Logo no meio da tarde, Eduarda despertou do seu sono. Espreguiçando-se, ela estica para pegar o seu celular na mesa de cabeceira para checar as horas.
Ela boceja e logo arregala os olhos não acreditando que já eram 16h.
- Como isso é possível! Dormi muito dessa vez.
Levantando-se de lingerie, ela segue até o seu banheiro e toma um rápido banho para despertar o sono. Após sair enrolada na sua toalha king vermelha, ela se olha no espelho e sorri para si mesma.
- Sou mesmo linda. A minha cor, minhas curvas avantajadas e a minha altura, só me deixam ainda mais linda. – Eduarda solta um beijo para o seu próprio reflexo e pisca em meio a um sorriso.
Caminha até o seu closet e pega um vestido estampado de zebra com um decote coração. O vestido é de alças finas e justo no b***o, o que a deixa bem a vontade em não usar sutiã. Ela opta por uma calcinha confortável e acaba correndo para o quarto ao ouvir o toque do seu celular.
- Alô minha quenga, ocupada? – Ela sorri abafado.
- Mulher, acabei de acordar agora.
- Vai chover canivetes desse jeito, kkkkk, a minha amiga dormindo até agora.
Mariana gargalha e Eduarda revira os olhos. Até que a mesma dispara para a sua amiga que logo para de gargalhar.
- Tá parecendo uma hiena descabida. – Ela morde o lábio contendo o riso.
- Rá, rá, rá, sem graça você né sua quenga! – Mariana fala emburrada.
- Quem mandou ficar me zoando. Tirando onda com a minha pobre carinha de anjo. – Eduarda fala em deboche dando de ombros.
- Anjo? Sei... está mais pra diaba mesmo isso sim.
Nesse momento ao ouvir a palavra “diaba”, ela se lembrou da ligação de mais cedo com o seu cliente e crush não correspondido e suspirou alienada.
Percebendo o silêncio e um suspiro pesado do outro lado da linha, Mariana traz a sua amiga para a realidade e fala sobre algo que até então, ela nem sabia ainda.
- Du, deixa eu e contar um babado.
- Ah, é. E o que seria? – Fingindo indiferença ela pergunta.
- Você está nas redes doida.
- Redes?! Que mané redes?! Do que você está falando?
- Ué, da coça que você deu no el bigodon que tentava se crescer para aquela moça e a mãe dela ontem lá no baile. Você não viu o vídeo?
- Não me diga que eu apareço nele Mari. Sabe que isso aconteceu, o relacionamento com o meu pai e provavelmente a minha carreira pode ser prejudicada com isso. Aonde está esse vídeo? – Eduarda pergunta assustada.
- Calma Du, não dá pra ver você no vídeo. Mas quem sabe que é você e quem estava no baile, não tem como falar nada e nem apontar você.
Mesmo suspirando aliviada, Eduarda quer ver o vídeo e agora, tudo faz sentido daquela ligação do Henrique de mais cedo. Mas como ele estava tão saidinho, ela não se atentou as entrelinhas. Até que ela mesma murmurou em voz alta sobre algo que ele havia dito.
- Então foi por isso que ele ligou mais cedo. Babaca!
- Babaca, que babaca Duda? Alô mulher, me responde, alô!
“Tu, tu, tu”
Eduarda acabou desligando por ficar atônita pensando que na verdade, Henrique ligou para saber sobre o ocorrido da noite passada.
Buscando nas mensagens que recebeu, ela vê o vídeo que haviam lhe enviado. Foi Raul quem lhe enviou aquele vídeo.
Com uma mão na boca, ela a abre chocada e incrédula de como teve coragem para partir para cima daquele troglodita. Mas, após a recuperação do choque, ela ri e acha bem feito por ele ter apanhado, quem mandou ele mexer com mulher e querer desrespeitá-las.
O que lhe chamou a atenção, foi uma mensagem que a mesma recebeu pelo w******p de um número desconhecido. Ao abrir a caixa de mensagem, ela fica perplexa, pois não esperava que ele fosse entrar em contato tão rapidamente.
“Doutora é a Estefane do baile, sim, eu e minha mãe queremos a sua ajuda por favor”.
