Capítulo 6: Pensamentos conflitantes.

1178 Palavras
Respirando ofegantemente, Eduarda sorri por ter sido audaciosa em responder o seu cliente de que não é casada, mas ela mesmo com o seu coração batendo freneticamente, ela não entende porque fez tanta questão em responde-lo sobre o seu estado civil. Ligando o seu carro, ela dirige rumo ao seu apartamento. No caminho, o seu celular toca, é um número desconhecido. Ela coloca o seu fone e conectado ao painel do carro, ela aperta o botão no volante e atende. - Alô Doutora Medeiros falando. - Só queria saber se a sua voz era tão gostosa assim pelo telefone quanto é pessoalmente. Eduarda freia bruscamente. Ela fica atordoada pois, aquela voz era de quem ela estava a pensar agora a pouco. - Henrique? – Ela pergunta ressabiada. - Quem mais seria se não eu mesmo dona. – Ele ri. A risada dele é tão gostosa, que faz até a sua calcinha molhar excitada por ouvir aquela voz rouca e aveludada imaginando ser ao pé do seu ouvido. Ela suspira. - Se eu tivesse aí... Ela morde o lábio imaginando as loucuras que poderiam fazer no carro, no seu apartamento e até no cafofo dele no morro dos macacos. Voltando ao seu normal, ela com a sua postura recomposta, dispara friamente. - Não se esqueça que é meu cliente senhor Fontes. - Eu não esqueci dona, mas queria mesmo falar com você e ouvir a sua voz. Desde que me falou não ser casada, fiquei louco. Mudando de assunto, ela o indaga sobre a ligação. - Que eu saiba o senhor não pode estar usando o telefone. Como foi que conseguiu me ligar? Ele gargalha. - Tenho os meus meios. - Nem quero saber quais são. Agora preciso desligar. Tenho que entrar com a petição do DNA e do habeas corpus. Só não entendo porque o seu antigo advogado não fez tudo isso antes. - Ele é um fingido isso sim dona. Alguém mexeu os pauzinhos para ele não me tirar daqui. – A sua voz sai entrecortada com raiva. - Entendo. Mas agora realmente preciso desligar. – Ela fala num fio de voz. - Sim, eu também. Daqui a pouco passam aqui para a ronda. - Então até a próxima visita para lhe trazer boas notícias. – Eduarda sorri. Ele sorri e logo murmura algo antes de desligar a deixando pensativa. - m*l posso esperar. Ela fica atônita. O seu coração parece que vai sair pela boca de tão acelerado que está. Ouvindo uma buzina de duas motos que passaram por ela, Eduarda se recompõe e segue para o escritório para tratar da petição. Ao chegar, a sua secretária e recepcionista Michele, lhe avisa que Júlio saiu para uma audiência e não retornaria mais naquele mesmo dia para o escritório. Ela achou muito bom e respirou aliviada já que mais cedo presenciou aquela cena deplorável que se olhasse para ele ainda hoje, as lembranças viriam com força total e a mesma sentiria vontade de vomitar. Na sua sala, ao sentar-se na sua cadeira, ela murmura consigo mesma desapontada. - Se ele não fosse meu sócio e nem fosse tão competente, com certeza o expulsaria daqui sem nem ao menos pestanejar. Balançando a sala cabeça para tirar aquilo tudo dos pensamentos, ela resolve ligar para a sua amiga maluquinha. Precisava sair para espairecer e ela era a melhor opção. - Lembrou-se de mim quenga! Gargalhando, Eduarda retruca divertida. - Sempre lembro da minha quenga favorita. - Como se eu não soubesse que eu sou a única que você tem na vida! – Mariana fala convencida. - Mari, queria saber se topa um vale night hoje, o que me diz? - Opa, falou a minha língua gata! Onde iremos dessa vez? - Como hoje é sexta, o que acha de irmos ao baile funk no morro dos macacos? - O que?! – Mariana grita surpresa. - Ai mulher não grita, estamos falando no telefone e meu ouvido não é pinico não. - Que merda foi que você bebeu ou comeu hoje? - Por que? – Ela ri e fala desentendida. - Sempre que te chamo para irmos lá, você sempre desconversa, isso quando não vem com aquele discurso de que “é perigoso demais” e blá blá blá. - Mari, eu preciso ir. Um dos meus clientes mora lá. E além do mais estou indo para investigar. - Quem é o seu cliente? Ah, nem me fale. – Mariana dá de ombros. - Também não iria te falar. Você sabe como eu sou com relação aos meus clientes. Não fico aí falando dos casos que defendo. É antiético. Mariana bufa. - Sei. Mas o que pretende descobrir? Isso acho que pode me falar né, já que vai me enfiar numa sinuca de bico mesmo. - Quero saber da outra parte, ver se é do jeito que andei sondando por aí. E aí topa? - Vou chamar o Raul. Ele vai nos acompanhar. Ele tem passe livre lá dentro e vou te levar lá. Mas esteja pronta umas 12 horas. Vamos sair pro baile que vai tá fervendo depois das 2h da madruga. - Tá bom. Combinado. E ó, beijo na b***a mocreia. – Eduarda fala rindo. - Mocreia é a pu... Eduarda desliga rindo por ver que a sua amiga ainda fica enfezada quando chamada de mocreia. Ela gira a sua cadeira e olha pela grande janela atrás da sua mesa do chão ao teto o horizonte na sua frente. Os seus pensamentos conflitantes pairam na sua mente a deixando ainda mais confusa pelo que está sentindo por aquele que também na sua cela pensa nela a cada segundo. Ela suspira e vira-se de volta para a sua mesa e começa a digitar a petição de solicitação do DNA para ele e o pai de Estefane. Hoje, ela irá convencê-la a falar a verdade e com isso, fazer com que o pai dela seja indiciado para fazer também a coleta do seu material. Aproveitou também para solicitar o habeas corpus e ainda hoje, encaminharia os dois documentos para o promotor encaminhar ao juiz e protocolar o pedido. ~~~~~~~~~~~~~~~~~~ O dia além de estressante por estar dentro de uma cela com mais seis presos, Henrique se sentia entediado, queria muito falar com Eduarda e cada vez mais que pensava nela, a vontade que tinha, era de correr para os seus braços e poder fazer dela a mulher mais feliz e amada do mundo. - Que merda de vida! Sou uma droga de um ferrado. - Resmungando o que aí Henrique Fontes? Ele reconhece a voz e ao olhar em direção de onde aquele som estridente vem, ele sorri sarcástico e fala para o carcereiro que estava fazendo a sua ronda. - Estava pensando numa dona que assim que sair daqui será minha. - Se for quem eu penso, pode estar certo que ela não será sua nunca. – O carcereiro debocha e sai a rir pelo corredor daquele presídio. Com um sorriso largo, ele pensa. - Ah, mas ela vai ser minha sim, nem que eu tenha que sequestra-la. Continua...
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