Capítulo 7: O baile

1483 Palavras
Eduarda estava arrumada esperando somente o horário que a sua amiga ficou de passar no seu apartamento para elas irem com Raul ao baile no morro dos macacos. Optou de não ir muito chamativa, mas por ter um quadril largo, não tinha como não chamar a atenção mesmo estando com uma calça jeans colada no corpo. Sandália Anabela marrom com um cropped branco e uma bolsa de lado da mesma cor da sandália. Fez uma bela maquiagem e deixou os seus cachos soltos e volumosos. Se sentiu poderosa ao se ver daquele jeito. Pensou em ligar para Vinícius p***o que todos conhecem no morro e por seu chefe como trator, mas achou melhor não o fazer. - Se eu ligar, com certeza ele pode falar com o senhor Fontes e o que tenho em mente pode ir por água abaixo. – Eduarda ao se olhar no espelho se perde nesses pensamentos. De repente, o seu celular toca. Ela sorri malandramente e rindo atende a sua amiga em zombaria. - E aí mocreia. Bufando, Eduarda sorri e internamente já vê em sua frente a imagem da sua amiga revirando os olhos de raiva e vermelha. - Ô sua filha da... – Eduarda a interrompe. - Alto lá. Minha mãe não é mais viva para você pensar em ofendê-la e mesmo se tivesse não dá o direito como tal minha cara. - Putz Duda. Eu quero falar com você e tem horas que esqueço que é advogada. Eduarda gargalha e então pergunta. - Já estão aí embaixo? - Já quenga. O Raul vai nos levar na charanga dele. – Mariana fala rindo ao citar o carro do Raul. O mesmo que está ao seu lado, dá um leve empurrão no seu ombro e a mesma o fuzila com um olhar assassino. Ele, para provoca-la, treme a sua mão na frente dela, debochando que está com medo da cara feia dela. - Já estou descendo. – Eduarda fala sorrindo olhando pela janela do seu apartamento. Ela avista o carro do Raul na frente do prédio. Mariana fala entre os dentes olhando para Raul como se fosse arrancar a cabeça dele. - Anda logo, antes que eu mate alguém aqui no carro. Eduarda gargalha e desliga o celular. Colocando-o na bolsa, ela caminha em direção a porta e dá uma leve olhada para a solidão do seu apartamento e suspira. Em alguns momentos da sua vida, ela sente esse vazio e essa ausência que pode ser preenchida por alguém. Mas logo espanta esses pensamentos dando uma última olhada e ajeitando os seus cabelos no aparador com espelho próximo a entrada da porta. - Você é linda, poderosa, acredita, pode, consegue e merece. – Eduarda fala essas palavras para si mesma e abre a porta. Esse é um dos lemas que ela e a sua amiga sempre falaram desde que se conheceram e a mesma passou por problemas ora por conta do peso, ora por conta do tamanho, ora por conta da cor e por aí vai. Uma menina que hoje é um mulherão como ela é hoje em dia, passou por muita coisa no seu passado que precisou passar por terapia por um bom tempo, já que a sua baixa estima agravou após a morte da sua mãe. Um dos bloqueios da sua mente, é não se lembrar do rosto e nem de toda a cena do que aconteceu na frente daquele shopping em que a sua mãe morreu na sua frente e nem que ela estava protegendo a sua garotinha. Eduarda, vive hoje em dia bem e feliz depois das sessões de terapia e pela sua mente mesmo ter guardado no fundo do “baú”, aquelas imagens a fazendo se erguer. Assim que ela chega no saguão, ela escuta a discursão entre os dois que estão a esperando no carro. Ela sorri e balança a cabeça em negativa. Vem caminhando lentamente até chegar frente a porta do carona e escuta uma parte da discussão acalorada. - Você é um i****a mesmo Raul. Nem ouse me tocar novamente ou eu corto o que você tem de mais precioso e jogo no mar! – Mariana grita com o dedo indicador rente no rosto de Raul. Raul fica cada vez mais furioso. Detesta ser afrontado e muito menos que lhe coloquem o dedo na face. - Como seu eu quisesse tocar em você. E tira esse dedo seu sujo que só Deus sabe onde colocou da minha cara. – Raul grita de volta com raiva. - Olha aqui seu... Eduarda