Capítulo 11: Preciso realmente da sua ajuda, doutora.

1384 Palavras
O fim de semana para Eduarda sempre fora o mesmo. Passava em casa ou ia dar um passeio no shopping ou às vezes passava o dia de domingo na casa do pai com ele e sua avó. Mas especificamente nessa manhã de sábado, ela estava dormindo até que o seu celular insistentemente toca. Ela ergue a sua cabeça e com os olhos semiabertos, ela não conhece o número e não atende voltando a dormir. Mas, parece que quem quer ligando para ela, não entende que ela não quer atender. Sentando-se na cama com a cara emburrada, Eduarda boceja pegando o celular e atende aquela ligação tomada por uma raiva descomunal. Uma voz rouca que parecia um trovão anunciava não só ter sido interrompida do seu sono, como também por ter acabado de acordar. - Que inferno, alô! O riso sussurrado parecia indicar o bom humor da pessoa do outro lado da linha, o que fez Eduarda azedar ainda mais o seu. Ela faz um beiço do tamanho de um bonde em frustração. - Não vai falar não d***o, vou desligar. - Rumrum, não desligue. – A voz do outro lado ressoa. Eduarda sente um arrepio percorrer pela espinha, o calor entre as pernas por ouvir aquela voz como um sussurro, potente e autoritária que a deixa de pernas bambas. - Ainda tá aí doutora? Ela massageia os olhos para despertar um pouco mais. Aquela voz não era de Deus, isso é o que Eduarda pensa consigo mesma. A própria, não conseguia entender como um homem daqueles mexia tanto com a sua estrutura. Do outro lado da linha, não era diferente. O mesmo sentia um misto de sentimentos jamais sentido por mulher alguma antes. Ele insiste mais uma vez e ela retoma a lucidez. - Alô! - Oi Henrique. - Puxa, pensei que não ia me atender. Estou aqui gastando mó grana pra ligar para você e poder ouvir a sua voz. – Ele fala malicioso. Eduarda revira os olhos, mas sente o coração bater tão rápido, que parece que ele irá saltar pela boca de tão frenético que ele está por aquelas palavras. - Caso o senhor não saiba, hoje é dia da minha folga e eu gosto de dormir até tarde. E quando sou acordada nesses dias em que quero dormir mais, eu viro um bicho. - Se você vira o bicho, eu sou o d***o. – Ele ironiza. Eduarda bufa e o mesmo lhe atenta por algo que ele sabe bem que ela está fazendo. - Sei que ao bufar, com certeza deve ter revirado os olhos. Pode estar certa, que eu vou te castigar quando estivermos entre quatro paredes. - O que?! Eduarda fica indignada, mas ao mesmo tempo sentindo um fogo em labaredas, pronta para se queimar de tão excitada que está. - Isso mesmo que você ouviu. Vai ficar sem sentar por uma semana de tão pesado que pegarei com você. Ela dispara a rir. Por mais que Henrique ficasse com raiva por ela achar graça do que ele fala, o mesmo começa a rir também pela gostosa risada que ela dá pelo telefone. - Faz me rir viu. Olha só senhor Henrique Fontes, por hoje não ser o meu expediente e nem estar falando como sua advogada agora, vou lhe pedir como mulher. Não me ligue mais se não for sobre o seu caso. Isso é antiético e com certeza se usa isso para as suas mulheres por aí, comigo isso não cola. Não me ligue ok? - Ai, dessa vez magoou meu coração princesa. – Ele fala sentindo-se injustiçado. Eduarda bufa e ele completa agora sem risos ou ironias. Ele fala sério. - Tudo bem. Se é assim que a senhora quer, não ligo mais dona. “Tu, tu, tu” Eduarda, retira o celular do ouvido e olha indignada pela birra que Henrique fez agora a pouco. No fundo ela estava fazendo charme, estava adorando aquela forma de sedução rústica dele. Já estava com a peça íntima molhada e doida para tê-lo na sua cama. O visor se apaga e aí sim, ela volta a realidade. - Que babaca