Capítulo 22: Um presente.

1888 Palavras
Mariana estava boquiaberta por ver a sua amiga tão solta e ao lado de um cara que até pouco tempo atrás para ela, não eram pessoas confiáveis, mas que mereciam o benefício da dúvida por não saber porque entraram no mundo do crime. O que mais a deixa perplexa, é ver um home igualzinho ao chefe do morro se aproximando deles. A sua boca logo se abre em um O tão grande, que parece que o queixo irá despencar. Ela corre até perto da amiga e faz um sinal com a mão chamando-a. Vendo a sua amiga sussurrar no ouvido daquele homem lindo e alto e os olhares que lançam um ao outro tem um brilho diferente, o brilho do amor, ela suspira feliz, por finalmente a sua amiga estar se permitindo amar. Mas, ao mesmo tempo que fica feliz por ela, sente um calafrio percorrer pelo seu corpo em forma de pressentimento r**m vendo a sua amiga caminhando na sua direção com um sorriso que chega a contagiar. O seu sorriso congela, Mariana não quer estragar esse momento da sua amiga por uma sensação tão boba para ela, mas que com certeza, num futuro próximo, possa ser que esse sentimento negativo que de repente surgiu, venha a ter uma grande ajuda para Eduarda e Henrique. - Oi amiga, cheguei! – Eduarda fala com o mesmo brilho no olhar e sorrindo. Espantando toda aquela sensação r**m que pairou no coração de Mariana de repente, ela gargalha. Olhando fixamente para a sua amiga, ela dispara. - Ainda bem que vivi para ver essa cara sua de apaixonada. Quem diria que a minha quenga favorita fosse ficar os quatro pneus e o estepe caidinha por um cara como ele. Rindo, Eduarda a pergunta algo que mesmo sendo sério, mas em meio aos risos, suaviza um pouco a sua pergunta. - Um cara como ele! O que quer dizer? - Ah, você sempre repudiou pessoas que seguem o mundo do crime e cá pra nós amiga, ele não é esse poço de virtude para a nossa princesa do Ébano Eduarda Medeiros. Mariana sorri cruzando os braços e a sua amiga acaba revirando os olhos e torcendo o bico para ela descontente com o comentário que sentiu nas palavras uma certa ironia. Ela, percebendo que Eduarda ficou desconfortável com o que ela disse, tratou logo de consertar o que disse. - Amiga, desculpa. Mas, achei lindo vocês dois juntos e fico feliz por você estar se permitindo amar e ser amada pelo que vejo dele, só que você há de convir, ele não é o tipo de homem que você idealizou para você. - Mariana, coloca uma coisa na sua cabeça. Eu entendi muito bem o que quis dizer. Eu sei, mas se tem algo que se falam muito é, estou pagando com a língua. Só que, ele não é o que posso dizer, como os outros. E outra coisa, nem sei se daremos em algo, começamos a dar uns beijos hoje e o futuro... As duas falam em uníssono sorrindo. - À Deus pertence! Braços fortes enquanto as duas riem, envolve a cintura de Eduarda. Ela olhando por cima do ombro, sabe que é o homem que estava agora a pouco beijando e sentindo todo o seu corpo se acender. Ele deposita um beijo no seu pescoço fazendo-a se arrepiar e sorrir. Mariana, que não perde a oportunidade, solta a sua indireta. - É, acho que perdi uma amiga de guerra. Com certeza, agora estou de vela. Mariana ergue os seus braços para o alto em rendição rindo e os dois a encaram com um sorriso bobo. Henrique, murmura com a sua voz rouca e potente. - De vela eu não sei, mas que eu vou precisar sequestrar a sua amiga e aquele cara ali no canto te olhando, vai poder te ajudar a não ser vela e nem ficar sozinha. Kkkkk - Quenga, gostei dele! – Mariana fala rindo dando um leve tapa no braço da amiga. Arqueando a sobrancelha, ele encara Eduarda como se buscasse uma explicação sobre a forma que a sua amiga lhe chamou e a mesma, que mesmo de salto, se esgueira languida ficando na ponta do pé e dá um selinho rápido nos seus lábios. Mariana, aproveitando essa deixa, sai de perto do casal os deixando sozinhos sem que eles percebam. Não muito contente com a sua amada não dando a explicação que ele buscou através do simples olhar, ele a indaga. - Por que quenga? Ela ri e virando-se para Henrique, ficando frente a ele, ela envolve os seus braços em torno do seu pescoço e os dois se encaram. - Desde que nos conhecemos sempre nos chamamos assim, quer dizer, a doida da minha amiga que começou com esse apelido. Tudo por causa de um presente. Eduarda fala rindo, lembrando-se de quando conheceu Mariana. Beijando rapidamente os lábios de Eduarda, Henrique ficou curioso para saber a história por trás daquele sorriso faceiro dela, que parecia se divertir ao lembrar da situação. - Presente! Como assim um presente? - Foi um presente entre nós. Eu vou te contar. FLASHBACK ON Eduarda havia comprado um presente para a sua avó e queria surpreendê-la com um conjunto de mini xícaras dentro de uma Matrioshka (jogo de bonecas russas que simbolizam uma família). Só que essa era uma grande com várias mini xícaras dentro que representam a família em união segundo a vendedora na loja em que ela havia terminado de efetuar a compra. No momento em que ela deixou no balcão o presente pago para ser embrulhado, Mariana acabava de entrar na mesma loja, só que ela pegou uma única sem nada dentro para fazer uma brincadeira com uma amiga