Todas começaram a dançar juntas e Eduarda acabou chamando mais atenção do que devia. O pai de Estefane que estava de olho na enteada por nutrir uma obsessão pela menina, se encantou com o rosto e jeito de menina em um corpo de mulher ao ver aquela baixinha astuta requebrando o seu corpo.
Sorrateiramente, ele se aproximou das garotas e continuou a observar os detalhes daquele corpo em movimento, o sorriso e a ponta da língua presa entre os dentes enquanto dança sensualmente.
Mariana, que já havia sacado um homem moreno de cavanhaque, blusa colorida com os primeiros botões abertos deixando uma parte do peitoral peludo a mostra, uma corrente dourada no pescoço, mirava a sua amiga percorrendo com os olhos ardentes sobre ela.
Se aproximando da amiga, ela sussurra alto no seu ouvido devido ao volume alto da música.
- Amiga, tem um homem ali te secando. Acho bom maneirar o coroa parece que vai te comer viva aqui. – Mariana fala com uma certa preocupação.
- Aonde ele está?
- Disfarça, mas está à sua direita encostado perto do balcão de bebidas. O cara parece um bicheiro vestido daquele jeito. – Mariana dá de ombros rindo.
Disfarçadamente, Eduarda olha em direção aonde ela lhe disse e de fato o homem não parava de olha-la. Ele a secava e passava a sua língua de forma erótica por toda a sua boca. Cochichava algo com alguns rapazes com ele e riam. Ela sentiu-se enojada por aquela cena.
Mas o que ela percebeu ao se virar de costas para ele, foi ver Estefane olhando-o e tremendo todo o corpo. Ela mostrava-se assustada e com medo. A sua mãe, começou a olhar para Eduarda com desprezo. Aí ela entendeu, que aquele homem é o pai daquela garota. Ela se aproxima da menina, colocando a mão no seu ombro a assustando.
- Calma, desculpa. Está tudo bem?
- Si-sim.
- Você está tremendo. Tem certeza que está tudo bem mesmo?
Ela apenas balança a cabeça em afirmação. Carmélia, se aproxima das duas e fala algo no ouvido de Estefane que não dá para ela ouvir ou entender o que conversam, até a menina olhar para ela com os olhos arregalados. Ela intercala o seu olhar entre as duas e não entende porque elas a encaram. Uma com raiva e a outra com medo.
Balançando os seus ombros em pergunta porque estavam lhe olhando daquele jeito, Carmélia se aproxima de Eduarda e fala ao pé do seu ouvido quase gritando.
- O meu homem tá de olho em você. O que é, se aproximou da gente por que?
Olhando-a de relance, Eduarda quase ri da situação. Na verdade, ela só se aproximou da garota para ela mudar o seu depoimento e fazer com que peçam o exame de DNA para comprovar que o cliente dela não tem nada a ver, mas que precisa ter algo que atice a vontade do juiz autorizar. Ela segura nos ombros de Carmélia que se assusta com o seu gesto mas não se abaixa para ela demonstrando-se intimidada. Ela continua com a sua cabeça erguida e escuta o que Eduarda tem para falar.
- Eu na verdade, não sou nada do seu marido. Estou aqui para me divertir, mas não é com um homem que tem idade para ser o meu pai. – Eduarda dá uma piscadela para ela e sorri.
Em seguida, ela olha para a sua amiga que também está dançando ao som do funk com Juliana e Larissa. Uma delas percebe olhando para elas e cutuca Mariana que ao virar-se vê a sua amiga fazendo um sinal para elas circularem. Na verdade Eduarda queria ir ao banheiro, como uma desculpa para quebrar um pouco o clima que se fez presente entre ela e a mãe de Estefane, já que a mesma lhe olha com uma cara esquisita.
As duas saem de perto delas indo em direção ao banheiro. A fila estava enorme, mas as duas estavam ali esperando pacientemente. Até, Antônio chegar acompanhado de um dos rapazes que estava com ele perto da sua esposa e de Estefane.
- Olha lá Duda! – Mariana fala apontando em direção as meninas.
- Aff, o que esse cara tá fazendo. Vamos voltar.
Mariana tenta argumentar, mas conhecendo a amiga que tem, seria impossível enquanto ela a arrasta pela multidão até onde eles estão.
Chegando próximo a elas, ele está com o dedo apontado no rosto da sua esposa, enquanto a menina chora encolhida atrás dela. O homem, parece transtornado. Até que Eduarda interrompe dando um empurrão nele que se abala indo um pouco para trás.
