Mariana e Eduarda desciam a ladeira do morro até onde o carro que Raul estacionou rindo. Elas estavam achando graça depois de tudo o que aconteceu naquele baile. Só faziam rir e nem se deram conta de estarem sendo seguidas por dois vapor que Vinícius havia ordenado que fizessem a segurança delas, apesar que, pelo que ele havia presenciado, não precisaria fazer muita coisa, já que Eduarda mostrou a sua fibra contra homens como Antônio.
Por conta do seu trabalho como advogada e sendo filha de um juiz conceituado, Eduarda teve aulas de tiro e tinha porte legal de arma. Atirava melhor que muito policial por aí.
Nisso, nem a sua amiga sabia. Era melhor até que não soubesse por enquanto.
- Amiga, eu pensava que eu era a doida, mas vejo que você é doida mesmo, talvez até mais doida que a galega aqui kkkkk. – Mariana coloca as mãos nos joelhos e dá uma empinada rebolando o seu traseiro.
Eduarda dá risada da sua amiga. Duas mulheres que se conhecem há muitos anos. Foi Mariana quem ajudou Duda em um momento crucial na sua vida. E desde esse dia, não se desgrudaram mais. Se chamarem de quenga, era a forma carinhosa que sempre conduziram a relação das duas.
Mas, em alguns momentos, Eduarda sempre vinha com o apelido que Mariana mais odiava por se lembrar de um ex namorado que parecia uma mocreia por não se cuidar. Ele, de fato era muito bonito, mas devido a puberdade e adolescência, ele tinha muitas espinhas, o que deixava o pobre garoto, parecendo alguém que não se cuida. Só que Mariana, o amava muito, talvez até não o tenha esquecido, mas de fato ela não suportava quando ela a zoava por se lembrar dele.
As duas riem até chegar ao carro e ao olharem em direção à rua que desceram, perceberam que os dois rapazes que vinham logo atrás, entraram em uma viela escura. Elas se entreolham assustadas, mas logo se recuperam ao ouvirem Raul descendo a mesma ladeira correndo e gritando por elas.
- Mari, Duda.
- Anda logo homem. Estamos com frio. – Mariana grita de volta rindo e em um tom de malícia.
Ao chegar perto delas, ele coloca as mãos nas suas coxas ficando encurvado para recuperar o fôlego que estava quase escasso. Eduarda aproveita para zoar o amigo.
- Ih Mari, acho que alguém aqui tá velhinho. Não aguentou nem correr ladeira abaixo kkkkk.
Raul, ficando de pé recuperado do esgotamento físico pela corrida, fuzila Eduarda com um olhar indignado.
- Olha quem fala, a tampinha mirim. – Ele zomba.
Estreitando os olhos, Eduarda abre um sorriso icônico e o mesmo retribui o sorriso da mesma forma.
- Vamos logo Raul, é sério. Eu estou com frio poxa! – Mariana fala dengosa.
Raul acena em afirmação e destrava as portas e o alarme, abre a porta para a sua querida Mari e em seguida para Eduarda com um sorriso debochado. Ele dá a volta no carro e vê ao longe os rapazes que haviam entrado na viela escura, saírem de lá voltando para o baile. Ele suspira, pois sabe que são rapazes que trabalham para o chefe do morro e que fora Vinícius quem os mandou atrás delas para fazerem as suas seguranças.
Eles seguem para o apartamento de Eduarda. Ao chegarem na frente do prédio, ela se despede dos dois dentro do carro e segue para o seu lar sem a companhia da sua amiga pois, sabe bem que ela irá ter uma noite tórrida de amor com Raul.
Por mais que não admitissem, eles se estranhavam, mas se pegavam e se atracavam em noites loucas de prazer. Logo que chega ao seu apartamento, ela retira as suas roupas pelo caminho e segue para o seu banheiro tomando uma leve chuveirada.
Após o seu banho, ela veste uma bela lingerie rosa e deita na sua cama se cobrindo com um edredom e ligando o seu ar ao máximo.
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Na manhã seguinte, Henrique estava no seu banho de sol e como é um dia de sábado, ele receberia uma visita. Dessa vez, Pamela era quem viria visita-lo.
Pamela, é uma mulher de 27 anos que Vinícius teve um filho na adolescência. A mesma, nunca quis essa vida para ela no crime e por isso, optou de não se relacionar mais com ele. Os dois sempre se gostaram, mas nenhum deles dá o braço a torcer ou deixa de lado os seus ideais. Para Vinícius, enquanto for vivo, o juramento que ele fez ao seu padrinho que era o pai de Henrique agonizando nos braços do filho, era que jamais sairia de perto dele, só sairia morto.
Já para Pamela, essa vida nunca foi para ela, sempre viver com medo do que venha a acontecer no dia seguinte ou em questão de segundos. Ela gosta muito de Henrique e sempre fora uma grande amiga dele. Sempre tentou tirá-los dessa vida, mas o seu amigo assim como o seu grande amor, não tiveram muitas opções de abandonar esse mundo do crime.
A campainha toca anunciando que era dado o horário de visitas e que por isso, todos os presos tinham que deixar o pátio e voltarem para as suas celas. Henrique por ser muito conhecido como a “lei” do seu morro, ele era não só temido, mas respeitado por todos os presos e mesmo que saibam que ele estava ali por causa de uma denúncia de estupro, ninguém ousou em tocá-lo, pois, sabem bem quem é ele.