que estava namorando um holandês, ela colocou vários chocolates no formato de órgãos sexuais masculinos. Ambas, escolheram por uma grande coincidência os papéis iguais e até as bonecas tinham a mesma pintura. Enquanto Eduarda seguia para uma parte da loja em que olhava outras coisas, Mariana se aproximava da mesma e começaram a conversar. - Oi, te conheço de algum lugar. - Ah, oi. Sim, nos conhecemos do campus. -É claro. – Mariana bate na testa como se lembrasse e com isso, sorriu para a mesma. Estendo a mão para Eduarda, ela se apresenta. - Prazer, sou Mariana. - Eduarda. As duas se cumprimentam e são interrompidas pela vendedora que acabara de terminar os embrulhos e coloca-los na sacola. - Senhoritas, os seus presentes estão prontos. As duas caminham até o balcão e pegam as suas sacolas, elas seguem juntas pelo shopping conversando e se conhecendo. Um rapaz que vinha correndo olhando para trás onde os seus amigos corriam e riam esbarra entre as duas que acabam caindo e as sacolas caíram juntas. - Olha por onde anda cara! – Mariana fala brava se levantando e ajudando Eduarda a se levantar. - Desculpa gata, mas não vi você. – O rapaz a olha maliciosamente com um sorriso canastrão nos lábios. - Derrubou nós duas, seu i*****l. Aqui não é lugar pra ficar correndo assim. – Mariana ainda fala brava. Agora, o seu olhar paira em Eduarda que a olha com desdém. Não por ser da cor do pecado, mas por ser com curvas avantajadas e sensuais. - Desculpa. Ainda bem que não precisou de um guindaste para te levantar né! Ele fala gargalhando e os seus amigos que se aproximavam dele, fecham a cara junto com as meninas que não gostaram da forma como ele a tratou. - Escuta aqui seu ridículo. Você acha que só por ser bonito, com esse corpo, é melhor do que ela para fazer piadas esdrúxulas. Fique sabendo que fazendo essas insinuações é crime. - Ih, a baleia sabe falar. Kkkkk. Viram caras, ela sabe falar. - Breno, você está extrapolando cara. Deixa a garota em paz. O rapaz não se dá por vencido, enquanto o outro pega as sacolas do chão entregando para cada uma delas. As meninas agradecem, mas o tal Breno continua as suas provocações. - O que foi rolha de poço, perdeu a voz? - Ela pode não falar nada, mas eu vou fazer algo em você. – Mariana fala furiosa. Ao virar-se para Mariana com um sorriso, ele, não esperava por tamanha reação dela. Aliás, ninguém ali esperava. Mariana, deu uma joelhada entre as suas pernas e assim que o mesmo caiu de joelhos se contorcendo ela, lhe deu um soco. Todos olharam abismados e a mesma empinou-se toda e saiu arrastando Eduarda passando por eles e falando algo que a partir dali, seria o elo entre elas de comunicação. - Vem quenga, vamos embora, o lixo já está no lugar dele, no chão. Daqui a pouco as pessoas limpam e o jogam na lixeira. FLASHBACK OFF Os dois se olhando, Eduarda fala após a lembrança que mesmo tendo alguns momentos chatos no meio, não ofuscaram a beleza e alegria de se tornarem grandes amigas. - E foi isso. – Eduarda fala suspirando. Henrique que a olhava sério e calado, depois de alguns segundos, manifestou a sua opinião. - Esse tal Breno, vocês viram esse cara de novo? - Não. – Eduarda n**a. - Se eu pego esse cara, eu arrebento. Onde já se viu zoar uma mulher linda como você assim. Henrique fala indignado e Eduarda o olha admirada com um sorriso. - Você me acha linda? Com um belo sorriso, ele assente. - Com toda a Certeza. Linda (selinho), maravilhosa (selinho) e gostosa (selinho). Os dois riem, mas Eduarda dá uma gargalhada gostosa jogando a sua cabeça para trás expondo o seu pescoço de uma forma que ele lhe dá um leve mordida. - Aiê. - Hum, o que foi minha linda? - Doeu tá. - Desculpa minha linda, mas estava tão apetitosa assim que não resisti. - Ok, agora me solta que o Vini está te chamando. – Eduarda fala sinalizando com a cabeça em direção ao seu braço direito Trator. Henrique, arqueia a sobrancelha e antes de ir até o seu amigo, ele a questiona. - Vini? - Ciúmes querido? – Divertida, ela o pergunta sorrindo. Henrique não quer admitir, mas sentiu uma pontada de ciúmes por ela chama-lo daquela forma carinhosa. Ele n**a. - Ciúmes não, mas precavido. - Hum, sei. Mas relaxa. Só o chamei assim como chamo meu primo. Dando um beijo, entre os lábios ele murmura. - Depois quero saber isso direito senhorita Medeiros. Vou ali e já volto. - E eu vou embora. Tenho audiências logo cedo. - Agora que tava ficando bom gata? - Sim. Depois nos falamos. Dando de ombros chateado, ele acaba concordando. - Fazer o que né! Mais um beijo. Eles se beijam e Henrique segue até o Trator que avisa-o que alguns policiais estão o aguardando no mesmo lugar de sempre para fazer o tal servicinho que ele pediu para o Antônio que seria preso logo pela manhã. Já Eduarda, avisou aos amigos que ia embora e vê que o seu amigo Júlio não está muito bem. Ele está super bêbado. Raul o ajuda até o carro e todos vão embora. Vendo o estado deplorável do seu amigo, Eduarda resolve o deixar no seu apartamento dormindo no quarto de hóspedes. Ela segue até o seu quarto feliz e nas nuvens pela noite que teve no baile e os beijos dados em Henrique.
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