Assim que terminaram de registrar o boletim de ocorrência contra o pai de Estefane, elas seguem ao IML no setor de perícia criminal para exame de corpo delito.
Uma policial foi quem fez todo o processo pericial em Estefane sob os olhos atentos de Eduarda que se apresentou como a sua advogada.
Após alguns minutos do exame e coleta para exame anti estupro, elas foram liberadas e com o protocolo em mãos, aguardariam os próximos dias para que tivessem o resultado.
Saindo do prédio, Estefane meio receosa, pergunta a Eduarda os próximos passos.
- E agora doutora, o que acontece depois de tudo isso.
- Bem, como não há flagrante, ele primeiro será chamado para esclarecimentos, depois de tomar o depoimento dele, o resultado dos exames que será crucial para ele ser indiciado. A menos que a sua mãe melhore e assim possa esclarecer os fatos da melhor forma possível e o mesmo ser preso.
Estefane com as mãos presa na barra da blusa, começa a apertá-la contorcendo o fino tecido mostrando estar devidamente nervosa.
Colocando a sua mão sobre as dela, a menina leva um susto sentindo aquele toque suave das mãos de Eduarda nela, recuando uns passos para trás.
- Fica calma Estefane. Não vou te fazer m*l.
- Desculpa, mas estou com medo. E se eu voltar para casa e ele fizer algo comigo ou se realmente me matar dessa vez? – Ela fala de forma rápida e histérica.
Arriscando-se, Eduarda pega novamente nas mãos de Estefane que dessa vez aceita o toque de Eduarda e se sente até mais calma. Sorrindo, ela tenta tranquiliza-la.
- Fique tranquila, que tudo dará certo. O importante agora, é você estar em um lugar seguro.
Estefane sorri fraco e abaixa a cabeça. Ela sabe que não há um lugar seguro para ela. A sua avó mora em Perequê uma cidade que fica em Angra dos Reis e por ser um local litorâneo do interior do Rio de Janeiro, ela não tem como ir. Sem dinheiro, menor de idade e de quebra, não quer deixar a sua mãe sozinha a mercê do seu pai e dos seus abusos, enquanto está internada no hospital depois das atrocidades que ele cometeu.
- O que foi Estefane, falei algo errado?
Ela n**a.
- Não senhora. É que...
Ela tenta falar, mas trava na hora. Os seus olhos enchem de lágrimas e Eduarda se inclinando frente a ela, segura nos seus ombros e a encara.
- Olha para mim e me conta, o que está acontecendo.
A voz doce de Eduarda é como uma perfeita melodia que faz de Estefane querer ser ajudada por ela mais do que ela possa merecer. Ela ergue o seu rosto e vê Eduarda a fitando com um sorriso meigo. Ela respira fundo e conta o que de fato a incomoda.
- Na verdade, eu não tenho ninguém aqui que eu possa ficar. A minha vó, mãe da minha mãe não mora aqui. Mora em Perequê. Eu não tenho mesmo pra onde ir.
Ela dá uma lufada no ar sentindo-se totalmente esgotada. Mas, Eduarda sabia que iria se arrepender disso, só que não poderia deixar de ajuda-la, já que assumiu o caso dela e será a sua advogada contra aquele homem asqueroso.
- Se você quiser, até a sua mãe estar melhor e tudo isso se resolver, pode ficar na minha casa.
Emocionada, ela olha para Eduarda com o brilho não só das lágrimas que se formaram, mas pela felicidade de estar sendo acolhida por ela, mesmo que elas não tenham i********e, ela está a lhe estender a mão.
- É sério doutora? – A sua voz sai embargada pelo choro reprimido.
Eduarda assente com um sorriso tenro.
- Sim, minha querida. Vamos então?
Ela acena com um sorriso largo concordando e as duas seguem para o carro e dali, passam em uma padaria para comprar algumas coisas que Eduarda pretendia preparar para elas a noite, deixando a menina no carro para não se constranger muito mais do que já está, devido aos ferimentos no rosto, pescoço e braços.
Depois de tudo comprado, elas seguem para o apartamento de Eduarda.
Ambas vão pelo elevador de serviço para evitar mexericos pela aparência da menina que é evidente a violência que sofreu. Chegando ao andar, ela nem sabia que a sua amiga estava ali a esperando na porta. Ela sorri se surpreendendo com aquela agradável surpresa.
- Mari, o que faz aí parada feito um dois de paus na minha porta doida?
Virando-se com um sorriso, logo murcha na sua face ao ver Estefane machucada ao lado da sua amiga. Ela corre até elas exasperada.
- O que foi que aconteceu, você está bem?
Toda acanhada, Estefane se encolhe com as perguntas constrangedoras de Mariana. A mesma leva a mão a boca para conter a sua língua grande de sempre. Eduarda fuzila a sua amiga em repreensão. A mesma se sente m*l por ter sido tão invasiva e indelicada.
- Me desculpa, eu...
Eduarda a interrompe.
- Vamos entrar?
As duas a olham e assentem. Eduarda segue na frente delas para abrir a porta para que todas entrem. Já, dentro do apartamento, Eduarda levou a garota até ao quarto de hóspedes e mostrou-lhe tudo para que ela pudesse tomar um banho. Como ela tem mais corpo que Estefane que é bem magra, ela pegou um conjunto que já não lhe serve mais e mesmo que ficasse um pouco folgado, daria para ela vestir.
