Henrique não conseguiu ter um final de semana agradável. Nem a Úrsula que sempre o visitava para que ele pudesse aliviar a sua tensão por ela ser uma contratada por Vinícius para satisfazê-lo, ele não quis atender.
Conseguiu logo na noite de domingo mandar uma mensagem para Vinícius que o respondeu rapidamente.
“O cara tá vigiado. Os parça dele também. A doutora tá salva”.
Henrique sorriu e respirou aliviado deixando uma lágrima solitária cair pela sua bochecha que ele logo a secou. Depois dessa mensagem, ele pôde descansar em paz.
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No apartamento de Eduarda, ela analisava alguns processos, pediu uma comida japonesa que muitas vezes ela amava do restaurante do senhor Takida em que fora seu sogro numa época em que ela namorou com o seu filho Akira.
Ele sempre gostou muito dela como nora por ela ser uma menina doce, gentil e educada, o que mais o senhor Takida admirava, era o quanto ela era trabalhadora e esforçada. Ao contrário do seu filho, que sempre gostou de curtir de deixar o seu pai de cabelo em pé. Mas quando ele se relacionou com Eduarda, por um momento, ele havia sossegado, até se envolver com a máfia Yakusa e ter voltado para o Japão. Coisa que o seu pai nunca gostou muito, mas acabou se conformando de que ele talvez até nem desse mais notícias pois, deveria ter morrido por lá, já que haviam anos que não ligava e nem ao menos mandava sequer uma mensagem. Parecia que ele havia sumido do mapa.
O que o alegrava, era a companhia da sua esposa e das suas duas filhas Mey e Miang. Duas jovens que o ajudam no restaurante. Uma no preparo dos pratos, já que se formou sushi girl e a outra na administração do negócio, tendo se formado em administração de empresas.
Ela se sentia bem e acolhida por aquela família, que mesmo com as adversidades, nunca a rejeitaram por ser da cor do pecado e nem acima do peso. Sempre a trataram com carinho e respeito. Todos e até mesmo Akira, sempre gostaram muito dela.
- Um, cada dia que passa o senhor Akira sempre melhora no tempero e inova. Está divino. – Ela fala consigo mesma levando o hashi com sushi a boca.
Ela degusta daquela iguaria fechando os olhos como se fosse uma das oitavas maravilhas do mundo. Como estava sozinha em seu apartamento, ela gemia e suspirava em êxtase pelas delícias que ela comia.
De repente, ela se sentiu deprimida. Ela começou a se lembrar de Henrique e o quanto deve estar sendo difícil estar em uma cela comendo algo de péssima qualidade. Fora, que ela estava ali se divertindo consigo mesma, desfrutando da sua companhia que se sentiu m*l por ele.
- Que droga, nem sei porque esse d***o me veio à cabeça.
Ela dá de ombros e tenta continuar sem pensar nele, mas é impossível. Ela joga a caixinha de volta sobre a mesa e suspira frustrada.
- Droga, mas que droga viu. Nem no meu fim de semana, esse homem me deixa em paz.
Ela levanta-se e caminha com a sua taça cheia de vinho pela sala de jantar indo até a varanda. Deixando a leve brisa bater no seu rosto, ela fecha os olhos e ergue o seu olhar em direção ao céu. A noite está imensamente linda. Um céu estrelado com uma lua tímida, deixando aquele momento misterioso e cheio de segredos.
- Ah, lua, o que será de mim. Porque não iro esse homem da minha mente?
Ela ergue a taça como se brindasse com a lua e em um só gole, ela bebe todo o conteúdo da taça.
Voltando para a sala de jantar, ela se depara com uma caixinha intocada. Ela sorri, pois, sabe que ali, há um biscoito da sorte. Ela resolveu abrir para ler o que o biscoito transmitia.
“Um grande amor você irá viver, mas terá que escolher, entre a razão e o coração, mas quem lhe dará a resposta, será o grande amor”.
- Nossa, isso é bem profundo, mas quem será esse grande amor? Vamos ver né. – Eduarda dá de ombros.
Ela come o biscoito e guarda a mensagem dentro do seu livro de código penal.
O seu final de semana foi extremamente aconchegante e ela estava pronta para conseguir de uma vez por todas, tirar o Henrique da prisão.
Ela é sarcástica consigo mesma e murmura se olhando no espelho enquanto termina de se arrumar.
- O meu cliente quando estiver fora daquele presídio, vai olhar para você e dizer “Obrigado pela ajuda doutora”, kkkkkk.
Ela balança a cabeça em negação rindo e ao terminar de se arrumar, ela dá uma última conferida no espelho e vai para o seu escritório.
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Antes de ir para o seu escritório, Eduarda passou no fórum para conferir sobre um processo se já haviam marcado a data e sobre as petições que ela havia enviado solicitando o exame de DNA e também o habeas corpus para Henrique.
Infelizmente, ela ainda não tinha o retorno do juiz quanto ao caso dele, mas já tinha a data da audiência que ela fora procurar saber.
Olhou no relógio e viu que se aproximava do horário do seu encontro com Carmélia e Estefane no seu escritório. Ela saiu do fórum apressada seguindo para encontra-las.
Por sorte, hoje o trânsito estava calmo e ela não demorou nada para chegar.
Ao passar pela recepção, a sua funcionária gesticula apenas com a cabeça olhando em direção de uma jovem que estava ali aguardando-a em uma das cadeiras. Ela estava cabisbaixa.
Eduarda sorriu para a sua funcionaria e lhe agradeceu. Caminhando até onde aquela menina estava sentada, ela achou estranho que só ela estivesse ali, mas deu de ombros por achar que a sua mãe estivesse dado uma saída ou ido ao banheiro. Ela se aproximou mais.
- Estefane!
Erguendo o seu rosto, Eduarda levou a mão a boca horrorizada por ver no rosto daquela linda menina um pequeno core no supercilio e alguns hematomas no seu rosto.
- Doutora. – Ela murmura e sorri fraco.
- O que foi que houve com você e onde está a sua mãe? – Ela pergunta preocupada.
Se encolhendo na cadeira, Estefane se retrai como se ali fosse um escudo de proteção.