeu muita água?
— Não. Ela quase não bebe. — Jordan responde por mim estreito os olhos para ele. Que enxerido! — E eu aconselhei ontem a ela tomar, mas não me ouve!
Ele aconselhou mesmo. Mas eu não tomei.
— Deveria ouvir seu namorado. Você estava desidratada. — me encara severo.
Namorado?!
Olhamos um pro outro e o Jordan cobre a boca rindo.
— Beba muita água para expulsar o resto do álcool do seu corpo. Okay? Está de alta. — O médico deu um sorriso amigo e saiu.
Era só o que faltava.
Como depois de um dia ainda tô com álcool no meu corpo?! Se bem que ontem passei o dia todo com dor de cabeça e ela permaneceu por hoje. Mas não esperava que demorasse tanto assim. Pelo menos não é virose.
— Trouxe umas roupas para você namorada. — Jordan levanta da poltrona rindo com uma sacola na mão depois que o médico saiu.
— Engraçadinho. Onde você pegou essas roupas?!
Só faltava ele ter comprado. Numa bolsa da Gucci!
— São suas. Peguei em casa. — me entrega a sacola e encontro um short jeans branco e uma t-shirt preta com a frase: só vim pela comida. Pelo menos sabe combinar as roupas.
— Por quanto tempo eu dormi? — passo para trás da cortina para tirar a roupa do hospital e vestir a minha.
— Sei lá. Mais de uma hora. Já estava cansado de ficar te olhando.
Dou uma risada só de imaginar ele me assistindo dormir. Eu devo dormir muito f**a.
— Humm. Cuidado para não se apaixonar me assistindo dormir. — digo irônica e abotoo o short. Ele ri um pouco alto e depois que visto toda a roupa saí das cortinas.
— Foi isso mesmo que pensei. — Me entrega o celular sorrindo. Ele ainda concorda, não acredito. Só o Jordan mesmo para me fazer rir depois de um passeio no hospital. — Pronta?
— Sim. Tô morrendo de fome. — o acompanho saindo do quarto.
— Eu estava pensando em ir para minha casa. A Rosie deve ter feito um banquete porque o Elliot tá lá, e na nossa casa não tem nada para comer além daquela sopa h******l que eu fiz. Tudo bem para você?
— Ir na sua casa? — Isso significa conhecer a família dele e a sogra do Elliot. Não sei se tô preparada para isso, o que vão pensar de mim quando souberem que fui internada por conta do álcool? É um vexame. Mas acho que ninguém vai falar sobre isso. Eu não vou falar sobre isso pelo menos. Eles vão me ver assim f**a, com cara de doente. Nossa Eva, que m*l dia esse. — Tudo bem para mim. — me dou por vencida. A fome tá demais. — É perto?
— 20 minutos, mas a gente compra algo para você ir comendo no caminho — me tranquiliza e sorrio aliviada. Jordan é tão alto que quando ando ao seu lado me sinto uma criança. Ele passa o braço por meus ombros e saímos do hospital.
11:30 AM
Chegamos à casa do pai do Jordan e ele estaciona o carro na área da garagem aberta. A casa é tipicamente americana, o que eu acho um amor. Toda amadeirada.
Amarro a sacola com o lixo que restou do hambúrguer que comi e olho minha aparência pelo retrovisor. Estou menos pálida, mas meus lábios ainda estão secos e soltam uma pele fina. Meus cabelos estão enrolados no coque e com uns fios soltos porque não consigo prender tudo quando enrolo. Talvez eu não esteja tão r**m. Mas não estou tão bem também.
— Todo mundo vai gostar de você. Relaxa. — ele abre a porta do carro e sai, contornando a frente e se encosta ao lado da minha porta de braços cruzados enquanto puxo a pelezinha dos meus lábios que está soltando. Infelizmente isso acaba de ocasionar um r***o no meu lábio inferior que arde que é uma beleza. praguejo abrindo a porta.
— Que foi? — Jordan se afasta do carro.
— Meus lábios estão ressecados. Puxei uma pelezinha e rasgou. — faço careta tocando o lugar.
—Deixa eu ver. — ele descruza os braços e segura meu queixo com uma mão enquanto a outra puxa meu lábio. Sua cara de examinador é engraçada. Franzindo o espaço entre as sobrancelhas como se entendesse de alguma coisa. — Pega um labial da Sierra que melhora. Ou batom de Cacau.
— Jordan? — Elliot diz saindo de casa e o Jordan solta meu queixo. Sierra está com ele. Tranco a porta do carro e travo.
— Oi. — Jordan vai até eles e eu o sigo.
