Capítulo 20: Ai, minha cabeça não tá boa não.

1332 Palavras
Passaram-se muito tempo e Eduarda começa a despertar. Ela leva a sua mão à cabeça sentindo-a latejar. Ela estreita os olhos sentindo dor. As vozes discutindo perto dela estão quase como um sussurro. Ela escuta tudo abafado. O som do baile ainda está estridente, mas como se ela estivesse fora de alcance ou longe do galpão em que está acontecendo a festa. Ao colocar a mão na sua testa, ela geme. Um gemido que atrai a atenção daqueles que discutem. - Ai, minha cabeça! Se aproximando preocupado, Henrique senta-se ao seu lado na cama com um olhar apreensivo. Ele segura a sua mão impulsivamente. Olhando para aquela mão grande segurando-a, ela tenta soltar ao encará-lo com decepção. Ela não imaginava que ele fosse igual aos outros homens que são donos de morros e bocas, ela o achava um homem que pudesse ter somente uma única mulher. Puxando a sua mão e o fuzilando com decepção e arrependimento, ele arqueia a sobrancelha triste por ver a sua rejeição estampada nos seus olhos. Mas, ele não se dá por vencido. - Você está bem? Secamente, Eduarda responde sem olhá-lo fitando a janela. - Estou. - É mano, parece que deu r**m pra você. – Uma voz parecida com a de Henrique ecoa no quarto onde eles estão. - Cale a boca Leonardo! – Henrique o repreende. Instintivamente, Eduarda vira o seu rosto e liga os pontos sem acreditar no que está vendo na sua frente. Isso não é possível. Dois Henriques? Só pode ser brincadeira. Assustada, ela arrasta o seu corpo sentando-se na cama abruptamente com a boca aberta. Ela tenta pronunciar as palavras, mas o som não vem. - Fica calma Eduarda. Eu posso explicar. Ela acena em negação. Ela fecha os olhos apertando-os e em seguida os abrindo novamente. Não é possível! Eduarda se questiona internamente. Respirando profundamente, ela consegue balbuciar algumas palavras. - Alguém me explica o que está acontecendo ou eu fiquei doida. Os dois irmãos na sua frente se entreolham e riem. Eduarda fica logo emburrada e séria cruzando os braços. Não está gostando nada em ser motivo de piada para esses ou esse que está na sua frente. - Bom, já vi que não é de muito bom humor não é verdade? - Leonardo! – Henrique o repreende mais uma vez. Leonardo faz beicinho e ergue as suas mãos em rendição. Henrique, tenta pegar nas mãos de Eduarda, mas a mesma se desvencilha do seu toque. Ele suspira resignado por sua rejeição. Ele fica cabisbaixo com um semblante triste. O seu irmão, vendo-o daquele jeito, trata logo de consertar a burrada cometida. - Olha só, é Eduarda né? Eduarda o encara e assente balançando a cabeça. - Então, você não bebeu demais, não está delirando e nem bateu com tanta força a cabeça. Eu e o Henrique somos irmãos gêmeos e quase ninguém sabe disso. Suspirando e ainda assimilando e digerindo tudo o que ele acabou de dizer, havia uma dúvida pairando no ar, ela precisava esclarecer essa incerteza no seu coração. - Tá, isso eu já entendi. Agora, o que eu quero saber, quem estava naquele beco com aquela, como é mesmo o nome dela, ah, Natasha. Ela intercala o seu olhar de um para o outro e Henrique aponta em direção ao seu irmão que coloca as mãos nos bolsos da sua calça dando de ombros e com um sorriso sem graça. - Sim, eu quem estava lá. – Leonardo fala com a voz entrecortada com vergonha. Eduarda está boquiaberta, sentindo-se uma i****a, mas também, ela não era adivinha, abaixa a cabeça envergonhada. Se aproximando do seu irmão, Leonardo aperta o ombro do seu irmão lhe transmitindo força e acena em direção a bela mulher que está sentada na sua cama. Ele sorri e assente. - Bom, vou deixar vocês dois para conversarem. Leonardo girando os calcanhares, sai do quarto os deixando sozinhos. Nervosa, Eduarda começa a cutucar os dedos uns nos