Voltando para a cozinha após deixar Estefane sozinha naquele imenso quarto que deixou a garota fascinada pela beleza e tamanho, ela encontra Mariana debruçada sobre a ilha da sua cozinha com o pensamento distante.
- E aí, o que tanto pensa?
- Ah, nada não Duda. E aí me conta, o que aconteceu com ela?
- É uma longa história da qual eu não posso falar. Sigilo profissional.
Mariana revira os olhos e bufa.
- Aff. Que estraga prazeres viu.
- E você, o que estava fazendo aqui, medindo a minha porta que não era.
Mariana lhe mostra a língua e faz uma careta engraçada. Eduarda vira-se em direção a pia e retira algumas coisas da sacola para picar e preparar alguns sanduiches.
Suspirando, Mariana fala de forma entediada.
- Eu vim aqui ver a minha quenga favorita...
De costas, Eduarda zomba.
- A única!
- Argh, sim, a única. Enfim, eu vim aqui para passar o dia com você e dormir aqui.
Eduarda para de cortar os frios. Virando-se lentamente, ela olha para a sua amiga e a indaga desconfiada.
- Brigou com o seu pai, mãe ou os dois?
Ela coloca as mãos abaixo do queixo e murmura.
- Como você sabe que eu briguei com um deles?
Rindo, ela dispara.
- Sempre que você vem aqui que não seja porque vamos a algum lugar e está com essa cara de quem chupou limão estragado, brigou com um deles ou com os dois, então o que foi dessa vez?
- Nossa, sou tão previsível assim?
Eduarda assente.
- Sim, agora conta e não enrola. O que aconteceu?
Torcendo o bico, mariana se prepara para contar o que aconteceu.
- É que eu e meu pai...
Elas são interrompidas pela presença de Estefane que acabava de chegar a cozinha.
- Licença.
- Entra Estefane. – Eduarda acena para ela entrar.
Sentindo-se acanhada, ela adentra cabisbaixa e senta-se ao lado de Mariana que revira os olhos sentindo ciúmes daquela menina.
- Está com fome?
- Sim, doutora.
Ela volta a pia pegando o pequeno prato de sobremesa com um belo sanduiche que ela havia preparado. Colocando frente a ela, Eduarda desliza o prato na sua direção. A menina olha para aquela sanduiche e sorri.
- Preparei para você. Pega.
Envergonhada, ela pega uma parte do sanduiche. Eduarda vai a geladeira e despeja o suco de laranja que ela pegou no copo em cima da pia. Entrega a garota que come aquele sanduiche como se não comesse há anos.
Mariana e Eduarda se entreolham vendo que a menina tem muito apetite. Até que Mariana resolve perguntar.
- Nossa, você não come há quanto tempo?
Estefane para de comer e começa a contar nos seus dedos magros quanto tempo fazia que estava sem comer nada.
- Um dia inteiro moça.
Chocadas, elas se sentem m*l por ela. Eduarda a incentiva a voltar a comer o sanduiche.
- Então coma Estefane. Fique a vontade.
Ela apenas sorri colocando um pedaço do sanduiche na boca. Mariana ainda está chocada com o que ouviu e sentiu que o seu problema era tão insignificante perto do que aquela menina estava passando.
Mesmo Mariana sendo bem maluquinha, ela sempre teve problemas com os seus pais. Sempre a acusaram de ser a ovelha n***a da família, por sempre causar problemas, mas é a única que se esforça em tudo para dar uma boa qualidade de vida para todos, já que o pai que é viciado em jogos, depredou quase que a fortuna inteira da família. Já a sua mãe sempre fútil em não conter os gastos. Aquilo estava a consumindo por dentro. Pois, tudo o que ela fazia, era motivo para desagrado deles.
Enquanto que a filha que eles tanto bajulam, não passa de uma acompanhante de luxo de um amigo do pai delas e eles nem sonham que ela é assim e faz isso por puro prazer em gostar dos homens aos seus pés.
A briga entre eles hoje, foi por quererem mais dinheiro e que ela liberasse uma das últimas propriedades que eles têm, para o pai vender. O que acabou gerando uma desagradável discussão entre eles.
Mariana com lágrimas nos olhos, olhou para a sua amiga que havia voltado a sua atenção em continuar preparando mais sanduiches e a admirou.
Ali, era viu que a sua amiga, era um anjo em forma de mulher!
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Na sua cela, Henrique está nervoso e angustiado. Ele sente falta da sua baixinha astuta e queria que mesmo não tendo nada ainda entre eles, pelo menos olha-la quando a mesma viesse visita-lo e trazer pelo menos alguma solução.
O celular que ele tem escondido na cela, vibra. Ele se assusta, já que o combinado era somente ele ligar ou em extrema urgência receber uma mensagem.
Fazendo sinal para um dos seus companheiros de cela, o mesmo se levanta já sabendo do que se trata, fica em um ponto estratégico na grade para ver se os carcereiros vinham ou não.
Pegando o celular após o sinal de que estava tudo tranquilo, ele abre a mensagem que acabavam de lhe enviar.
“A casa caiu mano. O véio quase matou a mulher e a filha. A doutora tá ajudando”.
Um sorriso brotou nos seus lábios. Agora o seu humor melhorava por entender que a sua baixinha astuta, não o abandonou ali e sim, não foi por estar empenhada em tirá-lo dali.
- Ah, minha baixinha abusada, quanto mais você se empenha, mais eu gamo.
Ele sorri e guarda o celular de volta no esconderijo na parede.