A noite passou rápido para quem estava apaixonado, foi longa para quem estava triste e completa para quem se entregou ao sentimento.
Eduarda estava nas nuvens quando acordou logo pela manhã. Estava tomando o seu café, arrumada e suspirando pela noite que teve no baile e tudo o que aconteceu o que pareceu num piscar de olhos, rápida, o que a encheu de alegria, já que a mesma teria mais tempo hoje para que pudessem se ver.
Para Júlio, a noite pareceu longa. O que mais lhe doía, era a ressaca moral. Nem ao menos ao acordar havia se dado conta de onde estava. Assim que ele saiu do banho, observou o lugar e sentindo-se péssimo, lembrou da noite anterior e de tudo o que o motivou a beber tanto.
Ele suspira. Caminha até a cama e veste a mesma roupa que estava vestido no baile. Ao descer as escadas após passar frente ao quarto de Eduarda e não a encontra-la, ele se sente m*l mais uma vez. O seu semblante triste é maior do que a dor de cabeça que lateja pela ingestão da mistura bombástica.
- Bom dia Júlio!
Eduarda lhe cumprimenta com um sorriso, o tirando dos seus devaneios. Sem graça, ele se aproxima com as mãos no bolso e a mesma coloca sobre o balcão, uma xícara bem forte de café.
- Toma meu amigo. Um café bem forte. Nossa, nunca em minha vida esperava vê-lo daquele jeito. O que você bebeu ontem Júlio para ficar assim?
Ela beberica do seu café, enquanto o observa de soslaio. O mesmo, Júlio faz após sorrir sem graça, ele beberica na sua xícara de cabeça baixa.
Assim, que ele termina de tomar do seu café, Júlio suspira e resolve se desculpar com a sua amiga.
- Duda, eu queria primeiramente me desculpar com o que aconteceu ontem. Não sei se eu disse ou fiz algo que não devia, mas queria me desculpar com você.
- Relaxa meu amigo, você não fez e não disse nada de errado. Mas, o que motivou a beber tanto daquele jeito?
- Eu preciso te falar algo e queria mesmo conversar com você e...
O celular de Eduarda toca. Ela sorri ao ver quem está ligando para ela logo pela manhã. Ela sinaliza com o seu dedo indicador erguido, para que ele espere.
Júlio apenas acena confirmando e segue comendo uma maçã que o mesmo pegou da cesta de frutas. Ela se afasta para atende-lo e Júlio a observa.
Eduarda segue para a sala. Olhando através da grande janela para o horizonte, ela suspira e atende a sua ligação. O seu coração logo dispara ao ouvir aquela voz tão perto, mas com o corpo tão longe um do outro.
- Oi minha baixinha, bom dia!
- Bom dia Rique. Algum problema? – Ela morde o seu lábio para esperar ansiosamente por sua resposta.
Ele ri nasalado, o que aquece ainda mais o coração de Eduarda. Aquela sensação é única para ela. Para Henrique, que prometeu ser um homem amoroso e tratar uma mulher como se deve, quando realmente encontrasse o verdadeiro amor, estava de uma forma que seus amigos e até mesmo o seu irmão, percebeu o quanto ele estava apaixonado por aquela mulher.
Mas havia no fundo uma grande lacuna entre eles. Ela não só por ser de uma família rica, mas por ser uma mulher com princípios. Princípios esses que em muitos momentos, Henrique não os tem. Ele, afinal, trabalha com o tráfico de drogas e armas.
Drogas essas que acabam com uma família inteira e que não difere também de quem tem uma arma nas mãos.
Mas, qual dos dois iria abrir mão das suas vidas para ficarem juntos? Qual dos dois que estará disposto pelo sentimento forte que já aflorou desde o primeiro momento e que cresce cada dia mais entre eles? Essas são perguntas que eles mesmo ainda irão colocar à prova em nome do amor.
- Eu quero sim minha linda. Preciso urgentemente te ver.
O riso baixo e abafado é dado por Eduarda. Ao virar-se por ouvir um arranhar de garganta, ela se dá conta de que o seu amigo é quem está chamando-lhe a atenção.
- Posso te ligar assim que terminar com as minhas audiências?
- Vou sentir sua falta. Mas fazer o que né. Ossos do ofício. Um beijo nessa sua boca gostosa.