outros e se desculpa. - Me desculpa, eu não sabia que tinha um irmão gêmeo e que não era você naquele beco. Ele sorri sem graça e a encara que ainda continua cabisbaixa. Os seus cabelos que estão em um r**o de cavalo, estão como cascatas de lado, deixando-a ainda mais linda do que já é. - Tudo bem. Nunca foi fácil ter um irmão e muito menos gêmeo. Até na escola éramos confundidos. Ouvindo-o falar sobre escola, ela ergue o seu rosto e os seus olhares se encontram. Ela pensava que aquele homem nunca teve estudo, mas ela estava enganada. Eduarda, resolve perguntar a respeito para conhece-lo. - Vocês estudaram até que série? Ele sorri e leva a mão ao seu rosto acariciando a sua pele macia. - Bem, eu fui até o fim. Eu sou formado em administração, já o meu irmão, ele só fez até o segundo ano do ensino médio. - Nossa! – Eduarda murmura para si mesma. Ele sabe que ela ficou surpresa e sorriu com aquele jeito dela que o deixou ainda mais fascinado por ela. Perdida nos seus pensamentos, ele a traz de volta falando sobre isso. - A nossa mãe sempre insistiu que tivéssemos uma vida diferente do nosso pai. Sempre quis que estudássemos e eu, sempre gostei de aprender como ela, já o meu irmão sempre foi o oposto. Ele era como nosso pai. - É, já vi que preciso rever os meus conceitos para algumas coisas. Arqueando a sobrancelha, ele a indaga. - Como assim? - Pelo visto, fui preconceituosa agora. A maioria dos chefes dos morros, quer dizer, todos eles, não tiveram estudos ou quase nenhum estudo. Eu sempre desconfiei que você tivesse uma boa educação já que fala tão bem, mas como, se a maioria dos chefes da criminalidade, sempre buscam para as suas vidas esse tipo de convivência por muitas questões. Ele ri levantando-se da cama. - Realmente, você está certa. Mas quantos bandidos por aí são engravatados? Quantos tem estudos e tiveram oportunidades em não seguir o crime e estão por aí cometendo vários delitos! Você só fez o que a sociedade faz muitas vezes. Julgar alguém do morro que deve ser do crime por não ter estudo e quanto aos que tem lá embaixo, são do crime e ninguém julga. - Me desculpa. - Não precisa se desculpar. Estando no seu lugar, pensaria o mesmo. Olhando-o fixamente, ela caminha em sua direção e o indaga. - Você não está bravo por isso? Sorrindo, ele segura no rosto da bela advogada para que ela veja em seus olhos a sua sinceridade. - Nem bravo e nem decepcionado. Agora vamos... Franzindo o sobrolho, ela questiona. - Vamos para onde? - Retornar para a festa. Os seus amigos devem estar preocupados com você. Ela assente e sorri. O seu sorriso é tão lindo e convidativo, que Henrique não se contém e ataca os seus lábios ferozmente. O toque aveludado dos lábios, o quente e maciez do beijo arranca um gemido baixo e abafado de Eduarda, que retribui com a mesma intensidade. Ela ansiava por isso tanto quanto ele desde o início. Desde o primeiro momento que os olhos se cruzaram naquela sala especial do presídio, eles desejaram esse momento e muito mais. As línguas se entrelaçam. A respiração cada vez mais escassa. Se controlando para não irem além, apensa apreciando esse momento, eles se afastam ofegos. As testas se encostam e ele a encara sorrindo. Ela sorri mordendo o lábio inferior e ouve dele as palavras que queria muito ouvir. - Estava louco por esse momento desde a primeira vez que eu te vi. Corada e sentindo como se o seu coração fosse sair pela boca, ela murmura algo que o deixa feliz. - Eu também quis isso. As suas mãos deslizam pelos braços dela arrancando-lhe arrepios. Uma das suas mãos entrelaçam a dela e os dois saem do quarto, antes que Henrique cometa uma besteira maravilhosa entre eles. Dessa vez, ele queria ir com calma. Eduarda não era como as outras.
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