resolve intervir por ver que já estão extrapolando de mais. Ela bate na janela do carona atraindo a atenção dos dois que se viram em direção a ela do carro e Mariana abre a janela olhando para ela com a boca borrada do batom vermelho que ela está nos lábios. A vontade que a sua amiga em ao ver que a boca está borrada e se inclinando a olhar em direção a Raul, ver que ele também está com a boca suja, ela tem vontade de rir, pois sabe que ali há uma certa tensão que deve ser resolvida na cama. - Até que enfim chegou. – Mariana fala ao abrir a porta e abraçar a amiga. - Atrapalho? – Eduarda pergunta retribuindo o abraço. Raul desce do carro e segue até o ouro lado para cumprimentar Eduarda. Assim que ele lhe abraça com um sorriso sem graça, ela se afasta e indaga. - E então vamos a esse baile ou não? - Vamos sim minha quenga. – Mariana sorri e dá uma piscadela para ela. Entrando no banco de trás, Raul olha de relance para Mari que só agora os dois ao se entreolharem, veem que estão com a boca borrada pelo batom dela. Os dois arregalam os olhos para o outro e apontam na direção das suas bocas em choque. Eduarda, que já está dentro do carro ri vendo-os um limpando a boca do outro. Assim que terminam, Mariana entra no carro colocando o cinto e olhando pelo espelho da porta em direção a Eduarda que está se segurando para não explodir gargalhando deles. Raul assim que adentra no carro, olha pelo espelho retrovisor e não encarou Eduarda, mas ajeitou os cabelos e após pigarrear, olha para trás e em seguida para Mariana. - Todas prontas? - Sim. – As duas respondem em uníssono. Ele sorri e liga o carro seguindo para o morro em que irão curtir o baile. Depois de um tempo na estrada, eles chegam na entrada do morro em que há alguns meninos com fuzis na mão. São os “soldados” do Alemão Dark fazendo a segurança para impedir que outras facções ou até mesmo a polícia adentrem sem ser convidados ou queiram invadir. Eduarda, que nunca tinha vindo a uma festa desse tipo em uma comunidade, vendo aqueles garotos que pelo jeito deveriam estar em casa dormindo para irem para a escola ou estar em casa estudando, estavam ali no mundo do crime. O seu olhar é de medo. Os garotos que estão ali como uma barreira, veem Raul chegar com as duas amigas e eles que já o conhecem de outros carnavais, abre espaço para que ele entre com elas arrancando de cada um, olhares maliciosos. Mariana entrelaça a sua mão na de Raul que sorri interiormente sem demonstrar a ela que está satisfeito de vê-la andando com ele daquele jeito. Já Eduarda, segura no braço da amiga olhando ao redor um pouco apreensiva. O som que estava ecoando baixo, cada vez que se aproximam, vai aumentando cada vez mais o volume e até risos e gritos ecoam junto com a música. O local em que acontece o baile é em uma espécie de campo onde os meninos e meninas batiam uma pelada por ali. Tudo ali foi construído para que fossem feitos os bailes e tivessem espaço para que mais pessoas pudessem frequentar. Ao primeiro momento, Eduarda fica impactada ao ver tanta gente em um lugar só. Mulheres subindo e descendo em uma dança sensual. Homens babando por essas mulheres e outros enchendo a cara de bebidas alcóolicas. Agora, depois de chegarem em um local em que Raul denomina de “vip”, onde só os convidados e parceiros do dono do morro que podem ficar, ela pode ver do alto aquela multidão e no fundo sentir uma alegria intensa por dentro e ficar fascinada. Enquanto Raul foi pegar três cervejas para eles, no corrimão de ferro daquele lugar, Eduarda e Mariana ficam a observar, conversar e rir olhando para todos aqueles que estão ali em baixo delas. De repente, Eduarda sente uma mão tocar no seu ombro, ao virar para a sua surpresa é o braço direito do seu cliente. - Doutora, o que a senhora faz aqui no morro? – Ele pergunta-lhe surpreso. Ela sorri sem graça e o cumprimenta. - Olá Vinícius. Continua...
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