— Eva você tá bem? Estava no hospital? — reviro os olhos porque falei pro Jordan não contar a ele, mas mesmo assim ele contou. Elliot é muito chato com a doença. Parece a minha mãe. — Ficou em observação? — segura meu puxo e puxa a pulseira do hospital que infelizmente esqueci de tirar. Não foi o Jordan quem contou. Que bom saber que posso confiar algumas coisas a ele.
— Foi, mas boa notícia, estou novinha em folha. — abro os braços dando uma grandiosidade a minha notícia junto com meu grande sorriso.
— E foi sem nenhum remédio. Só com soro. — Jordan completa enquanto o Elliot me abraça.
— Você está permanentemente proibida de tocar e álcool. Não é para tomar nada, nem um miligrama ouviu! — Elliot proíbe com o dedo apontado para mim.
— Okay papai. — reviro os olhos e me afasto dele acompanhando a Sierra. — Tudo bem Sierra? — a cumprimentei.
— Sim. — ela sorri.
— Sierra dá um labial para ela. Seus lábios estão rasgando. — Jordan lembra.
— Ah sim. Vamos até o meu quarto. — ela passa o braço dela pelo meu e entramos na casa.
Não tive chance de ver a mãe dela. Subimos as escadas e entramos num quarto bem clean. Com uma cama de casal, uma estante de livros e um painel metálico com várias fotos pregadas por botões de imãs. Várias delas são com o Elliot e com o Jordan.
Ela revira uma gaveta de uma pequena cômoda e tira um brilho labial que me entrega. Me viro para um espelho grande e o deslizo pelos meus lábios. Tem cheiro de morango.
— Obrigada. — devolvo quando termino de passar.
— Não. — ela se recusa a pegar sentando na cama. — Fica com ele. Quando você almoçar vão sair. Tem que ficar retocando toda hora.
Nem pensei nessa possibilidade.
— Okay. Obrigada então. — o guardo no bolso do short. Ela aponta a poltrona atrás de mim e me sento. Eita poltrona fofa!
— Então... O que tá rolando entre você e meu irmão? Vocês parecem estar bem próximos... Foram para uma festa juntos... Ele cuidou de você enquanto estava doente... Estava analisando seus lábios na frente da casa... — me encara com um sorriso pretensioso.
Talvez tudo isso pareça algo. Mas não tem nada. Parece que ela não sabe o quanto o Jordan ama a Jenna.
— Não temos nada. Somos só amigos. É que seu irmão é muito legal. Ele me trata muito bem. — explicou e ela torce o bico aparentemente frustrada.
— Que pena. Prefiro você do que a Jenna. Ela é um pé no saco. Manipula o Jordan como um brinquedo. Isso que ela tá fazendo agora, sem responder as mensagens dele, o ignorando, isso tudo muda quando ela voltar. Vem com o papinho de que não tinha tempo e ele perdoa tudo. O Jordan é muito inocente quando o assunto é a Jenna. — explica me deixando frustrada também.
Eu esperei bem. Do jeitinho que imaginei que essa Jenna era ela é.
— Coitado do Jordan.
— É. Mas ele não fica com outras porque não quer. Chove mulher para ele. Mas ele só tem olhos para ela. Parece macumba. — rimos no final.
— Chá de calcinha. — sugiro ainda rindo.
Alguém bate na porta e olhamos. Jordan. Será que ele ouviu nossa conversa?
— Almoço tá pronto.
— Sim. Vamos, Eva. — Sierra se levanta e eu a acompanho.
— Melhorou dos lábios? — Jordan segura meu braço e meu queixo analisando meus lábios. Isso é muito estranho porque ele é muito lindo e em outra situação ele me beijaria agora. Na situação onde ele não é o cachorrinho da Jenna. — cheirinho de morango!
— Sim. — Me solto e acompanho a Sierra. Não aguento esses olhares.
Quando chegamos na cozinha encontramos uma mulher bem sorridente ao lado do balcão.
— Eva, essa é minha mãe, Rosely. — Sierra segura seus ombros. Estendo minha mão para cumprimentá-la, mas ela me arrasta e me abraça forte. Eu nem tô cheirosa. Acho que cheiro a hospital.
— Que menina linda! — me aperta e a Sierra fica rindo. — Pode me chamar de Rosie. — ela me solta sorrindo.
— Tudo bem. — Olho pro Elliot que está sorrindo também.
— Senta aqui. — me mostra um lugar na mesa. — Você gosta de lasanha?
— Sim. — assinto animada, enquanto todo mundo senta.