- O que você pensa que está fazendo seu ogro!
Nessa hora, o som é interrompido. Todos se viram em direção a eles e observam tudo de camarote. Alguns cochicham entre si sobre a atitude de Eduarda em defende-las. Outros manifestando-se com medo por ela estar frente a um homem odioso pela comunidade que não respeita mulher alguma.
Ele sorri em deboche olhando para Eduarda com malícia.
- Nossa, a gatinha é brava. Gosto assim pra amansar. Olha só como fiquei.
Nesse momento, ele coloca a sua mão por cima da calça e se aperta fazendo uma expressão como se aquilo fosse prazeroso se tocar na frente de toda aquela gente. Muitas pessoas que viam aquela cena inclusive Eduarda e Mariana, se sentiam enojadas com aquele jeito horrendo dele.
Cruzando os braços na altura dos s***s, ela acena em negação com cara de nojo. Ele abre os seus olhos, e encara para aquela mulher que lhe olha com desprezo. Ele sorri e caminha lentamente até ela.
- O que foi linda, quer brincar?
Olhando de relance para a sua amiga, a mesma apenas lhe sorriu e acenou positivamente. O que aconteceria agora, era algo que nenhum homem deve subestimar uma mulher.
- E o senhor dá conta da brincadeira? – Eduarda provoca desdenhando.
Sorrindo de lado, Antônio está com raiva por dentro e não quer demonstrar para ninguém principalmente ela, que ele quer mesmo dar uns tapas nela e depois aproveitar cada parte daquele corpo que tanto lhe chamou a atenção.
- Garotinha não me provoca. Eu não só dou conta, como você vai me pedir por mais.
Ela gargalha e o mesmo se aproxima agarrando os seus braços e cintura de uma só vez.
Os olhos para ele é de puro ódio o combustível perfeito para o que ela vai fazer a seguir.
Com toda a sua força, ela pisa no pé dele com o salto da sua sandália e ele faz uma cara de dor, aproveita a sua distração e até a sua cabeça na dele.
Ele a solta cambaleante e por último, ela se aproxima do mesmo que leva a mão na testa e lhe chuta a virilha fazendo-o cair no chão se contorcendo de dor.
Com os olhos semicerrados, ela dispara em alto e bom tom.
- Nunca subestime uma mulher seu palhaço.
Ao virar-se para sair, ela caminha em direção a Estefane e lhe dá o seu cartão. A menina que estava atrás da mãe assustada, pega com a sua mão trêmula e olha para a mãe em seguida que está chocada com o que ela acabou de fazer com a boca em formato de O.
- Se precisarem, é só me procurar. Eu posso ajudar vocês.
Estefane com os olhos brilhando pelas lágrimas que se formaram, sorri emocionada. Carmélia pega o cartão da mão da sua filha e coloca no seu sutiã para não perder e sorri agradecendo.
Ela apenas acena em afirmação com a cabeça e em seguida grita pela sua amiga.
- Quenga, vamos embora!
Mariana que estava incrédula com a sua amiga, desperta de uma espécie de transe e corre em direção a ela acompanhando-a.
Assim que ela passa pelos rapazes que estavam acompanhando Antônio que os ajudam a se levantar, eles resolvem ir atrás de Eduarda e Mariana que passava por eles correndo.
Nesse momento, os homens escudeiros de Henrique, aparecem acompanhado de Vinícius que os olha com deboche, principalmente para Antônio que ainda se contorce de dor tentando se levantar.
- Nem pensem nisso. O chefe mandou ficarem quietinhos aí. – Ele sorri largo.
Todos que estavam ao lado de Antônio o ajudam a levantar depois de um tempo ainda sentindo dor. Assim que ele está de pé, Vinícius o olha de cima a baixo com um sorriso de escárnio.
Ele murmura em descontentamento.
- Peguem o lixo e caiam fora agora!
Eles assentem e saem carregando Antônio que nem consegue andar direito. Ele comenta com um vapor que está ao seu lado.
- Fica de olho neles. Manda outro pra fazer a segurança das minas que saíram daqui até embaixo.
O rapaz acena em afirmação e sai com mais dois rapazes. Sorrindo, ele murmura consigo mesmo.
- Carai, essa deve ter doído pacas.
Olhando ao redor, ele dispara falando bem alto.
- Solta o som DJ.
E o baile, volta com força total a continuar e ele sorri voltando para o camarote ao lado das meninas que ele estava conversando antes.