Retornando para a sua cela, ele olha para o buraco que há na parede e retira a pedra falsa que há na frente tampando e de lá, retira o celular que ele esconde. Antes que ele possa fazer uma ligação para saber como foi o baile e o que aconteceu com a sua “baixinha astuta”, a campainha soa mais uma vez.
Ele sabe, que é a contagem dos presos e se estão devidamente nos seus lugares. Henrique, coloca de volta o celular no lugar que estava e senta-se na sua cama. Ele divide a cela com mais dois presos.
- Henrique Fontes, visita. – O carcereiro que faz a contagem anuncia.
Ele se surpreende por saber que há uma visita para ele. Um sorriso se estende por todo o seu rosto parecendo o coringa do Batman. Na verdade, ele pensa ser a sua doce advogada, mas logo terá uma surpresa.
Todos que foram chamados para seguirem ao pátio, ficam fora da cela e fazem uma fila indiana. Caminham um atrás do outro seguindo para o mesmo lugar que estavam minutos atrás. A princípio, ele não entende que a visita será no pátio, mas logo a sua ficha cai e começa a desparecer o seu sorriso bobo do rosto.
O sorriso desaparecendo, dá o lugar para uma carranca pois, ele sabe que não se trata da sua advogada e sim de alguém que ele não espera ver por ali.
Uma mão se estende no ar acenando para Henrique, que ao colocar os pés no pátio, avista ao longe. Ele caminha lentamente até o aceno e a linda mulher que o esperava é quem ele sempre considerou como uma irmã e que está com o seu afilhado do lado.
Ela levantasse dando um abraço rápido nele.
- E aí grandão.
- Pamela, o que faz aqui? E esse moleque aí!
- Oi tio.
- Tio o escambau, é padrinho moleque. Vem cá dá um abraço antes que os cara não deixe.
O rapaz de 15 anos quase do tamanho de Henrique se levanta e dá um abraço nele. Ambos se sentam nos bancos de cimento ao redor da mesa do mesmo. Uma sacola com frutas, material de higiene e cigarros, são dados para Henrique. A carranca se suavizou um pouso ao vê-los, mas a sua amiga e comadre, sabe bem que ele não está muito bem.
- Rique, o que foi que tá com essa cara?
- Que cara? É a mesma de sempre! – Ele fala dando de ombros.
Ela ri. Balança a cabeça em descrença, pois sabe que ele está mentindo, já que não consegue encará-la.
- Te conheço homem, vai desembucha.
Henrique revira os olhos e bufa.
- Pensei que a visita era outra pessoa.
- Outra pessoa, quem? – Ela pergunta curiosa com um sorriso.
- Nada, deixa pra lá. E aí, porque veio aqui hoje com o meu afilhado?
- Ah, o traste...
- Mãe! – Luan repreende a mãe.
Ela revira os olhos.
- O pai do Luan teve lá em casa hoje cedo e mandou que eu trouxesse essas coisas pra você.
- Só isso, não falou mais nada não?
- Tá preocupado com o que, com a advogada?
Henrique coça a sua nuca e Pamela sabe que esse é um tique nervoso que ele tem, quando está ansioso.
- Ele resolveu a parada lá?
- Bem, ele não resolveu, mas ela sim. – Ela fala rindo.
Intrigado, Henrique a indaga.
- Como assim ela sim?
- Ela deu uma surra no pai daquela lá. – Pamela fala debochada e com desprezo quando cita Estefane.
- O Antônio? – Henrique pergunta perplexo com os seus olhos arregalados.
- Sim, ele mesmo.
Nesse momento, Luan tem uma crise de risos pois, ele estava no baile na hora que tudo aconteceu.
- Padrinho, o senhor precisava ver a coça que ela deu nele, foi demais.
Luan fala com um brilho orgulhoso no olhar. De certo modo, Henrique se sente incomodado com o jeito que ele fica olhando para o céu falando das artimanhas da sua advogada. O bichinho dos ciúmes parece ter picado ele de jeito que ele revira os olhos e com aspereza dispara.
- Não vejo nada de mais nisso. Além do mais é perigoso, ela poderia ter se ferido.
- Mas não se feriu. Ela fez o que muito marmanjo queria fazer com aquele trogli de meia tigela.
- Trogli?! – Henrique questiona.
Pamela sempre falava umas gírias engraçadas, mas essa era uma novidade para ele.
- Troglodita ué. Eu hein você!
Ele ri e Luan vai no embalo do padrinho e ri da mãe também. Durante o empo da visita, eles conversaram bastante e ela contou tudo como foi e que até tem um vídeo circulando na internet com a coça que ela deu nele, só que não dá para ver ela de frente e sim de costas. Mas a cara que se vê do Antônio se contorcendo em dor ao receber a cabeçada e joelhada nos seus países baixos, foi impagável.
Ao dar o horário do final da visita, Henrique se apressou para voltar a sua cela pois, queria ver o feito da sua baixinha contra aquele homem.
Pegando o seu celular no esconderijo na parede, ele ao ligar, vê uma mensagem vinda do seu amigo e braço direito Vinícius. Ao abrir o vídeo que ele enviou, ele ficou abismado, chocado e admirado por uma mulher tão pequena em vista da altura dele e de Antônio, fazê-lo ficar menor que ela ao bater nele.
Ele sorri e murmura consigo mesmo.
- Essa é a mulher certa para mim. Ah, baixinha astuta, você será minha, ah se vai!