— Então pode comer à vontade. — ela descobre uma forma de vidro enorme cheia de lasanha. Tô num paraíso. Jordan me fita sorrindo e me lembro de hoje cedo.
— Vocês não fazem lasanha de rã não né? — fico com medo de acontecer o que aconteceu antes e eles riem.
— Não. — Rosie responde convicta.
— Relaxa Eva. A sopa não era de rã. — ele tenta reverter meu trauma.
— Assim espero. — sorrio levemente enquanto Rosie coloca um pedaço gigante de lasanha no meu prato. Esse almoço vale a pena.
— E a exposição Elliot? — Jordan pergunta quando todos já estamos comendo.
— Foi legal. — Elliot não desvia os olhos do prato.
— Eu não entendi nada. — Sierra conta de um jeito cômico. — Umas lupas, o sol e umas telas brancas. É algo que não vou pregar na minha parede, porque de noite não iria ser arte só um quadro limpo.
Rimos.
A porta se abre e um homem alto e forte passa por ela.
— Olá, família! — ele está todo bronzeado e usa uma roupa de mergulho.
— Pai! — Jordan parece feliz.
Nossa. Que genética!
— Meu filhão! — bate no peito do Jordan e depois no do Elliot — Meu futuro genro!
— E aí Brady!
— Papai. — Sierra recebe um beijo na cabeça.
— Minha loirinha linda. E minha outra gata. — ele beija a Rosie na testa depois olha para mim. — E essa princesa?
— Eva. — estendo minha mão um pouco intimidada. Ele a aperta firme e sorri.
— Minha irmã. — Elliot lembra.
— Ah. Não sabia que você tinha uma irmã. Pensei que era um irmão. — ele senta ao lado de Rosie. — Lasanha. Meu prato predileto.
— Troca de roupa primeiro Brady. Tira um pouco do sal da sua praia artificial. — Rosie zomba incomodada.
Praia artificial? Vixi que povo diferente!
— Depois. Agora estou morrendo de fome. — ele coloca a lasanha no prato e Rosie desiste de convencê-lo. — E a Jenna, notícias Jordan? — O fita rapidamente. Eu também o encaro, porque já enchi a barriga com tanta lasanha. Jordan está tentando não mostrar nenhum ressentimento pelo descaso que ela tá fazendo.
— Tá na Europa ainda. Parecia estar muito bem da última vez que tive notícias. — continua comendo.
14:27PM
Deitei no sofá enquanto o Elliot subiu com a Sierra para o quarto. Rosie está no jardim e Brady dormindo. Jordan está sentado no outro sofá, estamos assistindo a um filme. Descompensada. Mas minuto ou outro estou cochilando. É que meus olhos pesam, o sofá é confortável. Tudo muito propício para dormir.
— Acorda. — Jordan toca seus dedos do pé nos meus e eu acordo um pouco assustada. Ele levanta e senta no tapete, ficando encostado no sofá que estou, com a cabeça perto de mim.
— Seus pais são legais. — tento me segurar para não passar meus dedos entre os fios dos cabelos dele. Parecem tão sedosos.
— É. A Rosie é como uma mãe para mim. E meu pai é uma figura. — conta olhando a TV.
— Ela não é sua mãe biológica? — pergunto surpresa. Eles se dão muito bem.
— Não. Meu pai já está casado com ela. Eles tiveram a Sierra. Depois meu pai pulou a cerca e engravidou uma garota bem mais nova, que só queria curtir a vida e não era nada responsável. Eu nasci e ela não sabia cuidar de mim direito. Então meu pai preferiu ficar comigo. A Rosie nunca me destratou, mesmo eu sendo fruto de uma traição. Ela é uma ótima pessoa. Mais mãe que a minha mãe biológica.
Não sei em que momento aconteceu. Mas minha mão já está lá na cabeça dele, fazendo cafuné. Essa história me deixou na lua. Que loucura. A Rosie é mesmo uma mulher incrível.
— E a sua mãe biológica? Você tem contato com ela?
— De vez em quando a vejo. Ela mora em outra cidade. Ela é legal e me dou bem com ela, se é o que quer saber. Mas prefiro estar mais próximo da Rosie.
— Entendo. — tiro minha mão da sua cabeça.
— Continua. — levanta a cabeça para minha direção. — Estava tão bom seu carinho.
— Eu mereço. — sorrio voltando a acariciar seu couro cabeludo.
Mais tarde voltamos para casa. A Rosie fez questão de me dar uma bandeja com lasanha para comer depois. E eu claro aceitei com muito gosto. Ela cozinha muito bem. Guardei para comer no outro almoço. Isso se os meninos não comerem antes é claro.