Ainda assustada pelo estado que Estefane está, Eduarda, se aproxima lentamente dela, se agachando frente a ela.
- O que foi que aconteceu Estefane? – Ela pergunta com um sorriso doce, não deixando transparecer a preocupação que ela está com a moça.
Estefane, começa a chorar e Eduarda levanta-se olhando para a sua recepcionista e dispara.
- Bia, cancele todos os meus compromissos de hoje. Eu irei com a minha cliente até a minha sala e desejo não ser interrompida. Ok?
- Mas senhora Medeiros...
- Bia, caso seja necessário e estritamente importante, designe para o Júlio.
Com um semblante sério, Eduarda encara a sua recepcionista e secretária que assente cabisbaixa.
- Sim, senhora.
Na verdade, Bia olhou com desprezo por ver uma menina que independentemente de estar machucada, ela mostrava ser pobre e ela era uma mulher com um certo preconceito. Mas, ela não podia fazer nada, já que a sua chefe foi quem a atenderia.
Eduarda, estende a sua mão para Estefane e a menina olhando para aquela mão ergue a sua parando no meio do caminho. Ela fica indecisa se pega ou não na mão dela. Respirando de forma ansiosa, a menina acaba pegando na mão da advogada. A mesma sorri, por saber que ela confia nela.
Ajudando a se levantar, elas seguem até a sua sala. Para deixa-las mais à vontade, Eduarda tranca a porta.
- Por favor Estefane, sente-se e vamos conversar.
Ela ainda estava acanhada e por isso, com a cabeça baixa, ela segue para a cadeira frene a grande mesa de madeira e senta-se encolhida.
Suspirando com pesar e pena de ver aquela garota naquele estado e o medo que ela exala, caminha lentamente até a sua mesa, sentando-se frente à ela.
- Bem, estou aqui para te ajudar. Agora me conta, o que houve com você e cadê a sua mãe meu anjo?
Estefane ao ouvi-la perguntar sobre a sua mãe, ela chora. Eduarda acha aquilo estranho e pensa, “será que aconteceu alguma coisa com a mãe dela?”, mas a mesma sentindo um arrepio percorrer pelo seu corpo pelo medo de que aquela menina tenha perdido a sua mãe assola no seu coração.
Nesse momento, Eduarda começa a ofegar e oscilar entre o medo e as lembranças do passado em que presenciou a perda da sua mãe quando fora assassinada na sua frente. O seu olhar se torna vazio e ela, parece não estar ali, até sentir a mão de Estefane tocando o seu ombro dando uma leve sacudida.
- Eduarda!
- Ah, oi. Desculpa, mas você falou alguma coisa? – Ela tenta desconversar.
Estefane que já estava mais calma, voltou para a sua cadeira e olhou fixamente para Eduarda. Ela suspirou descontente.
- A minha mãe depois do baile apanhou do meu pai. Ela descobriu que ele é um homem muito m*l comigo.
Enquanto ela falava, lágrimas rolavam pelo seu rosto marcado pela violência que sofreu.
- Eu sinto muito Estefane. – Eduarda é sincera.
Sorrindo fraco, Estefane agradece.
- Obrigada. Mas, a minha mãe tentou me ajudar nesse domingo, mas infelizmente...
O nó se formou na sua garganta e ela não conseguia terminar de falar. Eduarda fechou os olhos pois, imaginou que ela perdera a mãe, mas a menina volta a falar com a voz embargada e entrecortada.
- A minha mãe está no Hospital Geral lá no centro. Ela está internada por minha causa.
- Não fica assim Estefane. Você não tem culpa de nada. Me desculpe, mas quem tem culpa é o seu pai.
Estefane olha para a advogada surpresa. Pela primeira vez, ela escuta depois da sua mãe, que ela não é a culpada por nada do que aconteceu à elas.
- Obrigada doutora por não me julgar e nem achar que eu sou a culpada como a maioria. – Ela sorri.
Impressionada com o que ela lhe disse, Eduarda levanta-se caminhando na sua direção e senta-se ao seu lado na outra cadeira segurando uma das suas mãos.
- Minha querida, quem diz o oposto colocando a culpa na vítima, é o maior errado e tão culpado contra o agressor. Nunca se deixe levar por essas pessoas. São ignorantes que não sabem o que dizem. Infelizmente a sociedade marginaliza sempre a vítima como culpada, mas não é. O culpado é sempre quem agride e não quem é agredido.
Ambas sorriem uma para a outra. A garota concorda e do nada, começa a contar tudo o que houve naquele fim de semana. Por um lado, Eduarda sente-se culpada por justamente ter se metido na história deles no baile, que acarretou naqueles abusos e agressões. Mas a garota lhe tranquilizou dizendo que aquilo já era corriqueiro acontecer. Esse, era o ponto que Eduarda queria chegar.
Ela então, indagou Estefane sobre o que ela precisa saber.
- Você me disse que isso tudo é sempre que acontece.
Ela apenas balança a cabeça concordando. Eduarda, continua.
- Bem, precisamos ir à delegacia para denunciá-lo.
Se contorcendo na cadeira, Estefane sente-se incomodada. O fato é que ela tem medo.
- Não se preocupe que eu ajudarei você e a sua mãe. Uma vez a justiça sendo feita, você poderá respirar em paz. Era somente ele quem sempre fez isso com você?
Estefane, engole em seco. Hesitante, ela acaba consentindo.
- Sim, somente ele.
Sentindo um grande alívio no peito, Eduarda respira aliviada, ela sorri e ao caminhar até a sua mesa, ela pega a sua bolsa na gaveta, o seu celular e as chaves do carro.
- Então, vamos comigo até a delegacia.
- Doutora, realmente é necessário?
Eduarda assente e a tranquiliza.
- Sim, é o certo a se fazer.
Respirando fundo, Estefane concorda sentindo um pouco de dor ao levantar-se.
- Está bem doutora. Vamos fazer o certo.
- Isso mesmo! É assim que se fala garota. – Sorrindo, ela segue até a porta destrancando-a.
As duas seguem para a garagem e ao entrar no carro de Eduarda, a garota fica fascinada em ver o luxo que há nele.
Eduarda ri do jeito bobo que a menina fica. As duas seguem até a delegacia conversando e a mesma conhecendo um pouco daquela garota e até os sonhos que ela pretende e deseja realizar, sendo um deles de estudar inglês para poder trabalhar na área de turismo.
Isso dava uma ideia de ajuda-la. Assim que tudo se resolvesse, ela faria isso por ela e pela mãe de Estefane, a quem teve um grande carinho logo de cara.
Estacionando o carro frente a delegacia, Eduarda percebe que a menina está nervosa. Olhando-a fixamente, ela pergunta se a menina tem realmente certeza do que vão fazer, para a sua surpresa, a menina lhe dá uma resposta que a deixa tranquila.
- Sim, doutora. Eu tenho certeza. Senão, eu e minha mãe não teremos paz.
- Então, vamos lá.
Abrindo as portas, elas seguem até o balcão onde um simpático policial preenchia uma ocorrência.
- Bom dia. Doutora Medeiros.
Ao deslizar o seu cartão no balcão, o policial parou até de preencher a papelada para olhar para aquela que está bem ali na sua frente.
- Em que posso ajuda-la doutora? – Ele sorri simpático.
Séria, Eduarda com a sua postura altiva responde.
- Viemos registrar um boletim de ocorrência.
Olhando para ela e depois para a menina ao seu lado de apenas 16 anos, ele suspira vendo o estado da garota.
- Sim, me acompanhem até a sala do delegado Borges.