Capítulo 21: Um sentimento, um beco sem saída.

1064 Palavras
Percorrendo pelo corredor daquela casa, Eduarda lança o seu olhar por várias direções gravando cada pedaço daquele lugar. Se ela estiver sonhando, que seja algo que não faça acordar e caso acorde, que tudo fique gravado na sua memória. Os seus olhos iluminam-se num brilho que jamais pudesse ser alcançado pela imensa beleza que ela olha pela grande janela em que a lua parece tão perto, mas está a léguas de distância no céu. Eduarda, solta-se do entrelaçar de mãos de Henrique caminhando em direção aquela linda paisagem, mas o que lhe arranca ainda mais o seu fôlego, é ver as luzes dos postes no morro iluminando as vielas e becos e as casas parecendo pequenas casas de brinquedo pela altura que ela se encontra observando a imagem que lhe arranca o imenso fascino por nunca ter visto algo tão belo assim antes. Henrique caminha lentamente até a sua bela baixinha astuta e a abraça por trás. Ele, apoia o seu queixo no dorso do seu pescoço e aspira o doce perfume da pele exposta da sua amada. Ela se encolhe sentindo não só algo arrebatador no seu peito, mas sentiu arrepios de cócegas na sua zona de maior sensibilidade. O seu riso nasalado, arranca risos satisfeitos de Henrique por perceber que a sua doce advogada, não só sentiu cócegas, mas o mesmo ardor queimando no peito por ansiar mais do que possam querer. - Porque parou aqui minha baixinha? – Sua voz rouca e aveludada ressoa próximo ao seu ouvido. Ela ergue os seus olhos, incrédula por já ter um apelido vindo daquele homem que tanto tem lhe tirado a paz e sanidade. - Baixinha, é?! Olhando-a de lado, ele sorri. É o sorriso que mais parece o oceano em sua profundidade que ao mergulhar nas águas turvas, é capaz de se perder. E a perdição agora se chamava Henrique Fontes. Eduarda engole em seco fitando a boca em meio ao lindo sorriso que ele lança. - Na verdade, para mim, você é a baixinha astuta. - Oi?! Levando uma mão em direção ao seu rosto, Henrique aperta levemente a ponta do seu nariz mordendo a ponta da língua. - O quê?! Henrique dá um de desentendido. Estreitando os olhos, Eduarda lhe desfere um tapa no seu braço que nem faz cócegas. Ele a encara e maliciosamente, dispara. - Bater assim meu amor, só na cama. - Pervertido! Henrique gargalha. Entrelaçando novamente sua mão à dela, Henrique a leva de volta ao baile. Eles passam por seus homens armados que mesmo noite, usam óculos escuros. Mas, Eduarda não se intimida, cada vez mais fica encantada com tudo o que vê ali. Os seus homens nem ousam olhar para ela, por mais que estejam de óculos escuros, ele sente no ar quando um homem está cobiçando o que a partir do momento em que se beijaram, ela se tornou dele. Eles passam pelo mesmo beco em que ela se chocou com ele após ver a cena que imaginava ser ele com aquela mulher, em um amasso quente naquela viela com o paredão ao fim da mesma. Relutante, ela para e Henrique, sente a sua mão repuxar. Virando-se na sua direção, os olhos deles se encontram. Ela olha um tanto aturdia para o local de onde ela havia saído às pressas. Suspirando, ele sabe bem o que acontece com ela. Ainda paira a confusão de que não era o seu irmão e sim ele naquele lugar. Encostando o seu corpo junto ao dela, Henrique segura com as suas mãos aquele rosto delicado e fitando o seu olhar, ele sorri acariciando a sua bochecha com o polegar. - Sei que nessa sua cabecinha passam muitas coisas, mas eu te juro que não era eu e sim meu irmão Leonardo com a Natasha. Me dá um voto de confiança? Mordendo o lábio inferior, ela assente balançando a sua cabeça em afirmação. Ele sorri e lhe dá um selinho demorado. Agarrando firmemente na cintura dele como se o medo de lhe ser tirado dela a felicidade que ela tanto buscou, o selinho se torna um beijo urgente, cheio de promessas. Ofegos, eles interrompem aquele beijo. A falta de ar naquele momento, foi o vilão entre eles. As testas se encostam e sorriem um para o outro. - Eu confio sim. Me desculpa duvidar assim de você. – Eduarda fala em súplica e sem jeito. - Não tem o que desculpar. Você não era adivinha que eu tinha um irmão gêmeo e do jeito que aquela mulher estava se insinuando, claro que você pensaria isso. Envergonhada, ela assente com os olhos direcionados ao chão. - Sim, com certeza. - Vem, agora vamos até os seus amigos. Ela sorri ao elevar o seu olhar novamente de encontro ao dele. - Sim, vamos. Eles terminam de percorrer aquele beco até a entrada do lado Vip em que ela estava mais cedo com os seus amigos e Henrique a observando de longe. Os dois adentram de mãos dadas. Todos os presentes, olham admirados de ver o chefe do Morro dos Macacos assumindo uma mulher assim para todos. Ele que sempre fora reservado, agora estava ali, mostrando a todos e todas que aquela mulher o pertencia, assim como ele a pertencia na mesma intensidade. Quem não gostou muito do que viu, foi o seu amigo Júlio que olhou com desdém e um certo desgosto, por ela estar ao lado de alguém que é criminoso e por ser uma mulher que ele sempre quis tê-la só para ele. Mas, ele nessa parte, não podia julgá-la ou até mesmo condená-la, já que nunca teve coragem de se declarar ou demonstrar suas reais intenções e sentimento por ela, ela não tem nenhuma bola de cristal para saber o que se passa na cabeça dele. Ele entorna de uma vez só o “coquetel molotov” que servem ali no baile. Essa bebida tem esse nome, por ser uma mistura de vários tipos causando uma explosão não só no estomago, mas na cabeça. Logo, se fica doidão. Já Eduarda, estava deslumbrada e feliz, ela sabia bem que aquela felicidade toda e após o primeiro beijo deles dado naquela suíte da casa daquele belo homem, era algo que não teria volta. Um sentimento que pairava entre eles, era o mesmo beco que ela pensou estar vendo-o com a mulher que odiou se esbarrar, era um beco sem saída!
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