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Capítulo 1 — O Sonho Que Nunca Acaba
O sonho começou como todos os outros.
Luna corria.
Seus pés tocavam um chão de pedra fria enquanto o vento cortava seu rosto, trazendo consigo o cheiro de fumaça e algo mais antigo — como se o próprio ar carregasse memórias esquecidas. O céu acima dela não era azul, mas um tom profundo de roxo, rasgado por nuvens douradas que se moviam lentamente, como criaturas vivas.
— Não pare! — uma voz ecoou atrás dela.
Luna tentou olhar para trás, mas seu corpo não obedecia. Seu coração batia tão forte que parecia querer escapar do peito. À frente, uma enorme f***a brilhava no ar, pulsando com luz prateada. Ela sabia, mesmo sem entender como, que precisava alcançá-la.
Um rugido rasgou o céu.
Ela ergueu os olhos a tempo de ver uma sombra gigantesca cruzar as nuvens. As asas batiam com força, espalhando faíscas douradas. Um dragão.
— Luna! — a voz chamou novamente, agora mais próxima, mais urgente.
Antes que pudesse responder, uma dor aguda atravessou seu braço esquerdo. Ela olhou para baixo e viu símbolos brilhando em sua pele, linhas antigas que pulsavam como se estivessem vivas.
— Acorde — sussurrou a voz, suave desta vez. — Ainda não é a hora.
Luna abriu os olhos com um sobressalto.
Estava em seu quarto, envolta pela penumbra da madrugada. A respiração vinha curta, e sua camisola estava colada ao corpo de tanto suor. O relógio digital ao lado da cama marcava 03:17.
— De novo… — murmurou.
Ela se sentou devagar, passando a mão pelo braço esquerdo.
Nada.
Nenhum símbolo. Nenhuma marca.
Mesmo assim, a sensação permanecia — como se algo estivesse adormecido sob sua pele.
Luna se levantou e foi até a janela. A rua estava silenciosa, iluminada apenas pelos postes amarelados. Tudo parecia normal demais depois do caos do sonho.
— Por que parece tão real? — perguntou a si mesma.
Ela tinha aqueles sonhos desde criança, mas nunca haviam sido tão intensos. Nunca haviam doído.
Ao voltar para a cama, algo chamou sua atenção.
Sobre o criado-mudo, onde antes só havia seu celular, agora repousava um objeto que definitivamente não estava ali quando ela dormira.
Um livro.
A capa era de couro escuro, desgastada pelo tempo, sem título algum. No centro, o mesmo símbolo que ela vira em seu braço estava gravado em prata.
O coração de Luna disparou.
— Isso não é possível…
Com as mãos trêmulas, ela tocou o livro.
No instante em que seus dedos encostaram na capa, o símbolo brilhou — e a mesma marca apareceu em seu braço esquerdo, ardendo como fogo.
Luna gritou.
E, em algum lugar entre mundos, algo antigo despertou.
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*Fim do Capítulo 1*