mesmo. Agindo feito um moleque. Mas, quer saber, que se dane! – Eduarda dá de ombros. Coloca o celular de volta a mesa de cabeceira e volta a dormir. Pelo menos tenta, já que toda aquela excitação a deixou mais acesa. Ela então, abriu a sua gaveta e pegou um dos seus consolos e se deliciou imaginando estar com ele no lugar do seu brinquedo. Depois de um tempo chegando ao seu ápice, ela vai ao banheiro se limpar e higienizar o seu brinquedo, o colocando de volta na sua gaveta. - Isso que eu chamo de boy. Não tem DR, não tem chatice no seu ouvido e vai para a gaveta e só volta quando se quer usar. Kkkk. Ai, ai, agora eu vou dormir. Finalmente, ela se aconchega nos seus travesseiros e dorme o sono dos justos. ~~~~~~~~~~~~~~~~~ No morro dos macacos não se fala em outra coisa. A surra que Antônio levou de Eduarda ao qual ninguém sabia o seu nome e nem de onde ela era, já que todos da comunidade conhecem uns aos outros estavam eufóricos e curiosos para saberem dela. As únicas pessoas que sabiam quem ela era, é Estefane e a sua mãe Carmélia. A garota estava ansiosa, queria muito sair daquele lugar e principalmente dos abusos que o próprio pai comete com ela e a mãe. Carmélia, pelo topete de ter sido defendida por aquela mulher desconhecida, estava com o rosto com hematomas e um corte nos lábios. Ela não estava com raiva de Eduarda por ter levado aquela surra, estava com raiva dela mesma por se deixar levar e apanhar do marido assim que durante a madrugada, queria abusar da própria filha e fora a descoberta do que ela desconfiava há tempos. Estefane se aproxima da sua mãe assustada na cozinha, enquanto a mesma está a preparar o almoço. Antônio não está em casa pois saíra logo cedo para procurar saber mais sobre a mulher que lhe deu um bom sacode o que o deixou entre o amor e ódio por ela. - Mãe. A senhora está bem? Tentando esconder o rosto, ela continua picando os alimentos sobre a tábua de legumes. Fungando, por estar chorando, ela responde com a voz embargada. - Está tudo bem filha. Vai ficar. - Mãe, eu vou ligar para a doutora. Ela pode nos ajudar. Virando-se para a sua filha, ela levou as mãos a boca em choque por ver como estava o rosto da sua mãe. Se via no olhar da mesma o desespero. Ela aponta a faca na direção da filha gesticulando-a pelo medo de que aquilo pode dar errado. - Não filha. Pelo amor de Deus não faça nada disso. - Porque não mãe? Olha só pra senhora. Isso não é vida para gente. Nenhuma mulher merece passar por isso. Ela larga a faca sobre a mesa e segura firmemente a mão da sua filha pedindo em súplica. - Filha, não faz nada por favor. Eu te peço. Promete para mim. - Mãe! Ela insiste. - Promete filha! Ela leva uma mão atrás das costas e cruza os dedos. A sua filha concorda. - Tudo bem mãe. Carmélia esboça um sorriso fraco e volta para a pia continuando a cortar os legumes e temperos após pegar de volta a faca sobre a mesa. - Agora vai filha. Vai procurar algo para fazer que daqui a pouco o almoço está pronto. Ela olha para a sua mãe de costas e suspira aliviada por prometer algo com o dedo cruzado e o que seria feito por ela, não seria nenhuma quebre de promessa. - Tá mãe. Olhando sobre a estante, ela vê perto do pote de porcelana o cartão que Eduarda lhe entregou na noite anterior no baile. Sem que a mãe veja, ela pega o cartão e vai para o seu quarto. Lá, ela manda uma mensagem para ela e respira aliviada por ter dado esse passo para salvar ela e a mãe das garras do seu pai Antônio. Murmurando baixo com ela mesma, Estefane até sorri em meio as lágrimas. “Eu preciso mesmo de ajuda Doutora, da sua ajuda e eu vou conseguir nos tirar dessa”.
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