Ao ler aquela mensagem, ela sabe bem que aquela menina e a sua mãe precisam mesmo de ajuda. Ela sorri com os seus olhos marejados em lágrimas e responde prontamente a mensagem recebida.
“Estefane, na segunda às 15h, espero vocês no meu escritório XXXXX, no edifício Pérola no centro. Com certeza, ajudarei vocês. Advogada Medeiros”.
Ela suspira aliviada por matar dois casos em uma só tacada. Agora sim, ela faria com que o seu cliente fosse solto e de quebra livraria as duas das mãos daquele monstro que nem deve ser chamado de pai.
Seguindo para a sua cozinha, ela que sempre gostou de cozinhar para se distrair e desanuviar sua cabeça, foi preparar algo que ela gosta muito de fazer, arroz branco com feijão tropeiro e frango frito.
Foi até a sua mini adega ao lado da geladeira e pegou um bom vinho. Ligou o seu som na cozinha ouvindo um bom pagode fundo de quintal e começou a preparar o que mais ama comer.
Mas, virava e mexia, ela se lembrava das palavras de Henrique falando ao pé do seu ouvido como se fosse um sussurro por estar no telefone com ele. “Vai ficar sem sentar por uma semana de tão pesado que pegarei com você”.
Sorrindo, ela balança a sua cabeça em negação e murmura.
- Diabão e babaca!
Ela dá de ombros e continua a fazer a sua comida entre bebericar do seu vinho e dar umas sambadinhas ao som de Zeca Pagodinho, Martinho da Vila, Diogo Nogueira, Arlindo Cruz e destemida e maravilhosa Alcione.
Até arriscava uma palinha cantando alguns refrãos das músicas meio desafinado. Ela estava feliz, por finalmente conseguir provar a inocência pelo menos nesse caso do seu cliente Henrique Fontes.
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No presídio, Henrique estava impaciente na cela, quando recebeu uma mensagem do seu amigo e braço direito Vinícius, conhecido como Trator, que havia colocado costurado numa das camisas que Pamela lhe trouxe na visita junto com as frutas e objetos de higiene para ele.
Ele pragueja baixo, mas o suficiente para um dos detentos, companheiros de cela dele ouvisse.
- Merda, merda, merda!
- O que foi chefe, qualé de mermo?
- Não enche grilo. Só tô pensando, vá dormir!
- De pensá morreu um burro chefia kkkkk. – Ele gargalha atraindo a atenção do outro que fica ali com eles.
Henrique os olha atravessado e os dois logo se calam, entendendo bem que extrapolaram e cruzaram o limite com ele. Ambos se viram para o lado da parede, para tentar dormir.
- Ah minha baixinha, ele não vai triscar um dedo em você. Eu não vou deixar. – Henrique murmura baixo cerrando os punhos com raiva.
Colocando as mãos penduradas na grade, ele fecha os olhos e tenta pensar em algo para não deixar nada de m*l acontecer à ela.
Por mais que ele tentasse bolar algo para passar à Vinícius, não vinha nada na sua mente, só a imagem daquela bela mulher e os seus lindos olhos o fitando.
Mas, uma coisa ele tinha a certeza, não deixaria Antônio fazer nada contra a sua baixinha astuta nem que ele precisasse coloca-la num lugar que só ele tenha acesso a ela e ninguém mais.
Naquela manhã, enquanto ele recebia a visita da sua amiga e comadre e do seu afilhado, o seu amigo já havia recebido a mensagem de que Antônio estava como um louco a procura de informações da advogada que até então, ninguém com exceção dele e de Henrique, sabiam quem ela era. Vinícius achou melhor pedir a Pamela para visitar o amigo e transmitir a ele essa mensagem que ele mandou a tia do morro, costurar em uma parte da sua camisa a mensagem que ele queria enviar para ele.
Vinícius aguardava ansioso pelas ordens do seu chefe, mas ainda assim não tinha nenhum sinal. Ele sabia que quando Henrique ficava quieto desse jeito, ele estava pensando e boa coisa não viria a seguir. Então, ele passou o restante do sábado ordenando que os outros que trabalhavam para eles, ficasse de tocaia acompanhando os passos de Antônio e de alguns puxa sacos dele.
Qualquer coisa que ele viesse a fazer de errado, ele tomaria a atitude por Henrique e depois se entenderia com ele.