Sem graça pelo encarar do seu amigo, ela apenas lhe diz como todo mundo fala, mas com um belo sorriso nos lábios.
- Outro pra você.
Após desligar, os olhos de Eduarda se encontram com Júlio que a encara com ar de questionamento.
- Quer me falar algo Júlio?
- Na verdade eu preciso conversar com você. Eu preciso desabafar isso aqui dentro que está me sufocando.
Ele aperta a camisa no seu peito e Eduarda fica preocupada. Ao olhar para o relógio do celular, ela arregala os olhos e desconversa.
- Júlio, está quase na hora de estarmos no fórum. Podemos falar sobre isso mais tarde em um almoço?
Relutante, ele acaba concordando.
- Tudo bem. Vamos então.
- Quer que eu te deixe em casa?
Ela o indaga enquanto eles saem co apartamento e seguem para a garagem. Júlio n**a.
- Não será preciso. Como nosso escritório fica perto do fórum, eu tenho uma muda de roupa e um terno pronto na minha sala.
Ela sorri e sarcasticamente dispara.
- Hum, roupa pronta por lá né, já até imagino o porquê.
- Han, nada disso Duda, é só uma questão mesmo de precaução para alguma emergência.
Ela sorri e ao olhá-lo de lado, ela fala para que ele relaxe.
- Relaxa Júlio. Eu só estou brincando. Também tenho um terninho e uma roupa de reserva na minha sala também.
Ele assente e sorri sem graça. O silêncio ali, se faz presente entre eles, mas é u silêncio gostoso e tranquilo.
Os dois, seguem para os seus carros, já que na noite anterior, Júlio teve autorização de Eduarda para deixar o seu carro em uma das vagas que a mesma tem disponível.
Eduarda, o deixa no escritório deles e segue para o fórum, já que a sua primeira audiência seria logo às 8h. ela precisava encontrar com a sua cliente antes, para reformularem algumas coisas do processo de divórcio que a mesma movia contra o seu marido que fora pego em uma situação de traição com a babá dos filhos.
Durante o decorrer da manhã, após Eduarda e Júlio terem se despedido naquela hora em que o deixou frente ao escritório, nenhum dos dois se encontrou nem mesmo no corredor do fórum.
Já chegava o horário do almoço e Eduarda suspirava aliviada pela última audiência em que participara tenha se resolvido sem maiores problemas. Ao contrário da primeira que ela precisaria de mais uma com a sua cliente, já que o ex marido se recusou a assinar o divórcio, alegando que não estava bem mentalmente quando se envolveu com a babá e que a mesma teria lhe drogado para tal ato entre eles.
Ao sair do fórum, ela recebe uma mensagem de texto em que o seu amigo a esperava no restaurante em que almoçam muitas vezes entre eles ou com os clientes à duas quadras do fórum. Ela sorri e segue até o seu carro.
Mas, antes dela conseguir abrir a sua porta, ela olha do outro lado da rua e percebe um movimento suspeito. Ela vê um carro com dois homens do outro lado da rua que a encaram sem medo. A mesma não se intimida e os encara da mesma forma.
Não demora muito, os dois saem dali a deixando preparada para sacar a sua arma dentro da sua pasta. Ela solta todo o ar que nem sabia que estava preso nos seus pulmões.
A adrenalina fora tamanha, que ela sentiu as pernas quererem fraquejar, mas logo se recompôs e entrou no seu carro, seguindo até o restaurante depois de respirar fundo.
Chegando ao restaurante, ela avista o seu amigo a esperando na mesma mesa de sempre.
Eduarda sorri e acena para ele assim que ela passa pela porta. Ao sentar-se frente a ele, ela o cumprimenta.
- Nossa, tô faminta. Boa tarde Júlio!
- Oi Duda. – Júlio desvia o olhar dela e com os dedos entrelaçados sobre a mesa, ela percebe que ele está nervoso, já que o mesmo brinca com os seus dedões.
- E então meu amigo, o que você queria falar comigo?
Suspirando, o seu olhar se ergue e encontra o dela.
- Vamos pedir primeiro?
Ela apenas assente com a cabeça e Júlio chama o garçom para anotar os pedidos deles.